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Evertec mira seguros e previdência para crescer no Brasil – SpaceMoney

Fonte: spacemoney.com.br | Data: 22/08/2026 08:18:08

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Depois de aplicar aproximadamente R$ 4 bilhões em compras de empresas no Brasil em um intervalo de três anos, a Evertec terminou o segundo trimestre de 2026 com o país convertido em sua segunda maior fonte de receitas, atrás apenas de Porto Rico. O Brasil já responde por 35% do faturamento consolidado, e a próxima etapa da estratégia passa menos por repetir o ritmo de anúncios do que por escolher com precisão as próximas frentes. Claudio Prado, vice-presidente executivo e head da Evertec no Brasil, afirmou que a companhia considera o mercado brasileiro ainda aberto a novos investimentos, embora nenhuma negociação esteja em curso.

A fala ocorre em um momento de consolidação: a integração da Dimensa, comprada no início de 2026, está no centro das atenções da operação local. Para Prado, existem lacunas no portfólio atual que podem ser preenchidas por crescimento inorgânico. Entre os alvos mais concretos estão soluções para o mercado segurador. No segmento de previdência, por outro lado, a empresa vê espaço para adaptar uma tecnologia que já possui.

Ciclo de aquisições mudou a posição da Evertec no país

O ponto de partida dessa trajetória foi a compra da Sinqia, em 2023, que entregou à Evertec uma base de aproximadamente 900 clientes no segmento de software para bancos. Desde então, o total investido em novas operações chegou a R$ 4 bilhões. O último grande anúncio foi a Dimensa, por R$ 980 milhões, no início daquele ano. Com esse negócio, a Evertec incorporou uma unidade separada da TOTVS da qual a B3 também é sócia, ampliando a presença nos segmentos de riscos e seguros, banking e fundos, com mais de 15 mil clientes atendidos.

Ainda no início do ano, a empresa reforçou outra frente ao avançar na BBChain, braço voltado a tokenização, ativos digitais e infraestrutura blockchain. O resultado prático foi duplo: o portfólio de produtos para o sistema financeiro ficou mais amplo e a companhia ganhou musculatura no principal mercado da América Latina. Em poucos anos, o país passou de uma posição periférica a um dos pilares de crescimento do grupo.

O mapa dos próximos passos

Com a base atual consolidada, a Evertec passou a avaliar oportunidades de forma mais seletiva. O executivo afirmou que uma aquisição importante como a Dimensa precisa ser digerida, o que tende a orientar o apetite da empresa nos próximos trimestres. Ainda assim, há frentes claras a explorar no Brasil, e duas delas se destacam na leitura interna.

A primeira está no mercado de seguros, onde a Dimensa trouxe um ERP voltado a corretoras, mas não uma solução completa para seguradoras. A segunda envolve a previdência aberta, que poderia ser alcançada com a adaptação da plataforma de previdência fechada já existente.

Mercado de seguros

Prado reconheceu que faltam, no portfólio da Evertec, sistemas desenhados especificamente para o funcionamento de seguradoras. A companhia já avaliou empresas com esse perfil no passado, mas as negociações não avançaram. Mesmo sem um alvo definido, o caminho natural, na visão do executivo, seria uma compra para preencher essa lacuna.

A lógica por trás desse interesse seria aproveitar a base de clientes que a Dimensa abriu no setor e ampliar a oferta para além das corretoras. Com isso, a Evertec fecharia uma das principais lacunas que ainda identifica no portfólio brasileiro. Nenhuma negociação, porém, está em curso.

Previdência aberta

No caso da previdência, a estratégia tende a ser diferente. A Evertec já atende a modalidade fechada, na qual os planos são restritos a um grupo específico, normalmente composto por funcionários de uma única empresa. A avaliação interna é que essa solução pode ser adaptada para a previdência aberta, que permite a contratação individual por qualquer pessoa. Nesse cenário, o caminho seria orgânico, com desenvolvimento interno, em vez de uma aquisição.

A distinção entre os dois caminhos mostra como a empresa pretende calibrar o crescimento no Brasil. Nem toda lacuna de portfólio será atacada apenas com aquisições; algumas podem ser resolvidas com evolução de plataformas já existentes. Essa avaliação reduz a pressão sobre o caixa e permite que a Evertec tenha mais tempo para assimilar a Dimensa antes de decidir o próximo movimento.

Ritmo de compras pode perder força no Brasil

O próprio Prado relativizou a expectativa de um novo ciclo de aquisições no Brasil no curto prazo. Ele afirmou que a companhia passou a adotar uma visão de portfólio e que eventuais oportunidades de expansão inorgânica podem ganhar mais peso em outras partes da América Latina. Isso indica que, embora o país continue no radar, a prioridade imediata é a integração dos ativos já comprados.

A leitura é de que a Evertec entra agora em uma fase de gestão do portfólio, na qual a integração das plataformas adquiridas pesa tanto quanto a identificação de novas oportunidades. A pausa não significa abandono do Brasil, mas uma mudança no ritmo: a empresa quer mostrar que sabe operar o que comprou antes de anunciar novos movimentos.

Brasil já pesa no balanço da Evertec

Entre os resultados que ajudam a explicar essa relevância, o segundo trimestre de 2026 mostrou o Brasil como um dos motores da América Latina. As receitas da região cresceram 52% na comparação com o mesmo período do ano anterior, e a divisão de pagamentos e soluções respondeu por US$ 131 milhões do faturamento regional. No consolidado, a Evertec chegou a US$ 275 milhões em receitas no trimestre, uma alta de 20%. Porto Rico ainda concentra entre 40% e 45% do total, mas a distância para o Brasil vem diminuindo.

Historicamente, a Evertec nasceu de um desmembramento da área de tecnologia do Banco Popular de Porto Rico, maior instituição financeira privada do país. Em 2009, com os efeitos da crise do subprime, o braço foi vendido como uma alternativa de liquidez e acabou se transformando em uma empresa listada na Bolsa de Nova York. A operação brasileira, por sua vez, tornou-se essencial para a tese de crescimento da companhia.