Plano emergencial para cortar excesso de geração é acionado pela segunda vez| eixos
Fonte: eixos.com.br | Data: 24/08/2026 07:13:04
NESTA EDIÇÃO. ONS volta a acionar plano emergencial para cortar geração distribuída.
ANP abre consulta sobre controle do lastro de biodiesel das distribuidoras.
Irã anuncia descoberta de gás natural.
Política de conteúdo local na mira do TCU.
Antes de seguir para os destaques do dia, um convite: questões como o equilíbrio das fontes renováveis no sistema e a abertura de novas frentes exploratórias para petróleo e gás estão em discussão em todo o mundo, não apenas no Brasil. É com esse olhar que a agência eixos desembarca esta semana na Noruega para cobrir o ONS 2026, um dos principais eventos de energia da Europa.
- Acompanhe nossa cobertura para entender como esses desafios estão sendo enfrentados mundo afora e o que esses debates podem sinalizar para o Brasil.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) precisou acionar no domingo (23/8) o plano emergencial para cortar a geração excedente de energia. Foi a segunda vez este ano que o recurso precisou ser adotado.
- Os cortes ocorreram entre as 11h e 11h30.
- Segundo o ONS, também foram adotadas medidas complementares para redução da geração centralizada no Sistema Interligado Nacional (SIN), que estão sob controle do operador.
As distribuidoras de energia elétrica confirmaram a execução do plano, mas voltaram a pedir um maior detalhamento dos procedimentos e maior clareza sobre os critérios adotados pelo operador.
- “A ausência desses pontos, na visão da associação, pode trazer insegurança jurídica para todo o setor elétrico”, afirmou a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) em nota.
- “O segmento de distribuição entende que os problemas decorrentes do excesso de geração renovável são uma realidade, sendo urgente e necessário o aprofundamento de políticas públicas que possam reorganizar o sistema e solucionar os gargalos existentes para evitar apagões”, acrescentou.
O plano emergencial prevê o controle da geração das usinas enquadradas no modelo de geração distribuída, sobretudo as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). Essas unidades não estão sob o comando do operador, mas sim das distribuidoras de energia.
- O comando para os cortes ocorre para manter o equilíbrio do sistema em períodos de excesso de geração sem demanda correspondente.
- Relembre: Às vésperas da Copa, ONS estreia plano para equilibrar excesso de geração.
Este mês, o ONS chegou a emitir um aviso para eventuais cortes no domingo de Dia dos Pais (9/8), mas a medida foi dispensada devido à carga mais elevada do que o esperado.
Na semana passada, o diretor-geral do ONS, Marcio Rea, afirmou que haveria uma possibilidade “um pouco maior” de uso do plano emergencial para a gestão de excedentes no segundo semestre do ano.
- Vale lembrar que a expectativa é de um impacto do El Niño nos próximos meses.
- O fenômeno climático aumenta os fatores de capacidade das usinas solares e eólicas no Centro-Oeste e Nordeste e reduz a afluência das hidrelétricas no Norte. A seca, por outro lado, também pode ajudar a aumentar a demanda por energia e a escoar parte da geração excedente.
Lastro de biodiesel. A diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou por unanimidade na sexta-feira (21) a abertura de consulta e audiência públicas sobre o controle mensal do lastro de biodiesel dos distribuidores.
- A minuta implementa um dispositivo instituído pela Lei do Combustível do Futuro: enquanto o distribuidor não comprovar estoques, aquisições e retiradas compatíveis com o diesel B comercializado, fica proibida a venda de diesel A, B e C.
- Assista à gravação da reunião da ANP.
“Muito etanol e só prejuízo”. O senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL/RJ), afirmou que a proporção de 32% de etanol na gasolina (E32) terá que ser revista em um eventual governo. A declaração foi feita durante a live semanal do candidato, transmitida à noite no YouTube.
- Flávio respondia à mensagem de um apoiador, lida durante a transmissão, que pedia melhora na qualidade da gasolina no ano que vem: “Muito etanol e só prejuízo”, dizia o recado.
- O setor de etanol classificou a fala do presidenciável como desinformação.
Decreto para bioinsumos. A CNI enviou uma carta para o presidente Lula (PT) cobrando celeridade na publicação do decreto que regulamenta o Marco Legal dos Bioinsumos. O setor aguarda o texto desde dezembro de 2024.
- A Lei nº 15.070/2024 estabeleceu regras específicas para produção, comercialização e uso de bioinsumos. Na mesma semana, a Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos disse que a expectativa é que a regulamentação saia nos próximos dias.
Valorização energética de resíduos. O Ministério de Minas e Energia incluiu na pauta da reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), marcada para 2 de setembro, a criação de um grupo de trabalho sobre valorização energética de resíduos.
- A iniciativa sinaliza uma mobilização interministerial para coordenar políticas públicas já existentes e enfrentar entraves regulatórios, econômicos e institucionais que dificultam o aproveitamento dos resíduos como fonte de energia.
Opinião: CGOB permite capturar valor ambiental do biometano, mas meta anual flexível pode gerar incerteza e elevar custo de capital. Trajetória plurianual é essencial para atrair investimentos em escala, defendem o sócio do time de Infraestrutura e Energia do Mattos Filho Advogados Bruno Chedid e a sócia do time de Direito Ambiental e Mudanças Climáticas do Mattos Filho Advogados Tábata Guerra.
Tarifa diferenciada. O governo de Sergipe e a Transportadora Associada de Gás (TAG) apresentaram à ANP o desenho de um novo modelo de tarifas diferenciadas de transporte de gás. A expectativa é reduzir os custos para indústrias interessadas em se instalar no estado e comprar o gás que será produzido no Projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP) da Petrobras. Veja mais detalhes na gas week.
Descoberta no Oriente Médio. O Irã descobriu mais de 212,4 bilhões de metros cúbicos de gás em um campo no sul da província de Fars, segundo o ministro do Petróleo, Mohsen Paknejad, segundo declarações reproduzidas pela mídia estatal local. (Reuters/Valor)
Preço do barril. O petróleo fechou em alta na sexta-feira (21), e saltou aproximadamente 6% na semana, enquanto as negociações entre Estados Unidos e Irã seguem paralisadas e os dois países continuam trocando ameaças. O Brent subiu 0,65%, a US$ 94,39 o barril.
- Na segunda (24), os contratos futuros de petróleo bruto recuaram no início das negociações na Ásia, antes da entrevista coletiva do secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, sobre as sanções planejadas pelos Estados Unidos contra o Irã. O Brent para entrega em setembro recuou 1,4%, para US$ 93,05 o barril. (Dow Jones/Valor)
Lula e Trump. O presidente Lula telefonou na sexta-feira (21) para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para defender a retomada das negociações comerciais bilaterais e discutir a contenção de conflitos internacionais.
Margem Equatorial. A Petrobras pediu ao Ibama autorização para perfurar três novos poços exploratórios no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas. Após a primeira descoberta na região, a presidente da companhia, Magda Chambriard, tem reforçado a importância da continuidade da exploração.
- Na quinta (20), a petroleira e a Marinha do Brasil assinaram um protocolo de intenções para ampliar a agenda de cooperação técnica e estratégica em áreas de interesse comum, incluindo a Margem Equatorial.
Conteúdo local. Depois da avaliação dos programas de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) na indústria de petróleo e gás, a política de conteúdo local entrou no foco do Tribunal de Contas da União (TCU).
- Os mecanismos — regulados pela ANP e responsáveis por movimentar bilhões de reais — têm sido alvo de críticas quanto à gestão estratégica. A ausência de metas e métricas claras para mensurar resultados é um dos pontos questionados.
Opinião: Projetos de SAF exigem capital elevado e apresentam horizontes de retorno de longo prazo, em um mercado que ainda está construindo referências de preço, modelos de contrato e padrões de produção. Quanto mais clara for a compreensão dos riscos envolvidos e das medidas adotadas para mitigá-los, maior tende a ser a confiança e a previsibilidade do empreendimento, escreve a diretora de Riscos e Seguros na Horiens, Vanessa Falco.