Lula manifesta solidariedade após inundações deixarem ao menos 160 mortos na fronteira entre Nepal e China
Fonte: muitainformacao.com.br | Data: 26/08/2026 19:03:31
Avalanche de lama na fronteira entre Nepal e Tibete deixou mais de 800 desaparecidos; Itamaraty monitora situação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou, nesta quarta-feira (26), solidariedade aos familiares das vítimas e às autoridades do Nepal e da China após uma avalanche de lama atingir a região de fronteira entre os dois países. O desastre deixou, até a última atualização, 160 mortos e mais de 800 desaparecidos, segundo informações divulgadas pelas autoridades locais.
A área atingida fica na fronteira entre o Nepal e o Tibete, território controlado pela China. O Ministério das Relações Exteriores informou que, até o momento, não há relatos de brasileiros entre as vítimas. O Itamaraty acompanha a situação e mantém o monitoramento dos acontecimentos na região.
“As imagens causam espanto e nos comovem a todos. Em nome dos brasileiros, expresso minha solidariedade aos governos dos dois países e a todos os afetados por esse desastre, especialmente às famílias das vítimas”, disse o petista.
Avalanche de lama atinge fronteira entre Nepal e Tibete
No Nepal, o distrito de Rasuwa esteve entre as áreas mais afetadas. Imagens divulgadas pelas autoridades mostram um rio transbordando e carregando casas durante a inundação. As equipes de resgate permanecem mobilizadas para localizar pessoas desaparecidas e avaliar os danos provocados pelo desastre.
O porta-voz da polícia nepalesa, Abi Narayan Kafle, informou que 28 policiais também estavam desaparecidos. Segundo ele, as operações de resgate continuavam enquanto as autoridades buscavam dimensionar o impacto da inundação. “As inundações são grandes e podem ter afetado muitas áreas habitadas”, declarou Kafle.
O Exército do Nepal mobilizou 14 helicópteros e equipes de resgate para atuar nas áreas atingidas. O primeiro-ministro Balendra Shah também convocou uma reunião urgente da agência responsável pela gestão de desastres para coordenar as medidas de resposta.
“O trabalho já começou para adotar as medidas necessárias, em coordenação com as equipes médicas, de buscas e da Cruz Vermelha”, escreveu o primeiro-ministro.
A causa exata da inundação ainda não havia sido determinada. O cientista Qianggong Zhang, do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha, com sede em Katmandu, afirmou que o fenômeno pode ter relação com uma avalanche de gelo que teria caído no rio Lhende.
Turistas estão entre os desaparecidos no Nepal
A inundação atingiu Syabrubesi, ponto de partida da rota de trekking de Langtang, uma das áreas frequentadas por turistas que visitam o Nepal. A região também recebe viajantes que percorrem o trajeto de peregrinação hindu até Kailash Mansarovar. O Conselho de Turismo do Nepal informou que 384 viajantes foram registrados como desaparecidos nas áreas afetadas. O levantamento preliminar foi elaborado a partir de informações fornecidas por empresas de turismo e viagens.
Do total, 291 eram estrangeiros e 93 nepaleses. Entre os estrangeiros estavam turistas da Índia, dos Estados Unidos, do Reino Unido e da Malásia. As autoridades trabalhavam para confirmar o paradeiro dessas pessoas.
A região atingida possui baixa densidade populacional, mas concentra cidades e vilas conectadas por rotas de circulação entre Nepal e China. O território também abriga usinas hidrelétricas, um porto e um posto fronteiriço, que funciona como uma das principais portas de entrada e saída para pessoas que viajam entre os dois países.
Vídeos divulgados após a inundação mostram uma onda de lama descendo pelo vale, carregando estruturas e atingindo áreas habitadas. As imagens também registraram danos no porto de Gyirong, no lado tibetano da fronteira, onde um deslizamento vindo do Nepal provocou vítimas e desaparecimentos.
China mobiliza recursos para buscas no Tibete
No lado chinês da fronteira, o deslizamento de terra que avançou a partir do Nepal atingiu o porto de Gyirong. O canal público chinês CCTV informou que houve vítimas e desaparecidos na região, mas as autoridades chinesas não divulgaram até aquele momento um balanço específico de mortos e feridos.
O presidente da China, Xi Jinping, determinou a mobilização de recursos para as operações de resgate. Segundo informações divulgadas pela CCTV, o chefe de Estado colocou como prioridade a localização das pessoas desaparecidas e o atendimento aos feridos.
Xi afirmou que “a tarefa mais urgente é fazer todo o possível para encontrar e resgatar os desaparecidos”, além de “atender rapidamente os feridos e reduzir ao mínimo o número de vítimas”, segundo a emissora estatal chinesa.
As equipes dos dois países passaram a atuar na avaliação das consequências do desastre, enquanto as autoridades buscavam localizar pessoas que ficaram incomunicáveis após a inundação. A dimensão dos danos ainda estava sendo levantada.
Região afetada concentra turismo e infraestrutura
A área atingida pela avalanche fica em uma região de fronteira entre o Nepal e a China, marcada pela presença da cordilheira do Himalaia e por atividades turísticas. Embora não seja uma área densamente povoada, o território possui infraestrutura utilizada tanto pela população local quanto por viajantes.
Além das rotas turísticas de Langtang e Kailash Mansarovar, a região concentra estruturas de transporte e geração de energia. O posto fronteiriço também possui importância para a circulação entre os dois países, o que ampliou a preocupação das autoridades diante dos efeitos da inundação.
No Nepal, Syabrubesi foi diretamente atingida. A localidade serve como ponto de partida para visitantes que percorrem a trilha de Langtang, enquanto outras áreas próximas recebem peregrinos que seguem em direção a Kailash Mansarovar.
As condições provocadas pela inundação dificultaram o contato com parte dos viajantes. O Conselho de Turismo do Nepal passou a reunir informações de empresas do setor para identificar quem estava nas áreas afetadas e confirmar a situação dos desaparecidos.
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Redação
Equipe de jornalistas e editores do portal Muita Informação