SulAmérica propõe planos de saúde até 25% mais baratos com franquia e coparticipação
Fonte: brasil247.com | Data: 26/08/2026 05:19:00
247 – A criação de planos de saúde com preços até 25% menores, mediante adoção de franquias ou maior coparticipação dos beneficiários, pode ser um dos caminhos para ampliar o acesso à saúde suplementar no Brasil e enfrentar a pressão crescente dos custos assistenciais.
A proposta foi defendida por Raquel Reis, CEO da SulAmérica, segundo o Saúde Insider, em uma discussão sobre sustentabilidade, inovação e novos modelos para o setor.
A executiva considera que os elevados custos operacionais enfrentados pelas empresas exigem alternativas capazes de melhorar a sustentabilidade financeira sem comprometer a qualidade do atendimento aos pacientes.
Uma das possibilidades seria aproximar determinados produtos de saúde da lógica já conhecida pelos consumidores no mercado de seguros de automóveis: o beneficiário paga uma mensalidade menor e assume uma parcela previamente estabelecida do custo quando utiliza determinados serviços.
Segundo a proposta apresentada por Raquel Reis, produtos com franquias ou coparticipação poderiam proporcionar uma redução de até 25% no preço dos planos de saúde.
A ideia pressupõe uma participação maior do próprio beneficiário em determinados procedimentos, especialmente ambulatoriais. Essa parcela poderia ficar na faixa de 20% a 25%, ajudando a distribuir os custos e permitindo mensalidades mais acessíveis.
O modelo exigiria, porém, regras transparentes e uma comunicação clara para que o consumidor soubesse exatamente quanto pagaria e em quais circunstâncias.
Para Raquel Reis, a discussão passa também pela flexibilização das normas atuais, permitindo que as empresas desenvolvam produtos mais adaptados às diferentes necessidades da população.
Brasil tem enorme espaço para expansão
Atualmente, cerca de 26% da população brasileira possui planos de saúde.
Isso significa que existe um mercado potencial significativo para a expansão da saúde suplementar, desde que sejam desenvolvidos produtos financeiramente acessíveis e adequados às diferentes realidades econômicas e regionais do País.
A CEO da SulAmérica defende maior flexibilidade justamente porque as condições encontradas no Brasil não são uniformes. Custos, redes hospitalares, renda e disponibilidade de serviços variam significativamente entre regiões.
Produtos mais flexíveis poderiam contribuir para ampliar a base de beneficiários e permitir que novas parcelas da população tivessem acesso à saúde suplementar.
Beneficiário precisa entender como funciona o sistema
Outro ponto considerado fundamental é a educação do consumidor.
Raquel Reis defende uma comunicação mais simples sobre o funcionamento do seguro de saúde, inclusive explicando o princípio do mutualismo, pelo qual os recursos pagos pelo conjunto dos beneficiários financiam os tratamentos daqueles que precisam utilizar o sistema em determinado momento.
O objetivo é aumentar a consciência sobre os custos envolvidos e estimular o uso responsável dos serviços.
Nesse contexto, coparticipações e franquias também poderiam funcionar como instrumentos para aproximar o beneficiário das decisões relacionadas à utilização do sistema, desde que estruturadas de maneira que não dificultem o acesso aos cuidados necessários.
Medicamentos milionários desafiam sustentabilidade
A rápida evolução da medicina acrescenta outra dimensão ao problema.
Novas tecnologias, terapias avançadas e medicamentos inovadores oferecem possibilidades de tratamento antes inexistentes, mas alguns produtos podem alcançar custos de milhões de reais por dose.
A incorporação dessas tecnologias exige, portanto, critérios responsáveis para conciliar inovação, acesso dos pacientes e sustentabilidade econômica.
Para a SulAmérica, esse desafio não pode ser enfrentado isoladamente pelas operadoras.
Operadoras, prestadores de serviços, profissionais de saúde, indústria farmacêutica e beneficiários precisam participar da construção de soluções capazes de preservar o equilíbrio do sistema.
SulAmérica amplia presença fora do eixo Rio-São Paulo
A SulAmérica também vem buscando ampliar sua capilaridade nacional.
Segundo o Saúde Insider, a empresa tem expandido sua cobertura especialmente para além do eixo Rio-São Paulo, em uma estratégia destinada a aumentar sua presença em diferentes regiões brasileiras.
A expansão está alinhada à percepção de que existe espaço para ampliar significativamente o número de brasileiros atendidos pela saúde suplementar.
Para isso, entretanto, a companhia considera necessária uma oferta mais diversificada de produtos, adaptada às características econômicas e assistenciais de cada mercado.
Verticalização não é prioridade
Raquel Reis também indica que a verticalização não é uma prioridade para a SulAmérica.
Nesse modelo, operadoras passam a controlar diretamente hospitais, clínicas e outros prestadores de serviços, integrando diferentes etapas da cadeia de atendimento.
A companhia prefere preservar a liberdade de escolha do beneficiário e trabalhar com uma rede mais ampla de prestadores, mantendo maior autonomia para o usuário.
Sustentabilidade exige novo pacto
A discussão levantada pela SulAmérica expõe um dos principais dilemas da saúde suplementar brasileira: como incorporar novas tecnologias e tratamentos cada vez mais sofisticados sem tornar os planos inacessíveis para parcelas crescentes da população.
Para Raquel Reis, a resposta passa por maior envolvimento de todos os participantes do sistema, flexibilização regulatória, educação dos beneficiários e desenvolvimento de novos produtos.
A possibilidade de oferecer planos até 25% mais baratos em troca de franquias ou coparticipações surge nesse contexto como uma alternativa para ampliar o acesso.
Com apenas cerca de um quarto dos brasileiros atualmente coberto pela saúde suplementar, o desafio é encontrar um equilíbrio capaz de simultaneamente reduzir o preço de entrada, preservar a qualidade assistencial, garantir liberdade de escolha e assegurar a sustentabilidade econômica do sistema.
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