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Território Yanomami não registra mortes por malária no 1º semestre de 2026

Fonte: folhabv.com.br | Data: 22/08/2026 07:39:24

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O território Yanomami não registrou mortes por malária no primeiro semestre de 2026, segundo o Ministério da Saúde. O dado foi apresentado nesta sexta-feira (21) pelo secretário-executivo da pasta, Adriano Massuda, durante coletiva em Boa Vista, após uma missão de dois dias no território.

A comitiva acompanhou de perto os serviços oferecidos à população, visitou o Polo Base de Surucucu e a Maloca Papiu, além da Casa Yanomami e da estrutura de atendimento indígena do Hospital Universitário. Também participaram da missão a secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé, representantes da AgSUS, Fiocruz, Casa Civil e Força Nacional do SUS.

Segundo o secretário, a redução dos óbitos foi observada na comparação entre os primeiros semestres de 2023, 2024, 2025 e 2026. Para Massuda, os resultados mostram uma mudança no cenário encontrado em 2023, quando o território enfrentava uma emergência sanitária.

“Nós vimos uma redução progressiva de óbitos de malária e, este ano, 2026, não registramos nenhum óbito. Isso é uma vitória, é uma conquista muito importante. Então, é uma redução de óbitos por doenças respiratórias, redução de óbitos por outras doenças. São ações fruto de um conjunto de medidas que começaram a ser implementadas desde o primeiro dia do governo do presidente Lula”, afirmou.

Mais de 6 mil atendimentos em Surucucu

Durante a missão, a equipe visitou o Polo Base de Surucucu, que iniciou os atendimentos em setembro do ano passado. Desde então, mais de 6 mil atendimentos foram realizados na unidade, conforme o Ministério da Saúde.

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda. Foto: Nilzete Franco/FolhaBV

A comitiva também acompanhou uma ação de vacinação na Maloca Papiu. A atividade faz parte da campanha nacional de multivacinação, voltada à atualização da situação vacinal de crianças e adolescentes de até 15 anos.

Massuda afirmou que as lideranças indígenas relataram uma melhora nas condições de saúde e nutrição das crianças em comparação com o cenário encontrado em 2023. “As crianças indígenas hoje estão em uma situação muito melhor do que estavam em 2023, quando nós começamos [as ações]. As crianças estão em uma situação bem nutridas, saudáveis. Isso, além de a gente ver, a gente pôde ouvir das lideranças”, afirmou.

Investimentos e recomposição das equipes

O Ministério informou ainda que a oferta de doses de vacinas à população indígena aumentou 80% desde 2023. Já o orçamento da saúde indígena, segundo a pasta, passou de R$ 1 bilhão para mais de R$ 3,5 bilhões. No território Yanomami, os recursos teriam aumentado de aproximadamente R$ 92 milhões para quase R$ 400 milhões.

Com o reforço dos investimentos, o território passou a contar com cerca de 2,1 mil profissionais de saúde. Entre eles estão 74 médicos, sendo 69 vinculados ao Mais Médicos e cinco especialistas contratados pela AgSUS.

Apesar dos avanços, o Ministério da Saúde anunciou que pretende ampliar novamente as equipes que atuam no território. Massuda informou que foi aberto processo seletivo para a contratação de 227 novos profissionais de saúde. O processo já está na fase de entrevistas.

Seca preocupa e muda estratégia de atendimento

A secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé. Foto: Nilzete Franco/FolhaBV

Outro ponto destacado durante a missão foi o impacto das mudanças climáticas sobre a saúde da população Yanomami. Massuda afirmou que o governo prepara um plano para enfrentar os efeitos da estiagem no território, provocados pelo El Niño.

Lucinha Tremenbé explicou que o planejamento considera as dificuldades logísticas que podem surgir durante períodos de seca, principalmente com a redução do nível dos rios tanto em Roraima quanto no Amazonas. Segundo ela, o planejamento considera desde a necessidade de embarcações menores até a possibilidade de ampliar o transporte aéreo.

“Em 2024, a gente teve uma seca que afetou as comunidades daquela região [Yanomami]. Então, a gente já está montando dentro da Sesai um plano, juntamente, que está contido no plano geral do Ministério da Saúde. Mas como a saúde indígena no nosso território tem especificidades, a gente olha com muito cuidado para essas peculiaridades, olhando para qual tipo de barco nós temos hoje, qual necessidade nós temos de comprar. Outros barcos menores, se for o caso, porque o rio vai estreitando. Se é necessário contratar mais horas-voos ou se só vai ser possível se for de helicóptero para que esses territórios não fiquem desassistidos”, afirmou a secretária da Sesai.

“Processo de recuperação”

Da esquerda para a direita, o coordenador do DSEI Yanomami e Ye’kwana, Maurício Ye’kwana; a secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé; o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda; a superintendente estadual do Ministério da Saúde em Roraima, Andréa Rosado Maia; o diretor-presidente da AgSUS, André Longo; e o representante da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde na Força Nacional do SUS, Fausto Soriano. Foto: Nilzete Franco/FolhaBV

Durante a missão, Massuda também esteve acompanhado do líder indígena Davi Kopenawa, que participou de visitas no território. O secretário destacou a importância de ouvir uma liderança que, segundo ele, participou da luta pela demarcação da Terra Indígena Yanomami e pela criação da Secretaria de Saúde Indígena.

“Para nós é muito importante que a gente possa ter essa visão de uma pessoa histórica como Davi, que lutou pela demarcação da Terra Indígena Yanomami, que lutou pela criação da Sesai, que viu o que todo o povo sofreu recentemente e ter a visão dele desse processo de recuperação que está em curso”, finalizou.

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