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Em meio a disputa familiar, herdeiro da Ray-Ban renuncia à presidência da marca

Fonte: investnews.com.br | Data: 25/08/2026 13:48:25

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“Estou deixando funções específicas, não a empresa em si — que faz parte da minha história muito antes de eu ocupar qualquer cargo oficial”, escreveu Leonardo Maria em uma publicação no Instagram na terça-feira. “A partir de setembro: LMDV Capital”, acrescentou, indicando que pretende se concentrar em seu family office.

Leonardo Maria criticou a administração da EssilorLuxottica, que mantém uma parceria com a Meta Platforms Inc. para desenvolver óculos inteligentes equipados com inteligência artificial. Ele apontou o que considera uma desconexão entre a alta direção da empresa e os funcionários.

“O entusiasmo não é mais o mesmo de antes”, afirmou em uma carta anunciando sua decisão, publicada pelo jornal MF. “O sentimento de pertencimento não é mais o mesmo. A distância é sentida. E as pessoas percebem isso antes dos mercados. Sempre.”

Leonardo Maria vai se dedicar a novos projetos empresariais, afirmou um porta-voz da companhia em comunicado na terça-feira, expressando “gratidão por sua contribuição para o crescimento do grupo e para a concretização da visão estratégica defendida por seu pai”.

A decisão surpreendente ocorre enquanto os herdeiros de Leonardo Del Vecchio, que fundou a EssilorLuxottica em 1961, tentam resolver questões relacionadas à fortuna da Ray-Ban, estimada em cerca de € 40 bilhões (US$ 47 bilhões). O patrimônio está em disputa desde a morte do fundador, em 2022, com seus herdeiros e alguns assessores administrando o império de óculos.

O testamento de Leonardo Del Vecchio tinha como objetivo manter a união entre seus herdeiros — seis filhos de três mães diferentes; sua viúva, Nicoletta Zampillo, de 68 anos; e Rocco Basilico, filho dela de um casamento anterior.

Cada um recebeu uma participação de 12,5% na Delfin, empresa de investimentos da família, mas nenhum deles ficou no comando. O principal assessor de Del Vecchio, Francesco Milleri, tornou-se presidente do conselho e CEO da EssilorLuxottica e também presidente da Delfin, enquanto Romolo Bardin permaneceu como CEO da holding familiar.

A exigência de quase unanimidade para decisões importantes criou um obstáculo para os membros da família, que estão divididos. Os assessores também divergiram em algumas ocasiões.

Na tentativa de acabar com o impasse, Leonardo Maria, o quarto dos seis filhos do magnata dos óculos, havia oferecido comprar as participações de dois irmãos, Luca e Paola, em um plano de € 10 bilhões (US$ 11,7 bilhões) que lhe daria uma fatia de 37,5% da empresa da família. A proposta, que tinha como objetivo abrir caminho para concluir a divisão do patrimônio de seu pai, foi aprovada em uma votação familiar em abril, mas acabou não avançando.

Leonardo Maria comunicou sua decisão de deixar os cargos, com efeito a partir de 31 de agosto, em uma carta enviada ao conselho de administração e ao CEO Milleri, informou o jornal italiano MF na terça-feira.

Ele continuará sendo acionista da EssilorLuxottica por meio de sua participação na Delfin, maior acionista da fabricante franco-italiana, com cerca de 32%.

“Continuo sendo acionista por meio da Delfin e continuo responsável por esta empresa a partir dessa posição”, afirmou Leonardo Maria em sua publicação no Instagram.

Além da gigante de óculos, a Delfin possui participações em algumas das principais instituições financeiras italianas, incluindo o Banca Monte dei Paschi di Siena SpA, a Assicurazioni Generali SpA e o UniCredit SpA.

Antes da terça-feira, as ações da EssilorLuxottica acumulavam queda de cerca de 40% no ano. O papel recuava 0,9% às 16h40 em Paris.

A saída de Leonardo Maria ocorre após a de seu meio-irmão Rocco Basilico, que ocupava o cargo de diretor de wearables e era responsável pela marca Oliver Peoples. Ele deixou a companhia no início deste ano. Os dois haviam divergido sobre os rumos da Delfin.

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