Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Etanolduto entre Goiás e Mato Grosso do Sul deve reforçar corredor logístico do biocombustível

Fonte: canalbioenergia.com.br | Data: 25/08/2026 10:38:03

🔗 Ler matéria original

Um novo projeto de infraestrutura pretende mudar a forma como o etanol produzido no sudoeste de Goiás chega à malha ferroviária nacional. A Cerradinho Logística está estruturando um etanolduto de aproximadamente 37,5 quilômetros, ligando Chapadão do Céu (GO) a Chapadão do Sul (MS), onde está instalado o terminal da empresa conectado à Ferronorte.

A proposta é criar uma ligação direta entre a região produtora e o sistema ferroviário, permitindo o transporte contínuo do biocombustível e reduzindo a dependência do deslocamento por caminhões. Na prática, o etanolduto deverá funcionar como uma espécie de extensão da usina até a ferrovia, criando um corredor mais integrado para o escoamento da produção. A iniciativa ganha relevância diante da expansão da produção de etanol no Centro-Oeste e da necessidade de ampliar alternativas logísticas para um setor que movimenta grandes volumes de combustível. A Cerradinho já possui uma trajetória de integração entre produção e ferrovia. O grupo mantém uma estrutura de transbordo em Chapadão do Sul, utilizada para movimentar etanol com destino a outros mercados, inclusive São Paulo. A estrutura tem capacidade de transbordo de 1 bilhão de litros por ano.

Com o novo duto, a expectativa é reduzir etapas no transporte, diminuir a circulação de veículos pesados no trajeto rodoviário e aumentar a eficiência operacional. Além do ganho potencial em custos e segurança, a alternativa pode contribuir para reduzir emissões associadas ao transporte rodoviário do combustível.

Um corredor estratégico para o etanol
A localização do projeto é estratégica. Chapadão do Céu é um importante polo sucroenergético de Goiás, enquanto Chapadão do Sul funciona como ponto de conexão com a infraestrutura ferroviária utilizada para o transporte de combustíveis e outras cargas. A própria Cerradinho destaca historicamente a importância dessa proximidade com a ferrovia. A unidade industrial em Chapadão do Céu foi instalada a cerca de 40 quilômetros do terminal ferroviário de Chapadão do Sul, justamente com o objetivo de garantir acesso competitivo aos grandes mercados consumidores.

O projeto do etanolduto pode aprofundar essa integração. Em vez de depender exclusivamente de uma operação baseada em caminhões para levar o etanol até o terminal, a infraestrutura dutoviária cria a possibilidade de movimentação contínua entre a área produtora e a ferrovia. A Cerradinho Logística mantém sua estrutura em Chapadão do Sul, na região da MS-306, enquanto a CerradinhoBio está instalada em Chapadão do Céu, na GO-050.

Menos caminhões, mais eficiência
O principal ganho esperado está na eficiência logística. O transporte dutoviário permite movimentar grandes volumes de forma contínua, com menor exposição às condições do tráfego rodoviário.

Para o setor sucroenergético, essa característica é particularmente importante porque o custo logístico tem peso significativo na competitividade do produto. A conexão direta com a ferrovia também amplia as possibilidades de distribuição do etanol para mercados consumidores mais distantes. A infraestrutura ferroviária, por sua vez, permite que o combustível siga por longas distâncias com maior capacidade de carga. Historicamente, a Cerradinho utiliza essa integração para levar etanol até Paulínia (SP), um dos principais centros de distribuição de combustíveis do país.

Licenciamento acompanha dimensão interestadual
Por atravessar a divisa entre Goiás e Mato Grosso do Sul, o empreendimento envolve uma operação de infraestrutura interestadual. O licenciamento ambiental foi delegado ao órgão ambiental de Goiás, conforme a estrutura prevista para o projeto. A implantação também se insere em uma região onde a logística já é determinante para o desenvolvimento econômico. A GO-050, que liga Chapadão do Céu a Chapadão do Sul, é utilizada tanto para o escoamento de produção agrícola quanto para o transporte relacionado à atividade sucroenergética.

Infraestrutura acompanha expansão da bioenergia
O projeto chega em um momento em que o Centro-Oeste amplia sua participação na produção brasileira de biocombustíveis. Goiás vem fortalecendo sua posição na produção de etanol e na geração de energia a partir da biomassa, enquanto novas rotas logísticas se tornam necessárias para conectar as áreas produtoras aos grandes centros consumidores.

A própria CerradinhoBio iniciou a safra 2026/2027 destacando investimentos em eficiência, integração e expansão industrial. Nesse cenário, o etanolduto representa mais do que uma obra de transporte. É uma aposta na integração entre indústria, dutos e ferrovia, três elos capazes de reduzir gargalos e aumentar a competitividade do etanol produzido no Centro-Oeste. Se implantado conforme planejado, o projeto poderá transformar os 37,5 quilômetros entre Chapadão do Céu e Chapadão do Sul em uma rota estratégica para o biocombustível brasileiro — com menos dependência das rodovias e uma conexão mais eficiente com a malha ferroviária nacional.

Canal-Jornal da Bioenergia