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Conta de luz fica mais barata e ajuda a derrubar inflação; veja o que muda no bolso

Fonte: gmconline.com.br | Data: 26/08/2026 16:06:49

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Foto: Freepik | Imagem ilustrativa

A conta de luz ficou mais barata em agosto e ajudou a provocar uma das maiores quedas recentes nos preços no Brasil. O IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial, registrou deflação de 0,40% no mês, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado chama atenção porque representa uma queda de 0,46 ponto percentual em relação ao índice de julho, que havia registrado alta de 0,06%. Foi também a maior deflação para um mês de agosto desde 2022. Em 12 meses, o IPCA-15 acumula alta de 4,24%.

Mas afinal, por que a conta de luz ficou mais barata?

Bônus de Itaipu ajudou a reduzir a conta de luz

O principal motivo está no chamado Bônus de Itaipu, crédito que foi aplicado nas faturas de energia emitidas durante o mês de agosto.

Segundo o IBGE, a energia elétrica residencial registrou queda de 6,25% e, sozinha, retirou 0,26 ponto percentual do resultado do IPCA-15. Com isso, o grupo Habitação apresentou queda de 1,41% no mês.

O bônus representa a devolução aos consumidores de parte do saldo positivo relacionado à comercialização da energia produzida pela Usina Hidrelétrica de Itaipu.

Para 2026, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou cerca de R$ 872 milhões em créditos para as contas de luz. O benefício alcançou aproximadamente 83,8 milhões de unidades consumidoras residenciais e rurais que se enquadraram nos critérios estabelecidos.

O desconto foi aplicado nas faturas emitidas entre 1º e 31 de agosto para consumidores elegíveis.

Quanto o consumidor pode receber de desconto?

O valor do bônus varia de acordo com o consumo de cada unidade. Segundo informações divulgadas sobre o benefício, o crédito pode chegar a aproximadamente R$ 31,38 para os consumidores que atendem aos critérios.

Para ter direito ao bônus, o consumidor residencial ou rural precisava ter registrado consumo mensal inferior a 350 kWh em pelo menos um mês de 2025.

Isso significa que o consumidor deve conferir a própria fatura de agosto para identificar se o crédito foi aplicado.

Conta de luz mais barata vai continuar?

Apesar da boa notícia para o bolso, o efeito do bônus sobre a inflação é pontual.

Como o crédito foi concentrado nas faturas emitidas em agosto, o impacto que ajudou a derrubar o IPCA-15 não deve se repetir da mesma maneira nos próximos meses. Ou seja, a queda registrada agora não significa necessariamente que as contas de luz continuarão caindo na mesma proporção.

Além disso, a bandeira tarifária amarela permaneceu em vigor em agosto, acrescentando cobrança adicional sobre o consumo de energia.

Por isso, o consumidor pode ter percebido uma redução na fatura mesmo com a existência de uma cobrança adicional relacionada à bandeira.

Não foi só a energia que ajudou a derrubar os preços

A conta de luz foi o principal destaque, mas outros gastos também contribuíram para a deflação.

O grupo Transportes caiu 1%, com destaque para a redução de 13,30% nas passagens aéreas e de 1,43% nos combustíveis. Entre os combustíveis, o etanol recuou 3,63%, a gasolina caiu 1,23% e o diesel teve redução de 0,71%.

No supermercado, o grupo Alimentação e bebidas apresentou queda de 0,57%. Entre os produtos que ficaram mais baratos estão o tomate, com redução de 27,38%, a batata-inglesa, que caiu 25,14%, e a cenoura, com recuo de 17,05%.

O café moído também ficou mais barato, com queda de 2,31% no período.

Curitiba registra uma das maiores quedas

Entre as áreas pesquisadas pelo IBGE, Curitiba registrou deflação de 0,82%, uma das maiores quedas do país no período. O índice da capital paranaense ficou atrás apenas de algumas das maiores retrações registradas entre as regiões pesquisadas.

O resultado mostra como a redução da energia e de outros preços teve impacto importante no comportamento da inflação na região.

O que isso significa para o consumidor?

Na prática, o resultado de agosto representa um alívio temporário para o bolso. A conta de luz recebeu um crédito que ajudou a reduzir a despesa das famílias, enquanto alimentos, combustíveis e passagens aéreas também apresentaram quedas.

Mas é importante não interpretar a deflação como uma redução generalizada de todos os preços. Alguns produtos e serviços ficaram mais caros no período. Educação, saúde e cuidados pessoais e despesas pessoais, por exemplo, registraram altas.

O IPCA-15 acumula alta de 3,09% em 2026 e de 4,24% nos 12 meses encerrados em agosto.

Para o consumidor, a principal dica é simples: vale conferir a conta de luz de agosto e procurar pelo crédito do Bônus de Itaipu, além de observar os preços dos produtos que tiveram quedas significativas no período.