Corrida eleitoral põe industrialização entre prioridades de candidatos do NE
Fonte: movimentoeconomico.com.br | Data: 23/08/2026 05:50:39
Os principais candidatos aos governos dos nove estados do Nordeste chegam à eleição de 2026 com propostas que colocam industrialização, infraestrutura, energia, agroindústria, inovação e interiorização dos investimentos no centro das estratégias para ampliar as economias estaduais nos próximos quatro anos. O Movimento Econômico analisou os programas de governo dos dois principais candidatos de cada estado registrados no registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Apesar da diferença entre projetos, boa parte das candidaturas tenta mostrar como pretendem fazer os estados capturarem uma parcela maior da riqueza gerada pelos recursos e atividades econômicas que já possuem.
Entre as 18 propostas analisadas, é possível identificar um movimento que aparece em praticamente toda a região: agregar valor dentro dos próprios estados. Seja beneficiando minerais antes de exportá-los, transformar produtos agropecuários em alimentos industrializados, conectar áreas produtoras a portos e ferrovias, utilizar a geração de energia para atrair indústrias e data centers ou fazer com que grandes investimentos criem fornecedores, empregos e novos negócios locais.
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Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe, por exemplo, apresentam projetos que tentam usar a disponibilidade de energia e grandes estruturas portuárias para atrair novas atividades industriais.
Outro tema que ganhou espaço nos planos é a exploração de minerais críticos e estratégicos. Rodovias, ferrovias, portos e aeroportos continuam entre as propostas mais recorrentes, mas nos planos mais estruturados a infraestrutura aparece diretamente associada às cadeias produtivas.
A interiorização aparece por meio de distritos industriais, polos tecnológicos, agroindústrias, infraestrutura hídrica, rotas turísticas, Arranjos Produtivos Locais e crédito para pequenos negócios. A diferença está menos no objetivo e mais nos instrumentos escolhidos.
Outra mudança aparece nos estados que tratam diretamente dos efeitos da Reforma Tributária.
A seguir, separamos cinco principais propostas apresentadas nos planos de governo para a área de economia de cada estado.
Alagoas: interiorização e logística separam projetos econômicos
Com um plano mais robusto, o ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC (PSDB) aposta na interiorização, diversificação e novas cadeias produtivas e utilizar uma política industrial, agroindustrialização, infraestrutura e energia para reduzir a concentração econômica e levar investimentos ao interior.
- Alagoas Potência: criar polos e distritos industriais no interior e revisar incentivos tributários, vinculando benefícios a emprego, investimento, inovação e fornecedores locais.
- Agroindustrialização e Irriga Alagoas: fortalecer cadeias produtivas, beneficiamento, certificação, centros de distribuição e irrigação no São Francisco, conectando produção também à logística aeroportuária.
- Conexão ferroviária com a Transnordestina: articular estudos para um ramal capaz de integrar áreas produtoras alagoanas aos grandes corredores nacionais de carga.
- Alagoas em Rota: integrar rodovias, porto, aeroporto e ferrovia aos polos produtivos e criar corredores para agroindústrias e centros de consolidação de cargas.
- Energia para Crescer: atrair fabricantes de componentes fotovoltaicos e armazenamento, estimular biodigestores e usar a transição energética como instrumento industrial.
Já o senador Renan Filho (MDB) propõe uma agenda econômica mais setorial, sem uma estratégia de desenvolvimento tão articulada no documento.
- Expandir produção de milho, feijão e soja para reduzir a dependência de grãos comprados fora do estado.
- Modernizar o setor sucroenergético, com açúcar e etanol de baixa emissão, novos mercados e integração ao RenovaBio/CBios.
- Transformar Jaraguá em bairro de inovação, com incentivos fiscais e residência tecnológica.
- Criar programa turístico estruturante para a Região dos Quilombos.
- Ampliar duplicações rodoviárias na Região Metropolitana e no interior, além de pontes e estudo de terminal de transbordo metropolitano.
Indústria, energia e infraestrutura no centro da disputa na Bahia
ACM Neto (União) detalha em seu plano de governo como pretende estruturar territórios, infraestrutura e instrumentos públicos para converter vocações produtivas em investimento privado e indústria.
- Zonas de Industrialização do Interior, especializadas segundo vocações regionais e com infraestrutura e licenciamento previamente preparados.
- Nova política industrial pós-Reforma Tributária, utilizando inclusive recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional em infraestrutura, inovação e subvenções vinculadas a emprego.
- Reconversão de Camaçari para química verde, materiais avançados, baterias e componentes das cadeias renováveis.
- FIOL + Porto Sul + mineração, com cobrança de cronogramas e estrutura para ampliar escala e beneficiamento da produção mineral.
- Bahia 365: reorganizar o turismo com inteligência de dados, fundos, PPPs, promoção e novos destinos ao longo do ano.
Já Jerônimo Rodrigues (PT) tenta a reeleição buscando aprofundar instrumentos existentes e associar indústria, energia, infraestrutura e desenvolvimento territorial.
- Programa de interiorização industrial, com incentivos diferenciados, distritos/parques e crédito para pequenas e médias indústrias.
- Política para terras raras e minerais críticos, priorizando beneficiamento e agregação de valor na Bahia.
- Novas cadeias energéticas, com hidrogênio de baixo carbono, SAF, HVO, etanol e expansão da transmissão.
- Avançar FIOL e Porto Sul, além de parque logístico no Centro Industrial de Aratu.
- Fortalecer o Desenbahia como financiador de inovação, modernização produtiva, infraestrutura e eficiência energética.
Ceará: Pecém, tecnologia e transição energética moldam propostas
O atual governador, Elmano Freitas (PT) concorre à reeleição e quer transformar energia, porto e infraestrutura digital em novas cadeias industriais e tecnológicas.
- Consolidar Pecém como plataforma da neoindustrialização, com siderurgia, química, fertilizantes, minerais estratégicos e novas cadeias de baixo carbono.
- Hub de energia verde, com hidrogênio, SAF, metanol, eólica offshore e armazenamento.
- Transnordestina + Pecém como hub logístico nacional e internacional e instrumento de interiorização.
- Economia digital: data centers, IA, nuvem, software e Distrito de Inteligência Artificial do Ceará.
- Minerais críticos com beneficiamento local, atraindo indústrias de transformação ligadas à mineração.
Já Ciro Gomes (PSDB) tenta se eleger e quer reconstruir planejamento econômico e competitividade usando Pecém, infraestrutura e desenvolvimento territorial.
- Consolidar Pecém/ZPE como polo logístico, industrial, energético e exportador.
- Transformar data centers, indústria de baixo carbono e novos investimentos privados em política permanente de desenvolvimento.
- Interiorizar novos polos industriais e tecnológicos e fortalecer APLs.
- Integrar crédito, tecnologia, irrigação e agroindustrialização na política rural.
- Reforma administrativa e fiscal para simplificar burocracia, recuperar planejamento e aumentar eficiência tributária sem elevar carga.
Industrialização e agro disputam como reter riqueza no Maranhão
O atual governador Felipe Camarão (PT) apresenta uma estratégia para buscar a reeleição voltada a transformar o Maranhão em corredor de exportação em produtor e beneficiador de parte da riqueza que hoje atravessa o estado, priorizando industrialização, bioeconomia, transição energética e desenvolvimento territorial.
- Industrializar a produção que hoje sai bruta, com agroindústria, esmagamento de grãos, beneficiamento mineral e conteúdo local.
- Estruturar uma economia da sociobiodiversidade, agregando valor ao babaçu, pesca e economia azul.
- Vincular transição energética e Margem Equatorial a emprego e fornecedores locais.
- Fortalecer pequenos negócios e agricultura familiar cooperativada, ampliando crédito, mercados e beneficiamento.
- Interiorizar ciência, inovação e formação profissional, com IEMA, Fapema, Uemasul e políticas ligadas às vocações regionais.
O ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), propõe em seu plano de governo agregar valor à produção local, melhorar infraestrutura e estimular as vocações econômicas dos municípios.
- Industrializar a produção agropecuária, especialmente couro, milho, soja e agricultura familiar.
- Desenvolver a cadeia do babaçu, com beneficiamento, industrialização e novos mercados.
- OportuCidades: apoiar municípios a partir de suas vocações produtivas, turísticas e culturais.
- Programa rodoviário com novas estradas, recuperação da malha, pontes e anéis rodoviários.
- Reduzir o ICMS estadual, embora o documento não detalhe alíquotas, setores nem compensação fiscal.
Paraíba: inovação, indústria e pós-guerra fiscal entram no debate
Em seu programa de governo, Cícero Lucena (MDB) propõe substituir progressivamente a vantagem tributária por infraestrutura, produtividade, inovação e especialização produtiva.
- Redesenhar o FAIN para o pós-2033, usando crédito, garantias, infraestrutura e cofinanciamento em vez de depender do ICMS.
- Política de minerais estratégicos, com mapeamento da Borborema e beneficiamento de lítio, tântalo, nióbio, berílio e terras raras dentro do estado.
- Porto de Cabedelo como plataforma mineral/exportadora, inclusive com estudo de ZPE ou regime equivalente.
- Distritos Regionais de Inovação e Fundo Estadual de Inovação, com coinvestimento privado e interiorização.
- Agroindustrialização regional, com leite de cabra, pescado, frigoríficos, certificação e Selo Origem Paraíba.
Já o atual governador Lucas Ribeiro (PP) quer aprofundar polos regionais combinando indústria, ciência, agroindústria e infraestrutura.
- Criar Polo Estadual Farmoquímico e fortalecer polos industriais e tecnológicos.
- Criar três distritos industriais na Grande João Pessoa.
- Consolidar a bioindústria sucroenergética, com metas para biocombustíveis e competitividade do etanol.
- CIQUANTA + data centers + fibra óptica, usando Campina Grande como polo científico e tecnológico.
- Porto de Cabedelo ligado à exportação de açúcar e bioeconomia, além de meta rodoviária superior a 800 km de novas estradas.
Pernambuco: Suape e reindustrialização organizam propostas econômicas
A governadora Raquel Lyra (PSD) quer ampliar a infraestrutura e usar Suape como plataforma logística, industrial e energética no estado.
- Expandir Suape, incluindo Terminal de GNL, ZPE, infraestrutura portuária e SENAI Park para transição energética.
- Implantar o ramal Salgueiro–Suape da Transnordestina e sua última milha portuária, articulando futura conexão à Norte-Sul.
- Industrializar a energia limpa, atraindo baterias, armazenamento, recarga, tecnologias automotivas e equipamentos.
- Preparar a política de atração de investimentos para a Reforma Tributária, inclusive com o FNDR.
- Interiorizar cadeias por APLs, como confecção, fruticultura, avicultura e vitivinicultura, conectadas a crédito e infraestrutura.
Já o ex-prefeito de Recife, João Campos (PSB), defende em suas propostas reposicionar Pernambuco em cadeias de maior complexidade produtiva e tecnológica.
- Estratégia estadual de reindustrialização baseada em valor agregado, tecnologia e conhecimento.
- Reformular o PRODEPE para o pós-guerra fiscal, usando infraestrutura, financiamento, terrenos estruturados e FNDR.
- Cinturão da Inteligência: cabos submarinos em Suape + Goiana + fibra para o interior, visando data centers e tecnologia.
- Ecossistema de saúde e biotecnologia, conectando Lafepe, Hemobrás, Fiocruz, universidades, hospitais e empresas.
- Transnordestina + distritos logístico-industriais, tratando o ramal até Suape como eixo de interiorização produtiva.
Investimentos, logística e verticalização guiam planos no Piauí
O atual governador Rafael Fonteles (PT) busca a reeleição e quer acelerar crescimento com grandes metas de investimento, infraestrutura, inovação e novas cadeias produtivas.
- Atrair R$ 100 bilhões em investimentos privados, dentro de estratégia que também prevê R$ 10 bilhões públicos e aumento de 50% da renda domiciliar per capita.
- Porto de Luís Correia + hidrovia do Parnaíba, formando o “Corredor Azul do Desenvolvimento”.
- Política estadual de minerais críticos e transição energética, com novos levantamentos geológicos e atração de cadeias energéticas.
- Criar sete hubs de inovação ligados às principais cadeias econômicas do estado.
- Ampliar em 50% o crédito produtivo e desenvolver fornecedores locais ligados aos grandes projetos.
Do outro lado, Joel Rodrigues (PP) propõe reduzir custos e capturar dentro do Piauí uma parcela maior do valor daquilo que o estado produz.
- Reduzir gradualmente a alíquota modal do ICMS até uma média considerada competitiva no Nordeste.
- Condicionar incentivos a contrapartidas de investimento, emprego e desenvolvimento local.
- Carteira de Verticalização Agroindustrial, com estudos prévios de mercado, logística, água, energia e viabilidade.
- Sistema Estadual de Logística e Desenvolvimento Territorial, integrando rodovias, ferrovia, porto, ZPE e aeroportos.
- Estratégia para terras raras e minerais críticos, condicionada a estudos de viabilidade e com beneficiamento local quando possível.
Energia e novas cadeias puxam a economia do futuro no Rio Grande do Norte
Cadu de Lula (PT) propõe em seu plano reter mais valor no RN conectando renováveis, indústria, recursos naturais, fornecedores e infraestrutura.
- Transformar a liderança em eólica e solar em nova industrialização, incorporando hidrogênio, minerais e serviços tecnológicos.
- Porto-Indústria Verde como ativo industrial e logístico para renováveis, mineração e demais cadeias produtivas.
- Beneficiar minerais estratégicos dentro do estado e integrá-los à economia de baixo carbono.
- Agroindústria e fruticultura exportadora, conectando produção, cooperativismo, crédito, inovação e mercado.
- Infraestrutura e segurança hídrica conectadas às vocações produtivas, incluindo portos, aeroportos, rodovias e atividades rurais.
Já Alysson Bezerra (União) quer preparar ativos e reduzir barreiras para captar investimentos privados em novas cadeias.
- Atendimento Integrado ao Investidor, acompanhando projetos desde a prospecção até a operação.
- RN Hub de Tecnologia e IA, preparando energia, transmissão, fibra, licenciamento e áreas para data centers e nuvem.
- Terras raras e minerais estratégicos, com pesquisa, beneficiamento e atração de investimentos de maior valor agregado.
- Modernizar petróleo, gás, sal e economia do mar, fortalecendo fornecedores e transformação local.
- Porto de Natal + Aeroporto de São Gonçalo como hub de cargas, ligados a corredores intermodais.
Petróleo, gás e diversificação orientam propostas em Sergipe
Em Sergipe, o atual governador, Fábio Mitidieri (PSD) busca a reeleição e propõe aproveitar o novo ciclo energético para criar uma economia mais industrial, tecnológica e diversificada.
- Capital da Energia: transformar Sergipe em hub nacional de gás e atrair indústrias intensivas em energia.
- Fundo Soberano com receitas de óleo e gás, especialmente ligadas ao Sergipe Águas Profundas.
- Nova Economia Sergipana: neoindustrialização, tecnologia, agroindústria, Polo de Fertilizantes, química e bioeconomia.
- Banese como banco de desenvolvimento para pequenos negócios, inovação, turismo e outros investimentos.
- Desenvolve-SE para captar investimentos, com foco em óleo e gás, renováveis, tecnologia, data centers, turismo e agro.
Na outra ponta, Valmir de Francisquinho (Republicanos) traz em seu plano de governo propostas para diversificar e interiorizar a economia com infraestrutura logística e cadeias produtivas regionais.
- Corredor Logístico Mineral + Sergipe Mineral 2035, visando também beneficiamento industrial.
- Integração ferroviária ao Terminal Marítimo Inácio Barbosa, acompanhada de reforço portuário e aeroportuário.
- Transição energética diversificada, com solar, eólica, biomassa, gás, hidrogênio e Programa Sergipe Eletromobilidade.
- Rede Estadual de Agroindústrias, frigoríficos regionais, modernização do leite e Centro de Referência da Citricultura.
- Destino Sergipe 2035, com rotas regionais, infraestrutura, qualificação, promoção e atração de investimentos turísticos.
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