O RN entra no mapa da inteligência artificial
Fonte: tribunadonorte.com.br | Data: 26/08/2026 00:18:14
Redação Tribuna do Norte
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A decisão de instalar no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, em Macaíba, o novo supercomputador brasileiro dedicado à inteligência artificial é uma das mais importantes conquistas recentes do Rio Grande do Norte.
Pelo valor do investimento, superior a R$ 1 bilhão, mas sobretudo pelo que essa infraestrutura pode produzir ao seu redor, estamos diante de uma oportunidade de diversificação econômica que precisa ser compreendida e aproveitada desde agora.
Um supercomputador desta natureza não é simplesmente um computador muito maior. É uma infraestrutura científica e tecnológica capaz de executar, simultaneamente, trilhões e trilhões de cálculos complexos, processar volumes gigantescos de dados e, principalmente, treinar modelos avançados de inteligência artificial.
O projeto anunciado para Macaíba deverá alcançar até 7,2 exaflops em operações de precisão utilizadas em IA. Para dar uma dimensão do salto, o Governo Federal estima que um grande modelo de linguagem que levaria cerca de 11 anos para ser treinado no atual equipamento brasileiro de referência poderia ser processado em aproximadamente um mês na nova máquina.
O Rio Grande do Norte não chegou a essa escolha por acaso. O PAX dispõe de área e infraestrutura, está vinculado a um ambiente universitário de reconhecida qualidade, próximo à UFRN e a instituições científicas como o Instituto Santos Dumont, e integra um ecossistema que já reúne empresas, pesquisadores e centros de inovação.
A candidatura potiguar também apresentou uma vantagem cada vez mais decisiva para a economia digital: abundância de energia renovável. A própria disputa pela localização mostrou que disponibilidade, custo e origem da eletricidade tornaram-se fatores fundamentais para grandes infraestruturas computacionais.
Essa combinação pode abrir uma nova fronteira econômica para o Estado.
Temos condições de aproximar três vocações que até recentemente caminhavam separadas: geração de energia limpa, produção científica e economia digital. O supercomputador pode estimular pesquisa aplicada em saúde, neurociência, clima, recursos hídricos, agricultura, energia, petróleo e gás, materiais, defesa e inúmeras outras áreas. Pode também formar especialistas, gerar startups, atrair laboratórios privados, serviços de alta tecnologia e, progressivamente, outros centros de processamento e dados.
Esse é o ponto decisivo. O benefício não será medido pelo tamanho da máquina instalada em Macaíba, mas pelo ecossistema que conseguirmos construir em torno dela. Para isso, será necessário preparar desde já formação profissional, conectividade, infraestrutura elétrica, pesquisa aplicada, políticas de inovação e mecanismos para aproximar universidades e empresas.
Há ainda uma oportunidade particularmente potiguar. O mundo da inteligência artificial precisa cada vez mais de energia. A Agência Internacional de Energia estima que o consumo elétrico global dos data centers mais que dobrará até 2030, chegando próximo de 1.000 TWh anuais.
Quase metade do crescimento adicional deverá ser atendida por fontes renováveis. O RN, que durante décadas construiu sua posição de liderança na geração eólica e avançou fortemente na solar, pode transformar essa vantagem energética em vantagem tecnológica.
Durante muito tempo discutimos como agregar valor aos nossos recursos naturais antes de exportá-los. Agora surge uma possibilidade adicional: utilizar nossa energia aqui mesmo para produzir conhecimento, processamento, inteligência e serviços de alto valor agregado.
O anúncio do supercomputador é, portanto, um ponto de partida. Se soubermos construir em torno dele uma política estadual consistente de ciência, tecnologia, energia e desenvolvimento econômico, Macaíba poderá representar para a economia digital potiguar algo semelhante ao que a expansão eólica representou para a nossa economia energética.
O Rio Grande do Norte ganhou uma extraordinária oportunidade. A próxima tarefa é transformá-la em desenvolvimento.
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