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Barragens no Espírito Santo: condições e riscos em 2026

Fonte: capixabadagema.com.br | Data: 26/08/2026 18:48:08

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O Espírito Santo possui 810 barragens cadastradas no Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB), espalhadas por dezenas de municípios e utilizadas para abastecimento humano, irrigação, geração de energia, regularização de vazões, criação de animais e outras finalidades. Os números mais recentes mostram, porém, que o desafio capixaba não está apenas nas grandes represas: centenas de pequenos barramentos rurais também precisam de manutenção, documentação e acompanhamento técnico.

O Relatório de Segurança de Barragens 2026, elaborado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) com dados consolidados de 2025, coloca cinco estruturas localizadas no Espírito Santo entre as barragens consideradas prioritárias para a gestão da segurança no Brasil. Isso significa que elas exigem atenção reforçada dos responsáveis e fiscalizadores, mas não permite afirmar, por si só, que estejam prestes a romper.

Ao mesmo tempo, o levantamento da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh) revela problemas recorrentes nas estruturas que ficaram sob sua fiscalização: falta de responsável técnico, ausência de inspeções regulares, vegetação sobre o barramento, deficiência em sistemas de extravasamento e documentação incompleta estão entre os principais pontos identificados.

810
barragens cadastradas no Espírito Santo no levantamento nacional

73
estruturas vistoriadas diretamente pela Agerh em 2025

5
barragens capixabas entre as prioridades nacionais de gestão

76,9%
das barragens vistoriadas pela Agerh tiveram CRI alto

Atenção ao interpretar os números

Os 76,9% se referem somente às estruturas fiscalizadas pela Agerh em 2025. O percentual não significa que 76,9% das 810 barragens existentes no cadastro nacional estejam em alto risco. Também é incorreto tratar Categoria de Risco alta como sinônimo de rompimento iminente.

Veja o índice completo desta matéria
Barragem do Rio Bonito em Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo
Barragem do Rio Bonito, em Santa Maria de Jetibá. A estrutura integra o sistema de geração hidrelétrica do Espírito Santo. Arquivo Capixaba da Gema.

Quantas barragens existem no Espírito Santo?

O panorama mais amplo disponível aponta 810 barragens cadastradas no Espírito Santo no Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens.

Esse número é maior do que o encontrado no cadastro estadual mantido diretamente pela Agerh. No relatório referente a 2025, a agência capixaba informava 444 barragens cadastradas desde a implantação de seu sistema, em 2018, com 27 novos registros realizados somente naquele ano.

Os números não são necessariamente contraditórios.

O SNISB reúne estruturas fiscalizadas por diferentes órgãos e destinadas a atividades distintas. Entram nessa base barragens de acumulação de água, estruturas vinculadas à geração hidrelétrica, barragens relacionadas à mineração e outros empreendimentos submetidos a fiscalizadores específicos.

Já o cadastro apresentado pela Agerh está relacionado ao universo submetido à competência estadual da própria agência, especialmente barragens destinadas à acumulação de água para irrigação e usos múltiplos.

Por que existem números diferentes?

Quando se fala em “todas as barragens do Espírito Santo”, é necessário combinar diferentes bases. O SNISB funciona como o cadastro nacional mais abrangente, enquanto Agerh, ANEEL e ANM fiscalizam universos diferentes de estruturas.

Não existe atualmente um único relatório público que apresente uma vistoria recente e detalhada, estrutura por estrutura, para todas as 810 barragens no mesmo momento.

O SNISB é uma base dinâmica. Informações podem mudar após novas inspeções, reformas, cadastramentos, alterações no responsável ou atualização das classificações.

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O que significa dizer que uma barragem tem risco alto?

Antes de analisar a condição das barragens capixabas, é fundamental separar dois conceitos frequentemente confundidos: Categoria de Risco (CRI) e Dano Potencial Associado (DPA).

CRI
Avalia fatores ligados à estrutura, conservação, operação e gestão da barragem.

DPA
Avalia as consequências que poderiam ocorrer em um acidente hipotético.

A Categoria de Risco considera características da própria estrutura que podem influenciar a probabilidade de um problema. Entram nessa análise aspectos como projeto, métodos construtivos, idade, estado de conservação, operação, manutenção e cumprimento das obrigações do Plano de Segurança da Barragem.

Uma barragem classificada com CRI alto merece maior atenção e pode apresentar deficiências de conservação, gerenciamento ou documentação. Mas essa classificação isoladamente não significa que a estrutura esteja prestes a romper.

O Dano Potencial Associado responde a outra pergunta: quais seriam as consequências se um acidente acontecesse?

São considerados fatores como presença de população a jusante, possíveis perdas de vidas humanas e impactos sociais, econômicos, ambientais e sobre infraestrutura.

Exemplo prático

Uma barragem pode apresentar CRI baixo e DPA alto. Isso significa que sua condição estrutural recebe avaliação mais favorável, mas um eventual acidente ainda poderia atingir pessoas, estradas, imóveis ou outras estruturas existentes abaixo do reservatório.

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Agerh vistoriou 73 barragens no Espírito Santo em 2025

O retrato técnico mais detalhado sobre barragens de acumulação de água fiscalizadas pelo Estado aparece no Relatório Estadual de Segurança de Barragens de 2025.

A Agerh havia programado inicialmente a fiscalização de 45 barramentos, e todas essas inspeções foram realizadas.

Durante o ano, outras 28 barragens construídas pelo Governo do Espírito Santo foram incluídas no trabalho de campo, elevando o total para 73 estruturas vistoriadas.

A agência empregou drones para ampliar a observação dos reservatórios, do maciço, das áreas localizadas a jusante e das respectivas bacias de drenagem.

A equipe também recebeu treinamento para ampliar o uso de ferramentas de modelagem de ruptura hipotética, capazes de estimar possíveis áreas atingidas e melhorar a classificação do Dano Potencial Associado.

Um dado importante

Segundo a Agerh, nenhuma das 73 estruturas vistoriadas sofreu rompimento decorrente dos eventos de chuva intensa registrados no período analisado.

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76,9% tiveram Categoria de Risco alta — mas o número exige contexto

O dado que mais chama atenção no levantamento estadual é que aproximadamente 76,9% das barragens vistoriadas pela Agerh em 2025 foram enquadradas na Categoria de Risco alta.

Esse percentual não representa todas as 810 estruturas existentes no cadastro nacional.

A amostra analisada pela Agerh é formada pelas estruturas que entraram no programa de fiscalização daquele período. A seleção pode considerar planejamento interno, demandas de outros órgãos, denúncias, solicitações da Defesa Civil e outras situações que justificam maior acompanhamento.

O que seria errado publicar

“76,9% das barragens do Espírito Santo têm alto risco de rompimento.”

O que os dados realmente mostram

76,9% das 73 barragens vistoriadas pela Agerh em 2025 receberam classificação CRI alta segundo a metodologia utilizada pelo órgão.

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Vegetação, falta de extravasor e ausência de responsável técnico preocupam

Mais importante do que repetir uma porcentagem é compreender por que tantas estruturas avaliadas receberam classificação elevada.

Grande parte dos barramentos fiscalizados é formada por pequenas estruturas de terra homogênea, muitas delas localizadas em propriedades rurais e utilizadas principalmente para irrigação.

Entre os problemas encontrados estão presença de vegetação de grande porte sobre o barramento e ausência ou inadequação das estruturas de extravasamento.

O extravasor é fundamental para permitir que o excesso de água deixe o reservatório de forma controlada, reduzindo a possibilidade de a água ultrapassar áreas não projetadas para essa finalidade.

A Agerh também informou que grande parte das estruturas vistoriadas não possuía responsável técnico pela segurança e não apresentava as inspeções regulares previstas na legislação.

Em algumas propriedades, as barragens são antigas e foram construídas há décadas. Há casos em que o proprietário original mudou, o uso da área se transformou ou o barramento deixou de receber acompanhamento adequado.

Isso mostra por que o debate sobre segurança não deve ficar concentrado apenas nas grandes represas conhecidas pelo público. Uma pequena barragem rural também exige projeto, conservação e manutenção.

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24 proprietários foram chamados para regularizar barragens

Das 73 estruturas visitadas em 2025, 47 já constavam no Cadastro Estadual de Segurança de Barragens.

Depois das inspeções, a Agerh solicitou a regularização de outras 24 estruturas. Na data de fechamento do levantamento, 11 responsáveis já haviam atendido à solicitação.

Outro indicador importante envolve os Planos de Segurança de Barragem.

Desde o início do processo de fiscalização, apenas 22 planos haviam sido apresentados à Agerh, sendo somente três protocolados durante 2025.

O Plano de Segurança reúne dados técnicos, regras de operação, procedimentos de inspeção e monitoramento e, quando exigido, informações relacionadas ao Plano de Ação de Emergência.

Quem é responsável pela segurança?

A responsabilidade primária é do empreendedor ou proprietário da barragem. Cabe a ele manter a estrutura, contratar profissionais quando necessário, produzir inspeções e cumprir as obrigações legais. O órgão público atua como fiscalizador.

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Espírito Santo tem cinco barragens entre as prioridades nacionais

O Relatório de Segurança de Barragens 2026 identificou 213 estruturas prioritárias para gestão da segurança em todo o Brasil, distribuídas por 19 estados e pelo Distrito Federal.

O Espírito Santo aparece com cinco barragens nesse grupo.

Uma estrutura pode entrar na relação quando apresenta problemas de conservação ou quando o empreendedor não atende integralmente às exigências da Política Nacional de Segurança de Barragens.

Também entram na avaliação as possíveis consequências de um acidente.

Prioritária não significa “prestes a romper”

A classificação indica necessidade de acompanhamento reforçado e solução de pendências. Ela não equivale a um aviso de rompimento iminente.

O material público de divulgação do levantamento consultado para esta reportagem não identifica nominalmente, de forma consolidada, quais são as cinco estruturas capixabas que permanecem na lista de 2026.

Por isso, uma relação antiga não deve ser automaticamente reproduzida como se representasse a classificação atual.

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Quais barragens capixabas já apareceram em listas anteriores?

Em levantamentos anteriores, cinco estruturas do Espírito Santo apareceram nominalmente entre as barragens que demandavam maior atenção:

  • Duas Bocas, em Cariacica;
  • Triunfo, em Itaguaçu;
  • Sauê, em Aracruz;
  • Barragem Sul, em Piúma;
  • uma barragem sem denominação cadastrada em Ecoporanga.

Essa relação é histórica. Ela serve para acompanhar a evolução da fiscalização, mas não deve ser apresentada como a lista nominal definitiva das cinco prioridades de 2026 sem consulta individual atualizada ao SNISB.

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Barragem de Duas Bocas segue ligada ao abastecimento de Cariacica

A Represa de Duas Bocas é uma das estruturas mais conhecidas da Grande Vitória.

Localizada dentro da Reserva Biológica de Duas Bocas, em Cariacica, a barragem foi concluída em 1953 e integra há décadas a história do abastecimento da região.

A estrutura é formada por um maciço de terra, possui cerca de 18 metros de altura e cria um reservatório de aproximadamente 58 hectares.

Informações técnicas divulgadas durante programação do setor de recursos hídricos em 2025 registram que a estrutura passou por uma reforma recente destinada ao reforço do maciço.

A Represa de Duas Bocas segue citada nos documentos da Cesan como um dos mananciais utilizados no sistema de abastecimento de Cariacica.

A idade da estrutura torna ainda mais importante a manutenção permanente, o acompanhamento da instrumentação, o controle da vegetação e a observação da área localizada abaixo da barragem.

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Barragem do Piraquê-Açu foi inaugurada em Aracruz em 2026

Enquanto Duas Bocas representa uma estrutura histórica, outras barragens capixabas estão entrando agora em operação.

A Barragem do Rio Piraquê-Açu, em Aracruz, foi inaugurada em 6 de junho de 2026.

O reservatório tem capacidade próxima de 1 milhão de metros cúbicos de água, área alagada aproximada de 29 hectares, 151 metros de extensão e seis metros de altura.

A obra foi planejada para ampliar a segurança hídrica da região, com benefícios para abastecimento e atividades rurais, especialmente durante períodos prolongados de estiagem.

Por ser uma barragem recém-entregue, sua situação é diferente da observada em estruturas antigas submetidas a recuperação. Isso, porém, não elimina a necessidade de inspeções e manutenção ao longo de sua vida útil.

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Barragem de São Dalmácio ainda aparece como obra em andamento

Em São Roque do Canaã, a situação da Barragem de São Dalmácio merece atenção porque a documentação pública mais recente ainda registra intervenções em andamento.

O portal de obras do município classificava a construção como “em andamento” em agosto de 2026.

A estrutura é formada por barragem de concreto com contrafortes e inclui serviços relacionados à preparação e escavação do reservatório.

Além da barragem propriamente dita, o município abriu processo de contratação para obras ambientais no entorno.

O projeto inclui reflorestamento, contenção de encostas, drenagem e medidas destinadas a reduzir erosão e assoreamento.

Portanto, não é adequado apresentar São Dalmácio simplesmente como obra encerrada. O quadro documental mais recente indica serviços e medidas complementares ainda em execução ou contratação.

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Barragem de Itabaiana, em Mucurici

Outra estrutura do Programa Estadual de Barragens é a Barragem de Itabaiana, em Mucurici.

O projeto prevê uma barragem de terra com capacidade aproximada de 723,6 mil metros cúbicos e área alagada superior a 19 hectares.

Documentos financeiros da Secretaria de Estado da Agricultura mostram movimentações relacionadas ao contrato de construção durante 2026.

A informação mais segura, portanto, é de que o empreendimento ainda apresentava contrato em execução no período, sem confirmação oficial posterior de inauguração localizada até a atualização desta reportagem.

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Barragem do Córrego Barcê, em João Neiva

A barragem projetada para o Córrego Barcê também aparece entre os investimentos acompanhados pelo Governo do Espírito Santo.

O projeto prevê uma estrutura mista com capacidade aproximada de 47,6 mil metros cúbicos de água.

A Barragem do Córrego Barcê aparecia em documentação estadual entre as obras em fase de execução em 2026.

O cronograma físico-financeiro previa atividades distribuídas ao longo dos primeiros trimestres do ano.

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Barragem do Córrego Manteninha, em Mantenópolis

Mantenópolis também recebeu investimento para construção de uma nova barragem.

O projeto do Córrego Manteninha prevê estrutura de concreto e reservatório com capacidade próxima de 82,1 mil metros cúbicos.

A área alagada prevista é de aproximadamente dois hectares.

A obra aparece no cronograma estadual de investimentos de 2026, com execução planejada principalmente para o segundo e o terceiro trimestres.

O empreendimento integra os projetos financiados com recursos relacionados à reparação da Bacia do Rio Doce.

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Ribeirão Floresta, em Cachoeiro de Itapemirim

A Barragem Ribeirão Floresta, localizada em Burarama, teve suas obras concluídas em outubro de 2025.

O empreendimento recebeu investimento aproximado de R$ 1,8 milhão e foi projetado para armazenar cerca de 25,6 mil metros cúbicos de água.

Na última atualização oficial específica localizada para a estrutura, publicada em novembro de 2025, o reservatório ainda aguardava enchimento para posterior inauguração.

Sem uma atualização oficial mais recente confirmando outra etapa, esse permanece sendo o quadro documental mais seguro para apresentação.

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Situação das principais barragens com informações públicas verificáveis

A tabela abaixo reúne algumas das estruturas mais relevantes para as quais foi possível localizar informação pública recente sobre operação, obra ou documentação de segurança.

Barragem Município Status Situação pública mais recente localizada
Duas Bocas Cariacica Em operação Integra o sistema de abastecimento e possui registro de reforma recente para reforço do maciço.
Rio Piraquê-Açu Aracruz Inaugurada Inaugurada em junho de 2026, com capacidade próxima de 1 milhão de m³.
São Dalmácio São Roque do Canaã Em andamento Portal municipal ainda registra a obra em andamento e há intervenções ambientais complementares previstas.
Itabaiana Mucurici Em execução Contrato apresentou movimentação financeira em 2026; não foi localizada confirmação posterior de inauguração.
Córrego Barcê João Neiva Em execução Listada pela Seag entre as obras com execução prevista para 2026.
Córrego Manteninha Mantenópolis Em execução Estrutura incluída no cronograma físico-financeiro estadual de 2026.
Ribeirão Floresta Cachoeiro de Itapemirim Obra concluída Construção concluída em outubro de 2025; última informação localizada indicava que aguardava enchimento.
Rio Bonito Santa Maria de Jetibá Hidrelétrica Possui Plano de Segurança da Barragem e Plano de Ação de Emergência divulgados pelo operador.
UHE Suíça Santa Leopoldina Hidrelétrica Estrutura com documentação de segurança e PAE disponibilizados pelo operador.
UHE Mascarenhas Baixo Guandu Em operação Apresenta exemplo de CRI baixo e DPA alto, demonstrando que alto dano potencial não significa estrutura tecnicamente instável.

Importante: a tabela não substitui o SNISB. Ela reúne as principais estruturas com situação documental recente localizada durante a apuração. O Espírito Santo possui centenas de outras barragens cadastradas.

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Barragem do Rio Bonito faz parte do sistema hidrelétrico

Algumas estruturas conhecidas pelos capixabas não ficam submetidas ao mesmo modelo de fiscalização das pequenas barragens rurais acompanhadas pela Agerh.

Quando o uso predominante da água é a geração de energia elétrica, a fiscalização da segurança cabe à Agência Nacional de Energia Elétrica.

É o caso de usinas e pequenas centrais hidrelétricas existentes no Estado.

A Barragem do Rio Bonito, em Santa Maria de Jetibá, é um exemplo.

A empresa responsável disponibiliza documentação referente ao Plano de Segurança da Barragem e ao Plano de Ação de Emergência.

O mesmo ocorre com outras estruturas hidrelétricas, como Suíça, São João e Francisco Gros.

Ter um Plano de Ação de Emergência não significa que exista uma emergência. O PAE é um instrumento preventivo que define responsabilidades, comunicação, mapas e procedimentos que devem ser utilizados caso uma situação excepcional venha a ocorrer.

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Mascarenhas ajuda a entender a diferença entre risco e dano potencial

A Usina Hidrelétrica de Mascarenhas, em Baixo Guandu, oferece um exemplo bastante claro para entender as classificações.

Dados públicos de planejamento da Bacia do Rio Doce apresentam a estrutura com Categoria de Risco baixa e Dano Potencial Associado alto.

As duas classificações não são contraditórias.

O CRI baixo aponta uma avaliação mais favorável dos fatores ligados à probabilidade de acidente.

Já o DPA alto significa que, se um acidente hipotético acontecesse, as consequências poderiam ser relevantes.

Esse exemplo mostra por que uma manchete afirmando que toda barragem com DPA alto possui “alto risco de rompimento” seria tecnicamente errada.

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Barragem Liberdade, em Marilândia

O Espírito Santo também possui barragens que, além da função hídrica, acabaram incorporadas à paisagem e ao cotidiano de determinadas cidades.

Um exemplo é a Barragem Liberdade, em Marilândia.

O Capixaba da Gema já mostrou o deck construído na Barragem Liberdade, que criou um novo ponto de contemplação no município.

Deck na Barragem Liberdade em Marilândia no Espírito Santo
Barragem Liberdade, em Marilândia. Arquivo Capixaba da Gema.

Uso turístico ou paisagístico, entretanto, não substitui avaliação técnica. A condição de segurança de qualquer estrutura deve ser verificada por meio do órgão fiscalizador responsável.

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E as barragens de mineração no Espírito Santo?

Barragens associadas à atividade mineral possuem sistema de fiscalização específico.

Nesses casos, a competência é da Agência Nacional de Mineração, que mantém o Sistema Integrado de Gestão de Barragens de Mineração.

A plataforma permite consultar localização, Categoria de Risco, Dano Potencial Associado, situação relacionada à estabilidade e outras informações das estruturas submetidas à legislação mineral.

Por isso, os números apresentados pela Agerh não podem ser automaticamente aplicados às barragens de mineração.

Da mesma forma, acidentes ocorridos em outros estados com grandes barragens de rejeitos não significam que todas as estruturas capixabas possuam características equivalentes.

Cada barragem precisa ser avaliada de acordo com finalidade, dimensões, material armazenado, ocupação a jusante, documentação e órgão fiscalizador.

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Quais barragens entram na Política Nacional de Segurança?

Nem toda represa cadastrada no SNISB está sujeita exatamente ao mesmo conjunto de exigências.

A Política Nacional de Segurança de Barragens estabelece critérios para definir quais estruturas precisam cumprir obrigações específicas.

Entre os elementos avaliados estão:

  • altura do maciço;
  • capacidade total do reservatório;
  • existência de resíduos perigosos;
  • Dano Potencial Associado médio ou alto;
  • Categoria de Risco, conforme critérios definidos pelo fiscalizador;
  • possíveis consequências de uma falha estrutural.

É por isso que o número total de barragens cadastradas pode ser muito maior do que o número de estruturas submetidas às exigências mais rigorosas da política nacional.

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As barragens do Espírito Santo são seguras?

Não existe uma resposta única e tecnicamente responsável para todas as estruturas.

Os dados atuais não sustentam a afirmação de que exista uma situação generalizada de rompimento iminente no Espírito Santo.

Por outro lado, também seria incorreto afirmar que todas as barragens estejam em condição ideal.

O levantamento estadual encontrou problemas concretos em parte das estruturas fiscalizadas: ausência de responsável técnico, falta de inspeções regulares, vegetação inadequada, falhas de manutenção e documentação pendente.

A presença de cinco barragens capixabas entre as prioridades nacionais também mostra que existem casos que exigem acompanhamento reforçado.

O principal problema é menos visível do que um rompimento

Os relatórios apontam para um desafio permanente de manutenção preventiva, regularização, engenharia, documentação e fiscalização. Uma estrutura pode permanecer anos sem acidente e ainda assim acumular problemas que precisam ser corrigidos antes de evoluírem.

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Chuvas extremas aumentam a importância da manutenção

A discussão ganha ainda mais relevância diante da ocorrência de eventos meteorológicos extremos.

Barragens são projetadas para operar dentro de parâmetros específicos de vazão, armazenamento e descarga.

Chuvas excepcionalmente intensas podem elevar rapidamente o volume armazenado e colocar à prova sistemas de drenagem e extravasamento.

Por outro lado, durante períodos prolongados de seca, os mesmos reservatórios assumem papel estratégico no abastecimento, na irrigação e na criação de animais.

Essa dupla função reforça a importância da manutenção preventiva.

A identificação de extravasores ausentes ou inadequados em algumas estruturas vistoriadas pela Agerh merece atenção justamente porque esses dispositivos ajudam no controle do excesso de água.

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Como saber a situação de uma barragem perto da sua casa?

O cidadão pode consultar informações no Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens.

Entre os dados mais importantes estão:

  • nome da barragem;
  • município;
  • empreendedor ou proprietário;
  • órgão responsável pela fiscalização;
  • finalidade do reservatório;
  • Categoria de Risco;
  • Dano Potencial Associado;
  • enquadramento na Política Nacional de Segurança de Barragens;
  • existência de Plano de Segurança;
  • existência de Plano de Ação de Emergência, quando obrigatório.

As barragens de mineração também devem ser verificadas no sistema da ANM.

Já as estruturas utilizadas predominantemente para geração hidrelétrica ficam sob fiscalização da ANEEL.

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Quais sinais em uma barragem exigem atenção?

O diagnóstico da segurança deve ser realizado por profissionais capacitados, mas determinadas alterações visíveis justificam comunicação imediata ao responsável e aos órgãos competentes.

  • erosões importantes;
  • rachaduras ou deformações novas;
  • vazamentos incomuns;
  • saída de água por locais não previstos;
  • deslizamentos no maciço ou nas margens;
  • transbordamento fora da estrutura destinada ao extravasamento;
  • mudança repentina no fluxo de água;
  • árvores de grande porte crescendo sobre estruturas de terra.

Em caso de emergência

Não permaneça próximo a uma barragem que apresente comportamento anormal e não tente executar reparos por conta própria. Devem ser seguidas as orientações do empreendedor, da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros e do Plano de Ação de Emergência, quando existente.

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Qual é o panorama das barragens capixabas em 2026?

Os dados oficiais mostram um cenário com duas realidades acontecendo ao mesmo tempo.

De um lado, o Espírito Santo continua ampliando sua capacidade de armazenamento de água.

A Barragem do Piraquê-Açu entrou em operação em 2026, enquanto projetos e obras aparecem em municípios como São Roque do Canaã, Mucurici, João Neiva e Mantenópolis.

Também existem grandes estruturas de abastecimento e barragens hidrelétricas submetidas a planos formais de segurança, emergência, inspeção e monitoramento.

Do outro lado, o Estado ainda possui centenas de pequenas barragens rurais cuja gestão nem sempre acompanha as exigências legais.

É justamente nesse universo que aparecem problemas como falta de responsável técnico, manutenção deficiente, ausência de inspeções e documentação incompleta.

O crescimento do cadastro também precisa ser interpretado com cautela.

Quando uma barragem que antes estava fora do radar do poder público é cadastrada, o número total aumenta. Isso pode dar a impressão de crescimento do problema, mas também significa que a estrutura se tornou conhecida pelo sistema de fiscalização.

O desafio seguinte é transformar esse cadastro em acompanhamento efetivo e garantir que as irregularidades encontradas sejam corrigidas.

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Barragens no Espírito Santo: principais números

O que você precisa guardar desta reportagem

  • O Espírito Santo possui 810 barragens no levantamento nacional mais recente.
  • As estruturas têm usos diferentes, como irrigação, abastecimento e geração de energia.
  • O cadastro estadual da Agerh registrava 444 barragens dentro de seu universo de atuação.
  • A Agerh vistoriou 73 barragens em 2025.
  • 76,9% das estruturas vistoriadas receberam Categoria de Risco alta.
  • Esse percentual não representa as 810 barragens cadastradas no Estado.
  • CRI alto não significa rompimento iminente.
  • DPA alto significa que um eventual acidente poderia provocar consequências relevantes.
  • Grande parte das barragens fiscalizadas pela Agerh é formada por pequenos barramentos rurais.
  • Falta de responsável técnico, vegetação, problemas de extravasamento e ausência de inspeções estão entre as falhas encontradas.
  • Cinco estruturas capixabas aparecem entre as prioridades nacionais de gestão da segurança.
  • A Barragem do Piraquê-Açu foi inaugurada em Aracruz em junho de 2026.
  • Outras barragens continuam em obra ou com contratos ativos em diferentes municípios.
  • Barragens hidrelétricas são fiscalizadas pela ANEEL.
  • Barragens de mineração ficam sob fiscalização da ANM.

Dados podem mudar

O cadastro brasileiro de barragens é dinâmico. Categoria de Risco, Dano Potencial Associado, andamento de obras e documentação de segurança podem mudar depois de inspeções, reformas ou novas informações apresentadas pelos responsáveis. Para uma estrutura específica, deve prevalecer a consulta mais recente ao SNISB e ao órgão fiscalizador competente.

Fontes: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB), Agência Estadual de Recursos Hídricos do Espírito Santo (Agerh), Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), Agência Nacional de Mineração (ANM), Secretaria de Estado da Agricultura do Espírito Santo (Seag), Secretaria de Recuperação do Rio Doce, Cesan e prefeituras municipais.