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Após denúncias, Vitória instala câmeras para combater abandono de gatos no Parque Pedra da Cebola

Fonte: colinanoticias.com.br | Data: 26/08/2026 11:37:33

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Medida foi anunciada após vídeos nas redes sociais levantarem suspeitas de maus-tratos, abandono de gatos e morte de gansos no parque

A Prefeitura de Vitória anunciou a instalação de câmeras de monitoramento no Parque Pedra da Cebola após denúncias de abandono de gatos e relatos de maus-tratos aos animais que vivem no local. Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmam), a licitação para contratação dos equipamentos já foi realizada e a instalação foi solicitada.

As reclamações ganharam repercussão nas redes sociais após a publicação de vídeos com relatos de supostos maus-tratos, abandono de gatos e a morte de dois gansos no parque.

Uma organização que atua na proteção dos gatos que vivem no local afirma que a falta de câmeras é um problema antigo e dificulta a identificação de pessoas que abandonam animais na área. Segundo Ilka Westermeyer, responsável pela ONG Gatinhos Pedra da Cebola, os equipamentos também podem ajudar a monitorar outras situações denunciadas no parque.

Há muito tempo a gente luta contra os abandonos, principalmente na parte do estacionamento. A instalação de câmeras é um pedido antigo e ajudaria não só a evitar os abandonos, mas também a monitorar outras situações que acontecem no parque. A gente já encontrou sinais de consumo de drogas e práticas sexuais.Ilka Westermeyer, responsável pela ONG Gatinhos Pedra da Cebola

Segundo Ilka, os abandonos acontecem principalmente na região do estacionamento, onde seria fácil deixar os animais e sair do local. Ela estima que cerca de 130 gatos vivam atualmente no parque e que essa população já chegou a ultrapassar 200 animais antes do trabalho de castração e adoção realizado por voluntários em parceria com a Prefeitura de Vitória.

Ilka afirma ainda que aproximadamente 80 gatos foram abandonados no parque em 2025 e outros 65 até agosto deste ano. O grupo atua desde 2018 na captura e castração dos animais, além de encaminhá-los para adoção e manter pontos de alimentação no parque.

Gatos vivem no parque há 14 anos

A Semmam informou que a presença de gatos no parque é registrada desde 2012 e confirmou que a formação da colônia está principalmente relacionada a casos de abandono. A secretaria também esclareceu que a prefeitura não possui uma equipe contratada especificamente para cuidar dos gatos, embora voluntários e organizações de proteção animal possam atuar no local.

Outro ponto citado nos vídeos é uma suposta proibição para que vigilantes alimentem os animais. Ilka confirmou que alguns funcionários terceirizados ajudavam voluntários com a distribuição de ração e água e que, recentemente, integrantes do grupo foram informados de que esses trabalhadores não fariam mais esse tipo de atividade.

Outro ponto citado nos vídeos é uma suposta proibição para que vigilantes alimentem os animais. Ilka confirmou que alguns funcionários terceirizados ajudavam voluntários com a distribuição de ração e água e que, recentemente, integrantes do grupo foram informados de que esses trabalhadores não fariam mais esse tipo de atividade.

“Alguns vigilantes gostaram do nosso trabalho e pegaram amor pelos gatos. Então a gente deixava sacos de ração e eles sempre, antes de ir embora à noite, colocavam nos potes de comida”, contou.

De acordo com a Semmam, porém, não houve determinação da prefeitura ou da administração do parque proibindo voluntários de alimentar os gatos. A secretaria afirma que os serviços de vigilância, limpeza e jardinagem são realizados por empresas terceirizadas e que os trabalhadores têm atribuições específicas previstas em contrato.

Não houve qualquer mudança de conduta, norma ou determinação da gestão municipal ou da administração do parque que impeça voluntários e organizações de proteção animal de alimentar os gatos.Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmam), por nota

Segundo a secretaria, a atuação dos voluntários continua permitida, desde que sejam respeitadas as normas de funcionamento, segurança e preservação do parque. A pasta também afirma que os funcionários terceirizados não têm entre suas obrigações contratuais alimentar gatos, higienizar recipientes ou repor água e ração.

Segundo a Semmam, uma eventual orientação das empresas para que os funcionários cumpram apenas as funções previstas em contrato não significa uma proibição municipal para que voluntários alimentem os animais.

A representante da ONG diz que a mudança dificultou o trabalho dos voluntários, que passaram a precisar organizar a alimentação dos gatos sem a ajuda dos funcionários que colaboravam com a distribuição de ração e água. Segundo ela, isso também pode aumentar os custos e a necessidade de voluntários.

“Agora nós não sabemos como vamos viabilizar a alimentação diariamente. Isso vai gerar muito mais trabalho e custo para nós. A ONG tem poucos voluntários, e são muitos animais para alimentar”, afirmou Ilka.

Prefeitura vai se reunir com voluntários

A prefeitura informou que o secretário municipal de Meio Ambiente, André Có, vai se reunir na próxima semana com representantes do voluntariado que atua no parque. A reunião deverá servir para ouvir as demandas, esclarecer as informações e avaliar alternativas para organizar os cuidados com a colônia de gatos.

A Semmam também afirma que a castração dos animais é realizada com apoio do programa Bem-Estar Animal. Ilka relatou que o grupo já realizou centenas de castrações ao longo dos anos e que, atualmente, utiliza o programa municipal para encaminhar os gatos abandonados para o procedimento.

“Para os novos animais abandonados, a gente realmente faz um cadastro pelo Bem-Estar Animal, e aí eles liberam uma guia e eu consigo levar no veterinário pra castrar sem custos. Isso tem funcionando bem agora”, explicou.

Gansos morreram em uma briga por fêmeas, diz prefeitura

Os vídeos que circulam nas redes sociais também relacionam a morte de dois gansos às condições do lago do parque, que estaria com excesso de lama. A prefeitura nega que as mortes tenham relação com a lama ou com a limpeza do lago.

Segundo a Semmam, os dois animais ficaram feridos durante uma disputa por fêmeas. Um deles foi resgatado e levado para tratamento por meio do serviço contratado pelo município, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos

“Até o momento, não foram identificados elementos que relacionem a morte do animal à presença de lama ou às condições de limpeza do lago”, informou a secretaria.

A prefeitura explicou ainda que a limpeza dos lagos estava prevista anteriormente, mas precisou ser adiada por causa das chuvas, que provocaram aumento do volume de água e encharcamento do solo. A intervenção foi reprogramada para a manhã de segunda-feira (24), quando o parque ficou fechado ao público.

Com cerca de 100 mil metros quadrados, o Parque Pedra da Cebola recebe aproximadamente 3 mil visitantes por semana, segundo a prefeitura. O espaço conta com serviços de limpeza, conservação, manutenção dos lagos, trilhas e equipamentos, além do acompanhamento da fauna.

A instalação das câmeras, segundo a Semmam, deverá ampliar a segurança e o monitoramento do parque. Para a ONG que acompanha os gatos, a expectativa é que os equipamentos também ajudem a combater os abandonos.

Fonte: Folha Vitória