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Taxonomia Sustentável começa a mudar a análise de projetos e investimentos

Fonte: sindsegsc.org.br | Data: 26/08/2026 01:17:28

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Em fase de testes em 2026, sistema estabelece critérios comuns para identificar atividades sustentáveis, orientar investimentos e reduzir o risco de greenwashing — prática conhecida como “lavagem verde”, que utiliza alegações enganosas de sustentabilidade para ocultar ou minimizar impactos ambientais.

A Taxonomia Sustentável Brasileira entrou em uma etapa importante em 2026. Bancos, gestoras de recursos e companhias abertas começaram a testar o sistema que pretende criar uma linguagem comum para identificar atividades econômicas com benefícios ambientais, climáticos e sociais.

Na prática, a Taxonomia funciona como uma espécie de régua. Ela ajuda investidores, empresas, instituições financeiras e seguradoras a entender se um projeto pode realmente ser considerado sustentável — e quais informações são necessárias para comprovar essa condição.

O sistema foi instituído oficialmente pelo Decreto nº 12.705/2025, como um dos instrumentos do Plano de Transformação Ecológica do Governo Federal.

O que é uma taxonomia sustentável?

Uma taxonomia sustentável é um sistema de classificação de atividades econômicas.

Ela estabelece critérios técnicos para verificar, por exemplo, se determinado projeto contribui para reduzir emissões de gases de efeito estufa, proteger recursos naturais, adaptar uma infraestrutura às mudanças climáticas ou gerar benefícios sociais.

A proposta é substituir descrições genéricas, como “verde”, “sustentável” ou “de baixo carbono”, por critérios que possam ser analisados e comparados.

Por que o Brasil criou esse sistema?

O mercado sustentável cresceu, mas nem sempre empresas e investidores utilizam os mesmos conceitos.

Um projeto pode ser apresentado como sustentável por uma instituição e não atender aos critérios usados por outra. Essa diferença dificulta comparações, aumenta os custos de análise e abre espaço para declarações ambientais sem comprovação suficiente.

A Taxonomia busca organizar esse processo. Entre seus objetivos estão:

  • direcionar investimentos para atividades com impactos ambientais e sociais positivos;
  • melhorar a qualidade das informações apresentadas ao mercado;
  • apoiar a transição para uma economia de baixo carbono;
  • facilitar a comparação entre projetos e empresas;
  • reduzir o risco de greenwashing.

A primeira edição da Taxonomia recebeu mais de 2,8 mil contribuições e passou por 14 audiências públicas e oficinas, segundo o Ministério da Fazenda.

Quem está testando a Taxonomia em 2026?

Em junho de 2026, o Comitê Interinstitucional da Taxonomia Sustentável Brasileira selecionou instituições para testar a aplicação dos critérios.

Participam oito bancos: Itaú, Bradesco, Santander Brasil, BTG Pactual, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Sicredi e Banco do Nordeste.

Também foram selecionadas quatro gestoras de recursos: Régia Capital, Pátria Investimentos, BTG Pactual e Vox Capital.

Companhias abertas de diferentes setores também participam dos testes, entre elas Sanepar, Engie Brasil, Telefônica Brasil, CSN, Gerdau, Natura, MRV, Suzano, Vale, B3 e Guararapes.

Os testes e treinamentos foram programados para ocorrer entre junho e agosto de 2026, com apoio de entidades como a Anbima.

Como a classificação funciona?

Para uma atividade ser considerada alinhada à Taxonomia, não basta atuar em um setor associado à sustentabilidade.

A empresa precisa demonstrar que a atividade contribui de forma relevante para pelo menos um dos objetivos ambientais ou sociais definidos pelo sistema.

Também deve comprovar que a iniciativa não causa danos significativos aos demais objetivos e que respeita garantias mínimas relacionadas a direitos humanos, condições de trabalho e boas práticas de governança.

Cada atividade pode ter indicadores, limites técnicos e documentos específicos para comprovar o atendimento aos critérios.

O que significa uma atividade ser “elegível”?

Esse é um ponto importante.

Uma atividade é considerada elegível quando aparece entre aquelas abrangidas pelos cadernos técnicos da Taxonomia. Isso significa apenas que ela pode ser avaliada pelo sistema.

Para ser considerada alinhada, a atividade ainda precisa comprovar que atende aos critérios técnicos estabelecidos.

Portanto, estar em um setor incluído na Taxonomia não transforma automaticamente uma empresa ou um projeto em sustentável.

Quais setores estão incluídos?

A primeira edição abrange atividades consideradas relevantes para a transformação da economia brasileira, como:

  • agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura;
  • indústrias extrativas e de transformação;
  • eletricidade e gás;
  • saneamento e gestão de resíduos;
  • construção e atividades imobiliárias;
  • transporte e armazenagem;
  • serviços sociais, educação, saúde e infraestrutura.

Os critérios completos estão disponíveis nos cadernos e atos normativos da Taxonomia.

O que muda para os projetos?

A principal mudança está na necessidade de apresentar evidências.

Um projeto que pretende captar recursos com uma proposta sustentável poderá ter de informar, por exemplo, suas emissões, consumo de água, uso de energia, impactos sobre a biodiversidade, condições de trabalho e medidas de adaptação climática.

Isso pode tornar a análise mais objetiva.

Os projetos que já possuem dados organizados, metas claras e indicadores verificáveis tendem a ter mais facilidade para demonstrar alinhamento. Já aqueles que usam apenas compromissos genéricos poderão enfrentar mais questionamentos.

Como a Taxonomia ajuda a combater o greenwashing?

Greenwashing ocorre quando uma organização apresenta um produto, projeto ou atividade como mais sustentável do que ele realmente é.

A Taxonomia pode reduzir esse risco ao exigir critérios comuns e informações que possam ser verificadas.

Em vez de aceitar apenas a afirmação de que um projeto é “verde”, investidores e instituições financeiras poderão perguntar:

  • Qual critério da Taxonomia foi atendido?
  • Quais indicadores comprovam o benefício?
  • A atividade causa danos relevantes em outra área?
  • Há documentos e dados que possam ser verificados?

A mudança não elimina completamente o risco de greenwashing, mas aumenta a possibilidade de identificar inconsistências.

A Taxonomia funciona como um selo?

Não. A Taxonomia não é, por si só, um selo ambiental ou uma certificação concedida pelo Governo Federal.

O alinhamento também não representa garantia de financiamento, aprovação de crédito, aceitação de seguro ou redução automática do prêmio.

O sistema oferece critérios para apoiar análises. Ele não substitui licenças ambientais, auditorias, avaliações financeiras, subscrição de riscos ou outras exigências regulatórias.

Da mesma forma, uma atividade que não esteja incluída no sistema não deve ser considerada automaticamente insustentável. Ela pode apenas estar fora do escopo atual da classificação.

Por que esse tema interessa ao mercado segurador?

O assunto afeta o setor de seguros por dois caminhos.

O primeiro está nos investimentos. Seguradoras, entidades de previdência e empresas de capitalização administram grandes volumes de recursos e precisam avaliar os riscos e as oportunidades dos ativos mantidos em suas carteiras.

O segundo está na subscrição. Informações ambientais, climáticas e sociais podem ajudar as seguradoras a compreender melhor determinados projetos, especialmente em áreas como infraestrutura, energia, agronegócio, transportes, construção e riscos ambientais.

Com dados mais organizados, pode ficar mais fácil comparar projetos e identificar pontos que precisam de análise adicional.

Setor administra cerca de R$ 2,7 trilhões em ativos

O mercado segurador brasileiro possui aproximadamente R$ 2,7 trilhões em ativos financeiros, segundo informações divulgadas pela Confederação Nacional das Seguradoras em agosto de 2026.

A receita do setor corresponde a cerca de 6% do Produto Interno Bruto brasileiro. Esses números ajudam a mostrar por que os critérios de sustentabilidade podem ter impacto sobre a política de investimentos das empresas.

A CNseg também passou a integrar, em 2026, o comitê consultivo da Taxonomia Sustentável Brasileira, ao lado de entidades como Anbima, Febraban e ABDE.

O que muda na análise de um seguro?

A Taxonomia pode servir como uma fonte adicional de informações, mas não determina sozinha se um risco será aceito.

Na análise de um projeto, a seguradora continuará considerando fatores como:

  • localização;
  • histórico de perdas;
  • qualidade da gestão;
  • medidas de prevenção;
  • exposição a eventos climáticos;
  • características técnicas da operação;
  • limites e condições de cobertura.

O enquadramento na Taxonomia pode ajudar a organizar informações ambientais e sociais, mas não substitui a análise técnica realizada pela seguradora.

Um projeto alinhado terá seguro mais barato?

Não necessariamente.

O preço do seguro depende da probabilidade e do tamanho das perdas, das coberturas contratadas, das medidas de prevenção, da experiência de sinistros e de outros fatores técnicos.

Uma atividade alinhada à Taxonomia pode apresentar boas práticas ambientais e, ao mesmo tempo, estar exposta a enchentes, incêndios, falhas operacionais ou outros riscos relevantes.

Por isso, o alinhamento sustentável não garante redução do prêmio. Como destacou a diretora de Sustentabilidade da CNseg, Glauce Carvalhal, o valor cobrado precisa manter correspondência com o risco para preservar o equilíbrio da proteção oferecida aos segurados.

Mercado já possui regras para produtos sustentáveis

Desde 2024, o setor conta com regras específicas para a classificação de planos de seguros e previdência como sustentáveis.

A Resolução CNSP nº 473/2024 estabelece requisitos para produtos que utilizam essa identificação.

Além disso, a CNseg lançou, em dezembro de 2025, uma taxonomia própria para o setor segurador. Essa referência técnica busca apoiar a identificação de produtos, práticas e iniciativas sustentáveis.

A taxonomia setorial, porém, não substitui as regras do Conselho Nacional de Seguros Privados ou da Susep e também não representa uma certificação oficial.

O que acontece depois dos testes?

A fase de testes permitirá identificar dificuldades práticas, falta de dados e pontos que precisam de ajustes.

Também deverá mostrar como empresas de diferentes tamanhos e setores conseguem aplicar os critérios.

A Comissão de Valores Mobiliários incluiu a Taxonomia Sustentável Brasileira entre as prioridades de sua Agenda Regulatória de 2026. Isso indica que o tema poderá avançar para regras de divulgação aplicáveis ao mercado de capitais.

A implementação será gradual. Por isso, ainda não existe uma obrigação única e geral para que todas as empresas, investidores e seguradoras utilizem a Taxonomia da mesma forma.

Uma nova linguagem para decisões sustentáveis

A Taxonomia Sustentável Brasileira não resolve sozinha os desafios ambientais e sociais do país.

Sua principal contribuição é criar uma linguagem comum. Com critérios mais claros, investidores, empresas, instituições financeiras e seguradoras podem fazer perguntas melhores, comparar projetos e exigir informações mais consistentes.

Para o mercado segurador, a ferramenta pode ajudar tanto na gestão dos investimentos quanto na compreensão dos riscos. Mas sua utilização deverá ser combinada com análise técnica, dados confiáveis e as normas já aplicáveis ao setor.

Perguntas e respostas

Por que a Taxonomia Sustentável Brasileira é importante?

A Taxonomia cria critérios comuns para identificar atividades com benefícios ambientais e sociais. Isso facilita a comparação entre projetos, melhora a qualidade das informações e ajuda empresas, investidores, bancos e seguradoras a tomar decisões mais seguras.

Como a Taxonomia pode reduzir o risco de greenwashing?

O sistema exige dados e evidências para comprovar que uma atividade está alinhada aos critérios de sustentabilidade. Assim, um projeto não poderá ser apresentado como sustentável apenas com base em declarações genéricas ou ações de divulgação.

Qual é a importância da Taxonomia para o mercado segurador?

A classificação pode oferecer informações mais organizadas sobre os aspectos ambientais, climáticos e sociais de empresas e projetos. Esses dados ajudam as seguradoras na avaliação de investimentos e riscos, mas não substituem a análise técnica necessária para definir coberturas, condições de contratação e preços.

Fonte: CNseg | Notícias do Seguro