Buscas continuam após inundação devastar fronteira de Nepal e Tibete
Fonte: tvbrasil.ebc.com.br | Data: 26/08/2026 20:29:31
Uma avalanche de lama e água atingiu a região de fronteira entre o Nepal e o Tibete. O desastre destruiu casas, estradas e pontes e deixou pelo menos 150 mortos e centenas de desaparecidos. As buscas continuam dos dois lados da fronteira. As imagens mostram a força da água e da lama e o trabalho das equipes de resgate.
Em segundos, a paisagem desaparece debaixo de uma enxurrada de lama e água. As imagens de uma câmera de segurança mostram pessoas tentando correr pouco antes de a avalanche atingir a região de Gyirong, no Tibete. A força da água e dos detritos destrói construções e veículos. O desastre atingiu a região de fronteira entre o Nepal e a China. No lado nepalês, enchentes repentinas atingiram vilas e áreas de infraestrutura.
No distrito de Rasuwa, no norte do Nepal, a água tomou as margens do rio Bhote Koshi. Casas ficaram parcialmente submersas e trechos de vilas foram destruídos.
Do alto, é possível ver a dimensão da destruição. Estradas e construções foram levadas pela correnteza. Pontes e projetos de geração de energia também foram danificados.
Em Nuwakot, ainda no Nepal, as imagens de drone mostram a água avançando por áreas residenciais. O barro cobre parte das construções às margens do rio. A causa exata da enchente ainda está sendo investigada. Uma das hipóteses é que um deslizamento de terra tenha bloqueado o rio e provocado uma grande onda de água e detritos.
Do lado chinês, as imagens mostram vales cobertos de lama e rios transbordados. A área de Gyirong também teve estradas e ligações de energia e comunicação danificadas. Equipes de resgate foram mobilizadas para procurar desaparecidos e liberar os acessos. Máquinas pesadas foram levadas para as áreas mais afetadas. Mas o trabalho é dificultado pela destruição de estradas e pelas condições climáticas. No Nepal, helicópteros de resgate também enfrentam restrições para chegar a algumas das áreas atingidas.
Enquanto as equipes avançam nas buscas, ainda não é possível dimensionar toda a extensão dos estragos. A prioridade agora é encontrar os desaparecidos e levar ajuda às comunidades atingidas.
Não há brasileiros na região
O governo brasileiro manifestou pesar pelas mortes e desaparecimentos provocados pela avalanche. O Itamaraty informou que, até o momento, não há registro de brasileiros entre as vítimas. As embaixadas do Brasil em Katmandu e Pequim acompanham os desdobramentos da tragédia e mantêm contato com as autoridades locais. A orientação é que brasileiros na região que precisarem de assistência procurem as representações diplomáticas do Brasil.
Entenda o desastre
O colapso de uma geleira provocou uma inundação repentina no Nepal, na fronteira com o Tibete nesta quarta-feira. De acordo com agência Reuters, cerca de 100 corpos foram resgatados e mais de 300 pessoas estão desaparecidas, muitas delas estrangeiras.
Uma região sagrada e turística atingida por uma tragédia. Em segundos uma parede de água, gelo, lama e pedras desceu pelas montanhas e engoliu vilas inteiras matando centenas de moradores e turistas.
O Nepal fica localizado entre a China e a Índia, e tem sua geografia marcada pela Cordilheira do Himalaia, e seu ponto mais alto, o Everest. A tragédia aconteceu numa das principais portas de entrada para as rotas do Himalaia e também para peregrinos que seguem em direção ao Tibete. Vídeos registraram o avanço violento da água e da lama, que arrastaram construções inteiras.
Mas o que provocou uma onda tão destrutiva? As autoridades nepalesas trabalham com a hipótese de que um terremoto de magnitude 4,4 tenha provocado a avalanche. A massa teria bloqueado o curso de um rio. Quando essa barreira natural se rompeu, uma grande quantidade de água, lama e detritos desceu pelo vale. Especialistas ainda investigam exatamente como essa sequência de eventos aconteceu. O intervalo entre o tremendo e a inundação teria sido de apenas sete minutos, deixando pouco tempo para que moradores e turistas reagissem.
Do lado chinês da fronteira também há mortos e centenas de desaparecidos. No Nepal, equipes médicas, militares, escoteiros e integrantes da Cruz Vermelha participam das buscas. Helicópteros e drones são usados na operação, mas estradas destruídas, rios ainda muito altos e o mau tempo dificultam o acesso às áreas atingidas.
Como uma avalanche pode transformar um rio em uma onda de destruição em poucos minutos? Geólogos da Unicamp explicaram o fenômeno e ajudam a gente entender o que aconteceu.
“Se a gente for pensar no contexto local, é uma área pouco adensada, né? Você não tinha um adensamento populacional grande. Mas, em compensação, você tem o impacto porque uma das principais atividades econômicas lá é o turismo: o turismo de montanhismo, o turismo de trekking. É também uma área de circulação de mercadorias entre China e Nepal. Também uma área em que você tem todo um uso para as peregrinações em relação ao Tibete”, explica Raul Reis Amorim, geógrafo do Instituto de Geociências da Unicamp.
“O que está se debatendo lá é se foi terremoto mesmo ou se foi, por exemplo, um rompimento de um lago glaciar, de uma geleira, né? E quando esse material se rompe, você forma alguns lagos temporários existentes lá que se rompem, e aí o material vem ao longo do rio com uma energia muito grande. Aquela energia que a gente vê nas imagens é realmente isso aí: ele vai a 300 km em questão de avalanche, cem e poucos quilômetros em questão das torrentes glaciais. Então, tudo isso contribui para que o material tenha muita energia envolvida” detalha Jefferson de Lima Picanço, geólogo do Instituto de Geociências da Unicamp.
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