Bancos brasileiros põem R$ 2 bi em IA, calcula PwC
Fonte: letsmoney.com.br | Data: 24/08/2026 08:57:22
A PwC calcula que os bancos brasileiros colocaram R$ 2 bilhões em inteligência artificial em 2025, cerca de 4% de tudo o que o setor reservou para tecnologia naquele ano. A conta está no estudo que a consultoria leva ao Febraban Tech, entre 24 e 26 de agosto.
O que a PwC mediu no setor financeiro
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Exigências de conformidade ficaram mais complexas | 90% do setor |
| Recorrem à tecnologia para automatizar conformidade e monitoramento de transações | 84% |
| Colocaram IA agêntica como prioridade máxima de investimento para 2026 | 30% dos executivos |
| Solicitações de rotina resolvidas por autoatendimento com agentes | cerca de 30% |
| Melhora na experiência do cliente após implantar agentes | 54% das organizações |
| Usam ou pretendem usar agentes no atendimento | 57% |
Estudo Unlocking Tomorrow e Global Compliance Study 2025. Fonte: PwC
O tamanho da conta no Brasil
Os R$ 2 bilhões saem de um bolo que a Febraban dimensionou em R$ 47,8 bilhões de orçamento de tecnologia em 2025, alta de 13% sobre os R$ 42,3 bilhões de 2024. A inteligência artificial ainda responde por uma fatia pequena do que os bancos gastam com tecnologia, mesmo dominando a agenda do setor. Para este ano, as instituições miram R$ 50,4 bilhões em tecnologia.
Para Luís Ruivo, que comanda a área de consultoria da PwC no Brasil, três forças empurram esse gasto ao mesmo tempo: o tabuleiro geopolítico instável, uma régua regulatória mais pesada e o avanço do crime financeiro. “A inteligência artificial, especialmente inteligência artificial agêntica, vem, na nossa visão, contribuindo fortemente para o enfrentamento desses desafios”, afirmou.
Onde a IA já entrega valor nos bancos brasileiros
Três áreas bancárias já mostram resultado com agentes, segundo o levantamento: crédito, engajamento e personalização do cliente, e o bloco que junta conformidade regulatória à prevenção a crimes financeiros. A ordem tem explicação operacional, não estratégica: são justamente as áreas que já rodavam sobre dados automatizados. Na ponta do crédito, quem decide continua sendo gente. “Na concessão de crédito, a inteligência artificial pode contribuir no processo de ponta a ponta […] deixando para o humano tomar uma decisão que é mais crítica”, disse Lindomar Schmoller, responsável pela vertical de serviços financeiros da consultoria no país.
No mercado segurador, o mapa cobre subscrição e risco, sinistros, fraude, retenção e a sustentação do time, esta última empurrada por um dado incômodo: na Europa, mais de um em cada três empregados do setor de seguros já passou dos 50 anos. Fora daqui a adoção corre solta, com o Banco da Inglaterra registrando que 52% das fintechs usam alguma forma de IA agêntica e as consultorias virando fornecedoras, caso dos agentes de finanças corporativas de OpenAI e PwC.
O freio é menos técnico do que se imagina: cultura organizacional e custo, este agravado pelo consumo de tokens de cada agente em produção. “As ferramentas estão evoluindo tão rápido que, pelo menos falando pelo Brasil, o limite muitas vezes está nas pessoas, está na nossa capacidade de fazer uso das tecnologias”, disse Ruivo. Em entrevista ao podcast Let’s Money em outubro de 2025, Ticiana Amorim, CEO e fundadora da Arin, já propunha o filtro para separar agente útil de vitrine: “Qual é o dado que é um problema para mim hoje? A inteligência artificial resolve esse problema? E esse KPI vai mudar.” Schmoller resume o estágio atual: “claramente não tem espaço mais para improviso”.
O que observar
Com a fatia de IA ainda pequena diante do orçamento total de tecnologia, o gargalo deixa de ser convicção e vira priorização: cada agente novo disputa verba com infraestrutura e cibersegurança, que têm retorno conhecido. Vale acompanhar se as instituições adotam critério explícito de corte, ou se o dinheiro segue diluído em pilotos que não mudam indicador nenhum.
Convém ponderar a origem do diagnóstico: levantamentos assim saem de consultorias que vendem a implantação, o que não invalida os números mas explica o senso de urgência. Para as áreas de conformidade, a pergunta é mais concreta: com o monitoramento de transações conduzido por agentes, quem responde pela decisão errada, e com qual trilha de auditoria.
Fontes: Valor Econômico • PwC • Febraban • Let’s Money Podcast, entrevista com Ticiana Amorim