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Folha Energia debate transição energética e novas aplicações do etanol no Brasil

Fonte: folhape.com.br | Data: 24/08/2026 19:25:38

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Com uma abertura prestigiada, o lançamento da quarta edição da Revista Folha Energia, realizado na manhã desta segunda-feira (24), reuniu representantes do setor público, da indústria, do agronegócio, da bioenergia, da navegação e do setor portuário, no Mar Hotel Conventions, na Zona Sul do Recife. O evento foi promovido pela Folha de Pernambuco e pelo Grupo EQM.

Ao longo da programação, que contou com três painéis, foram discutidos temas como a transição energética na navegação, a versatilidade do etanol e seu potencial de aplicação no mercado de motores estacionários. O encontro buscou estimular o diálogo, aproximar os setores, compartilhar conhecimento e contribuir para a construção de novos caminhos para a energia brasileira.

A abertura contou com a participação do presidente do Grupo EQM e fundador da Folha de Pernambuco, Eduardo de Queiroz Monteiro; da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra; da vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause; e do prefeito do Recife, Victor Marques; dos ministros André de Paula (Agricultura e Pecuária) e Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação); da ministra em exercício de Portos e Aeroportos, Thairyne Oliveira; do senador Fernando Dueire; e do presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE) e presidente-executivo da NovaBio, Renato Cunha.

Segundo Eduardo de Queiroz Monteiro, o evento ganhou grande dimensão e reuniu representantes de diferentes regiões e segmentos do setor sucroenergético, incluindo produtores do Centro-Sul, a Unica, a Copersucar, produtores do Nordeste e representantes do etanol de milho.

“O tema é muito palpitante porque é o etanol marítimo que a gente precisa realmente de demanda. A oferta está crescendo na frente da demanda. Eu estou muito feliz de estar aqui e ver a folha como um veículo desse debate e dessa discussão. Eu acho que esse é o papel de um órgão de comunicação”, explicou.

O presidente do Sindaçúcar-PE, Renato Cunha, mencionou que é necessário colocar em prática os diagnósticos que foram idealizados na COP30. O executivo falou sobre o Mapa do Caminho, que funciona como uma ponte de diagnósticos, metas de descarbonização, cooperação multilateral, taxonomia ambiental e financiamento sustentável, transformando os compromissos ambientais em projetos concretos e financiáveis. 

“O mapa do caminho que se fala hoje no mundo ambiental é a construção de uma coalizão de sustentabilidade ambiental que não se limita a uma relação bilateral, mas tem um caráter multilateral. Esse caminho deverá partir de diagnósticos técnicos que permitem identificar prioridades, metas e instrumentos para descarbonização, articulando políticas ambientais, energéticas e de comércio internacional.”

Transição Energética da Navegação

O destaque do Brasil no debate internacional a respeito do uso do etanol no setor marítimo foi o tema discutido no primeiro painel do dia, que tratou sobre a “Transição Energética da Navegação: Desafios e Oportunidades para o Etanol Brasileiro”.

A iniciativa surge como uma alternativa promissora e de rápida implementação para descarbonizar a navegação global, reduzindo a dependência do óleo bunker, considerado altamente poluidor.

A conversa foi comandada pelo vice-presidente da América Latina de Políticas Públicas e Regulatórias da Maersk, Danilo Veras. O fundador e presidente da Datagro Consultoría, Plínio Nastari, mediou o painel, que ainda contou com as presenças do presidente da Unica, Evandro Gussi; o presidente da Bioenergia Brasil e Siamig-MG, Mário Campos Filho; o presidente do Sindaçúcar-AL e vice-presidente da Coagro CNI, Pedro Robério; e o presidente do Sindaçúcar-PE e vice-presidente da Fiepe e da Bioenergia Brasil, Renato Cunha.

Na condução do painel, Veras avaliou positivamente a forma que o Brasil está atuando nesse debate e destacou o evento como uma oportunidade de compartilhar os aprendizados obtidos. 

“O Brasil tem tido uma posição de destaque no debate internacional do etanol no setor marítimo, por meio da atuação da equipe do Brasil na IMO (Organização Marítima Internacional), liderada tanto pela diplomacia brasileira quanto pelas forças armadas, em especial a Marinha. A gente veio aqui para compartilhar aquilo que a gente aprendeu até agora e também deixar espaço para continuar o aprendizado e estar próximo nesses debates”, disse.

Etanol e biometano

O avanço das possibilidades de uso no Brasil para etanol e o biometano foram o centro da discussão no segundo painel do evento.

Além da presença consolidada do etanol nos veículos, o combustível começa a avançar para outros modais, enquanto o biometano surge como alternativa para operações que ainda utilizam principalmente o diesel.

O painel “Versatilidade do Etanol e Biometano”, foi comandado pelo diretor de Relações Institucionais e Governamentais da Copersucar, Henrique Mendes de Araújo e mediado pelo presidente do SIFAEG (GO), André Rocha. A mesa contou ainda com a presença de Eduardo de Queiroz Monteiro, presidente do Grupo EQM e fundador da Folha de Pernambuco; o Almirante de Esquadra José Augusto Vieira da Cunha de Menezes, chefe do Estado-Maior da Armada (EMA), da Marinha do Brasil; Marlon Arraes, diretor do Departamento de Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia; e Mario Barbosa, gerente-geral de Vendas da Wärtsilä.

Araújo destacou a dimensão da cadeia sucroenergética brasileira e o potencial de aproveitamento da biomassa para geração de energia e produção de combustíveis. “O etanol e o biometano produzidos a partir da biomassa são grandes riquezas, eu diria. Uma já consolidada, que é o caso do etanol, principalmente no uso para veículos. E agora o biometano”, afirmou.

O executivo também avalia que a posição do Brasil como grande produtor de etanol cria uma oportunidade para o país ampliar sua participação no mercado internacional de energia.

“A gente vê o etanol agora também como um ativo estratégico, um ativo geopolítico estratégico para que o Brasil possa ser e contribuir com a energia no mundo”, avaliou.

Motores estacionários

O terceiro e último painel do evento de lançamento da quarta edição da Revista Folha Energia trouxe para o centro do debate um tema estratégico para a diversificação da matriz energética: “O mercado de motores estacionários com uso de etanol”. 

A discussão partiu do potencial do combustível, já amplamente utilizado no setor de transportes, para ampliar sua presença em outras aplicações, especialmente na geração de energia e no funcionamento de motores estacionários.

O painel contou com a palestra do diretor-técnico da Energética Suape II, José Faustino da Costa Cândido, e foi mediado pelo vice-presidente do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Jacyr Costa Filho. 

Durante a apresentação, José Faustino explicou o andamento da implantação da primeira termelétrica do mundo movida a etanol, no Porto de Suape. Denominada Projeto Etanol, a iniciativa é desenvolvida pela Suape Energia em parceria com a multinacional finlandesa Wärtsilä e prevê o uso do biocombustível na geração de energia elétrica em larga escala.

“O projeto está em fase de testes. Nós tivemos a finalização da montagem desse equipamento em junho, os finlandeses e o nosso pessoal fizeram todo o comissionamento e hoje ela já está rodando e gerando energia. Nós vamos passar quatro mil horas fazendo testes, confirmando a performance da máquina, e vendo principalmente a questão da injeção do combustível para confirmar que o etanol é viável sim para a geração de energia”, explicou o diretor. 

A quarta edição da Revista Folha Energia teve o patrocínio do Banco do Nordeste, Copersucar, Copergás, Fertine, Maersk e Suape Energia. O evento contou com o apoio da Prefeitura do Recife, da NovaBio, do Sindaçúcar-PE e do Sindaçúcar-AL.

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