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O artigo “Os invisíveis” aborda a trágica realidade da violência e vulnerabilidade infantil no Rio Grande do Sul, citando os recentes óbitos das crianças Oliver e Samylle. O texto critica a rede de proteção social, destacando que, embora a sociedade acompanhe os desdobramentos desses casos, há pouca cobrança efetiva por melhorias nos órgãos de assistência, como os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) e os Conselhos Tutelares.

Um ponto central da reflexão é a disparidade entre o tamanho da população e a estrutura de atendimento disponível. Tomando como exemplo o município de Viamão, que possui uma população estimada pelo IBGE em aproximadamente 231 mil habitantes, o autor aponta que, pelos parâmetros do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), a cidade deveria contar com pelo menos dois CREAS, mas opera com apenas um. Essa limitação estrutural faz com que o alcance potencial do atendimento chegue a apenas 0,07% das famílias vulneráveis da região.

O juiz Mario Gonçalves Pereira conclui que é necessário robustecer as políticas de assistência social e confrontar o poder público sobre a falta de meios para proteger crianças sujeitas a violações de direitos. Em vez de apenas endurecer penas, o foco deveria estar na ampliação da rede protetiva para identificar e acolher crianças em ambientes não protetivos antes que novas tragédias ocorram, garantindo que elas não permaneçam “invisíveis” ao sistema.