EUA elevam aporte e avançam para controlar mineradora brasileira de terras raras
Fonte: brasil247.com | Data: 24/08/2026 14:19:07
247 – A compra da Serra Verde, única mineradora de terras raras em operação no Brasil, pela estadunidense USA Rare Earth deve ser concluída ainda nesta semana após o governo dos Estados Unidos ampliar sua participação financeira na operação. O Departamento de Guerra destinou US$ 750 milhões, cerca de R$ 3,8 bilhões, ao negócio, valor US$ 250 milhões, ou aproximadamente R$ 1,2 bilhão, acima do previsto inicialmente.
As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (24) pela Folha de S.Paulo, com base em anúncio feito pela USA Rare Earth. Ao todo, a companhia informou ter estruturado US$ 1,5 bilhão, equivalentes a cerca de R$ 7,7 bilhões, para viabilizar a aquisição da mineradora brasileira.
Além do aporte direto, o governo estadunidense firmou um contrato de compra futura que prevê a aquisição de pelo menos US$ 300 milhões, aproximadamente R$ 1,5 bilhão, em produtos de terras raras da Serra Verde ao longo de cinco anos.
“Agradecemos o apoio estratégico e o compromisso ampliado de financiamento do governo dos Estados Unidos e temos orgulho de dar continuidade à nossa sólida parceria para construir uma cadeia de suprimento de terras raras segura e resiliente”, afirmou Michael Blitzer, presidente executivo da USA Rare Earth, em comunicado.
Segundo Blitzer, a Serra Verde já recebeu mais de US$ 1 bilhão, cerca de R$ 5,16 bilhões, em investimentos. O executivo destacou a posição estratégica da operação brasileira no mercado internacional.
“A Serra Verde agora pode começar a fornecer esses materiais críticos ao mercado americano”, afirmou.
Controle da mina em Goiás
A conclusão da transação está prevista para os próximos dias. Uma assembleia especial de acionistas para tratar da operação foi marcada para sexta-feira (28).
Com o fechamento do negócio, a USA Rare Earth passará a controlar a mina Pela Ema, localizada em Goiás. O empreendimento produz os quatro elementos de terras raras magnéticas utilizados na fabricação de ímãs permanentes, componentes estratégicos para diferentes segmentos tecnológicos e industriais.
As terras raras formam um conjunto de 17 elementos químicos cuja extração e, principalmente, o processamento apresentam elevada complexidade. Alguns desses minerais são empregados em veículos elétricos, equipamentos de geração de energia renovável e sistemas de defesa.
A operação em Goiás ganha relevância adicional porque a Serra Verde é apontada como a única produtora comercial de terras raras fora da Ásia com um projeto desse tipo em estágio avançado.
Disputa pela cadeia de suprimentos
A participação direta do governo dos Estados Unidos na aquisição ocorre em meio à disputa global pelo controle das cadeias de minerais críticos.
A China responde atualmente por mais da metade da extração mundial de terras raras e concentra quase toda a capacidade internacional de refino desses elementos. Washington vem estimulando empresas e projetos em outros países com o objetivo de reduzir sua dependência do fornecimento chinês.
Nesse contexto, a aquisição da Serra Verde transforma uma operação empresarial em uma questão de dimensão geopolítica, ao inserir uma reserva e uma estrutura produtiva localizada no Brasil na estratégia estadunidense de segurança de suprimentos minerais.
O financiamento público e o compromisso de compra futura também reforçam a perspectiva de que parte relevante da produção da mina goiana seja destinada ao mercado dos Estados Unidos.
Debate sobre soberania
A entrada de capital estrangeiro em um dos segmentos considerados mais estratégicos da mineração brasileira também ampliou o debate sobre soberania e sobre o grau de controle externo permitido em projetos de minerais críticos.
A discussão deixou de se limitar aos efeitos econômicos dos investimentos e passou a envolver questões relacionadas à segurança nacional, à política industrial e à capacidade do Brasil de definir o destino de recursos minerais considerados essenciais para novas tecnologias.
O tema já chegou ao Congresso Nacional. Um projeto de lei que estabelece uma política nacional para minerais críticos e terras raras prevê a discussão de mecanismos de controle e de restrições a determinados investimentos estrangeiros no setor.
A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados em maio e ainda precisa ser analisada pelo Senado. O avanço da compra da Serra Verde ocorre, portanto, enquanto o país ainda debate quais instrumentos pretende adotar para proteger e desenvolver uma cadeia produtiva que ganhou importância estratégica na disputa entre as principais potências mundiais.
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