Japão vai acabar com subsídio para compra de painéis solares convencionais
Fonte: portalmie.com | Data: 26/08/2026 02:13:17
O Ministério do Meio Ambiente do Japão decidiu encerrar o subsídio destinado à compra de painéis solares convencionais de silício dentro de programas federais de incentivo à instalação de sistemas de geração de energia solar.
A mudança deverá valer para novas instalações a partir do ano fiscal de 2027. Segundo o ministério, a decisão ocorre porque os preços dos painéis solares convencionais caíram significativamente nos últimos anos.
Isso não significa, porém, o fim de todo o apoio governamental à energia solar. Os custos de instalação e obras deverão continuar sendo subsidiados, em princípio, e projetos que já estão em andamento deverão continuar recebendo apoio.
Qual subsídio será encerrado
Atualmente, o Ministério do Meio Ambiente mantém programas para ampliar o uso de energia renovável, oferecendo apoio a empresas e outros responsáveis por projetos que instalam equipamentos solares, por exemplo, em estacionamentos e áreas agrícolas.
Esses programas podem cobrir parte ou valores fixos de despesas relacionadas à compra dos equipamentos, obras e mão de obra. A partir de 2027, a intenção é retirar desse sistema o apoio para a compra dos painéis convencionais de silício.
Durante uma consulta pública realizada pelo governo para revisar os subsídios, foram apresentadas diversas opiniões indicando que o benefício para a indústria japonesa gerado pelo apoio à compra desses painéis era limitado.
Isso ocorre porque mais de 80% do mercado mundial de painéis solares convencionais é dominado pela China, e grande parte dos equipamentos utilizados no Japão depende de importações.
Governo quer priorizar nova geração de painéis
Com a produção em grande escala no mercado internacional, o preço dos painéis solares convencionais caiu para aproximadamente metade do nível registrado no período de maior valorização.
Ao mesmo tempo, o governo japonês pretende direcionar mais recursos para as chamadas células solares de perovskita, tecnologia de nova geração considerada estratégica para a indústria nacional.
O Japão possui uma vantagem importante nesse setor porque é o segundo maior produtor mundial de iodo, uma das principais matérias-primas utilizadas na fabricação dessas células solares.
Para ampliar a adoção da tecnologia, o Ministério do Meio Ambiente deverá solicitar cerca de ¥28 bilhões no orçamento do ano fiscal de 2027 para despesas relacionadas ao setor.
O valor corresponde a aproximadamente quatro vezes os ¥7 bilhões previstos no orçamento de 2026.
Meta equivale à geração de 20 usinas nucleares
O governo estabeleceu como objetivo alcançar, até 2040, uma capacidade de geração de 20 gigawatts com células solares de perovskita.
Segundo a estratégia governamental, essa capacidade seria equivalente à geração de aproximadamente 20 reatores nucleares.
A revisão dos incentivos ocorre também em meio a problemas relacionados a grandes projetos de geração solar no Japão. Alguns empreendimentos vêm provocando conflitos envolvendo desenvolvimento de terrenos, impacto ambiental e riscos de desastres.
Com isso, o governo também pretende incentivar sistemas de energia renovável considerados mais compatíveis com as comunidades locais, reduzindo riscos de degradação ambiental e problemas relacionados a grandes instalações.
Fonte: YH
