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Alunas de escola pública de Goiana criam plataforma para facilitar agendamento de consultas no SUS

Fonte: folhape.com.br | Data: 25/08/2026 13:36:14

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Uma ideia para facilitar o agendamento de consultas e exames no Sistema Único de Saúde (SUS) surgiu de forma inesperada para duas adolescentes de uma escola municipal de Goiana, na Mata Norte de Pernambuco.

Incentivadas a olhar para um problema estrutural do município de outro jeito, Heloise Milena Barbosa Gonçalves e Lara Sophia Belarmino da Silva, ambas de 15 anos, começaram a pensar em uma possível solução para questões relacionadas à saúde pública da cidade.

Estudantes do 9º ano da Escola Municipal Irmã Marie Armelle Falguiéres, elas desenvolveram o Agenda Saúde, uma plataforma web criada para diminuir a espera por atendimentos na rede pública de saúde.

A ferramenta também abre espaço para que as unidades divulguem informações de interesse da população, como campanhas de vacinação e outros comunicados.

Surgimento da ideia
Parar para reparar nos problemas do cotidiano foi a etapa inicial para a criação do projeto. Em entrevista à Folha de Pernambuco, as estudantes afirmaram que a ideia partiu após um debate sobre a saúde da cidade.

“[A ideia] surgiu em um debate onde vimos os problemas que aconteciam em nossa cidade. Vimos que a espera nas unidades básicas de saúde era muito grande e muitas pessoas precisavam sair de casa cedo para conseguir um atendimento nas Unidades Básicas de Saúde”, disse Lara.

Heloíse e LaraHeloise Milena Barbosa Gonçalves e Lara Sophia Belarmino da Silva, de 15 anos, são as responsáveis pela plataforma Agenda Saúde. | Foto: Dulino/Divulgação

Trabalho em equipe
Apesar de estudarem no mesmo lugar, Heloise e Lara não se conheciam. As duas alunas fazem parte de turmas diferentes e se conheceram durante o desenvolvimento do projeto escolar.

Segundo Heloise, o trabalho em equipe foi a base para o sucesso da ferramenta.

“A gente se juntou e tentou resolver da melhor forma possível com muito trabalho em equipe e muito companheirismo”, disse.

Ao longo do processo, uma amizade também floresceu entre as meninas, de acordo com a estudante.

“Quando a gente começou a se juntar para resolver e para desenvolver essa plataforma foi muito legal porque a gente não trabalhou só na questão pensando para desenvolver a plataforma, a gente juntou ideias. No final não cresceu só uma plataforma, cresceu uma amizade entre a gente”, pontuou.

Da sala de aula para o posto de saúde
Inicialmente, a ideia seria exposta em um evento em São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife, o que não acabou se concretizando.

No entanto, tornou-se algo maior com a criação da plataforma e a entrada da fase piloto do projeto no Posto de Saúde do Barro Vermelho, em Goiana.

Após mais de dois meses de trabalho, a Agenda Saúde começou a ser apresentada aos profissionais e testada com um grupo de usuários.

“Ver o projeto ganhando vida no teste-piloto é uma sensação de alegria e gratidão por todo o esforço e dedicação”, comemorou Lara.

E para duas estudantes que ainda cursam o ensino fundamental, o caminho até uma aplicação web exigiu aprender uma linguagem que normalmente só aparece mais tarde na formação de quem decide seguir carreira em tecnologia.

A Agenda Saúde foi desenvolvida utilizando HTML, CSS, JavaScript e PHP. A inteligência artificial também entrou nesse processo, mas como uma ferramenta de apoio.

As estudantes recorreram à engenharia de prompt para auxiliar na construção e no aperfeiçoamento de trechos do código.

“As partes que a gente mais dedicou na questão de inteligência artificial e linguagem de robótica foram fáceis e difíceis ao mesmo tempo. Fáceis porque a gente tava trabalhando em equipe e difíceis porque foi a nossa primeira vez tendo contato com essa tecnologia. A gente aprendeu isso com os monitores e desenvolvemos sozinhas. Por isso que é uma honra para a gente ver o projeto pronto entrando em andamento, começando a fazer fase piloto e a ser utilizado por outras pessoas”, explicou Heloise.

Na prática, elas precisaram aprender não apenas a pedir respostas à IA, mas a formular comandos, os “prompts”, avaliar o que era apresentado, identificar problemas e fazer ajustes para que a aplicação funcionasse.

“No começo, algumas coisas pareciam muito difíceis, principalmente quando o código apresentava erro. Aos poucos, fomos entendendo melhor a programação e também como usar a inteligência artificial para nos ajudar, sem depender simplesmente da resposta que ela dava”, relatou Lara, que pretende trabalhar na área de tecnologia no futuro.

Os monitores educacionais Gabriela Santos e Jonathan Miranda, do Sistema de Ensino Dulino, acompanharam o processo de desenvolvimento do projeto e das meninas.

Entre pesquisas, testes, erros e ajustes, os dois orientaram as estudantes na construção da plataforma, estimulando o aprendizado da programação e a capacidade de encontrar soluções a partir dos desafios identificados por elas.

Para Gabriela, a transformação das estudantes durante o processo foi um dos pontos que mais chamou atenção.

“Estamos muito orgulhosos das meninas. A gente deixou elas muito independentes para fazer tudo e ver o quanto elas cresceram nesse processo e o quanto elas se desenvolveram, aprenderam e como conseguiram resolver os problemas que a gente trouxe para elas resolverem”, falou.

Primeiro teste fora da escola
Agora, o desafio é descobrir como a plataforma opera longe dos computadores da escola. A fase piloto começou no Posto de Saúde do Barro Vermelho com a apresentação do sistema aos profissionais da unidade e o levantamento das informações que poderão ser oferecidas à população.

A intenção é concentrar informações que hoje nem sempre chegam facilmente ao usuário.

“A gente já fez alguns agendamentos lá para testar mais o site. A gente conversou com os médicos, apresentamos a a plataforma para eles, para os recepcionistas e enfermeiros. Pegamos muitos feedbacks e coisas que a gente pode melhorar na plataforma, como coisas que eles não têm e que a gente poderia implementar no nosso para trabalhar junto com o que já existe”, afirmou Heloise.

Após os feedbacks, as adolescentes passam a trabalhar na realização de modificações e melhorias no funcionamento do Agenda Saúde.

Agenda Saúde está em fase de teste piloto em posto de saúde de Goiana, na Mata Norte de Pernambuco. | Foto: Dulino/Divulgação

Outros testes com o público serão feitos com pais de estudantes de uma turma da escola, que receberão orientações e um vídeo explicativo sobre o acesso e o funcionamento do Agenda Saúde.

A experiência deverá ajudar as estudantes a identificar dificuldades de navegação e pontos que ainda precisam ser aperfeiçoados.

A fase piloto também será decisiva para avaliar questões que ultrapassam a programação, como a integração da plataforma à rotina dos profissionais, a atualização das informações e as adaptações necessárias caso a ferramenta avance para outras unidades.

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