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ACM Neto lucrou R$ 4 milhões com fundo ligado a consignados do Banco Master, aponta delação

Fonte: brasil247.com | Data: 26/08/2026 10:42:10

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247 – A proposta de delação premiada apresentada à Procuradoria-Geral da República (PGR) por João Carlos Mansur, ex-controlador da Reag Investimentos, aponta uma nova frente da relação financeira de ACM Neto (União Brasil) com o Banco Master. Além de ter recebido pagamentos por serviços de consultoria, o candidato ao governo da Bahia manteve investimentos em ativos ligados à instituição financeira e obteve ganhos milionários por meio de um fundo exclusivo. As informações foram reveladas pela jornalista Natália Portinari, em sua coluna no UOL. 

Segundo os dados apresentados, ACM Neto era o único cotista do fundo Seattle 95, administrado pela Reag até 2025. O veículo de investimento direcionou cerca de R$ 4,8 milhões ao fundo Structure, lastreado em empréstimos consignados originados pelo Banco Master.

Ao todo, ACM Neto fez dez aportes no Seattle 95, somando R$ 7,92 milhões. Em outubro de 2025, o patrimônio do fundo havia alcançado R$ 11,94 milhões. A diferença corresponde a um ganho de aproximadamente R$ 4,01 milhões, com rentabilidade média de 17% ao ano.

Os dados da delação ampliam as informações já conhecidas sobre os negócios de ACM Neto com empresas ligadas ao caso Master. Até então, havia sido revelado que a A&M Consultoria, empresa do político baiano, recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da Reag entre o fim de 2022 e maio de 2024. Os pagamentos constam de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

As novas informações indicam, portanto, que ACM Neto mantinha simultaneamente duas modalidades de relação financeira com o grupo: enquanto sua empresa prestava serviços e recebia pagamentos, ele também investia recursos em produtos relacionados ao Master por meio de um fundo administrado pela Reag.

Fundo concentrou recursos em ativos ligados ao Master

A concentração dos investimentos é outro ponto destacado pelas informações reveladas. O Seattle 95 chegou a manter 98,6% de seu patrimônio em papéis relacionados ao Banco Master. Entre eles estava o investimento no Structure, vinculado a uma carteira de empréstimos consignados originada pela instituição financeira.

As aplicações do fundo de ACM Neto no Structure continuaram até julho de 2025. A relação entre os investimentos, a origem dos recursos e a rentabilidade obtida poderá ser objeto de investigação para determinar se as operações seguiram condições normais de mercado ou se houve algum benefício relacionado às práticas investigadas envolvendo o Master e a Reag.

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. Seu controlador, Daniel Vorcaro, acabou preso sob acusação de lavagem de dinheiro.

A Reag, responsável pela administração do fundo exclusivo de ACM Neto, também teve sua liquidação decretada pelo Banco Central, em janeiro de 2026, sob alegação de graves violações às normas que regem o sistema financeiro.

Antes da liquidação, a gestora havia entrado na mira de duas investigações. Na Operação Carbono Oculto, autoridades apuraram suspeitas de utilização de fundos administrados pela companhia em esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao crime organizado. A empresa também apareceu na Operação Compliance Zero, relacionada às suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master.

Patrimônio declarado ao TSE mais que dobrou

As revelações surgem após a divulgação, em julho, da evolução patrimonial de ACM Neto. O candidato declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) patrimônio de R$ 85 milhões, valor superior ao dobro daquele informado à Justiça Eleitoral em 2022.

Entre os ativos declarados estão cerca de R$ 9 milhões aplicados em fundos da Planner. A corretora também é investigada pela Polícia Federal sob suspeita de ter sido utilizada como fachada em operações irregulares relacionadas ao Banco Master.

A proposta de delação de João Carlos Mansur acrescenta agora o fundo Seattle 95 ao conjunto de relações financeiras de ACM Neto com empresas e ativos associados ao caso Master. Os documentos indicam que o político, além dos R$ 3,6 milhões recebidos por sua consultoria, investiu milhões de reais em um fundo fortemente concentrado em ativos vinculados ao banco e registrou aproximadamente R$ 4 milhões em ganhos.

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