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San Pedro de Atacama: quando o deserto vira uma janela para o universo

Fonte: turismo.uai.com.br | Data: 27/08/2026 12:18:42

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Com baixa umidade, pouca poluição luminosa e condições atmosféricas privilegiadas, o destino chileno transformou a observação do céu em uma das experiências mais procuradas por quem visita San Pedro de Atacama.

Há lugares em que a paisagem impressiona durante o dia. Em San Pedro de Atacama, no norte do Chile, o espetáculo muda de horário. Quando o sol desaparece atrás da Cordilheira dos Andes e as luzes do povoado ficam para trás, o céu ganha protagonismo.

A Via Láctea aparece com intensidade, constelações do hemisfério sul podem ser identificadas a olho nu e, em noites favoráveis, telescópios revelam detalhes que dificilmente seriam percebidos sem equipamentos. É nesse cenário que o astroturismo ganhou espaço entre as experiências oferecidas no destino.

A combinação não acontece por acaso. A região reúne altitude, ar extremamente seco, baixa umidade e pouca poluição luminosa, condições que ajudam a explicar por que o Deserto do Atacama abriga algumas das mais importantes instalações astronômicas do planeta. O próprio Chile Travel classifica San Pedro de Atacama entre os destinos chilenos para contemplação de estrelas e observação de céus.

Conhecida por sua geografia impressionante, San Pedro de Atacama oferece uma variedade de passeios imperdíveis de dia e de noite. (Foto: Divulgação)

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Uma noite para olhar o céu de outra maneira

Para participar de uma experiência astronômica, não é preciso entender de astronomia. Os passeios normalmente levam os visitantes para áreas afastadas do centro urbano, onde a interferência das luzes é menor.

Com a orientação de guias especializados, o viajante aprende a reconhecer constelações e estrelas e pode utilizar telescópios para observar diferentes objetos celestes. Dependendo das condições da noite e dos equipamentos disponíveis, a experiência pode incluir planetas, aglomerados estelares e outros corpos celestes.

Alguns operadores também oferecem sessões de astrofotografia, transformando a observação em uma lembrança registrada no próprio cenário do deserto. O Chile Travel destaca justamente esse tipo de experiência, que combina observação a olho nu, telescópios e fotografia da Via Láctea.

A fase da Lua também interfere na experiência. Em noites próximas à Lua cheia, a luminosidade natural reduz o contraste do céu e pode dificultar a visualização de estrelas menos brilhantes. Para quem pretende priorizar a observação da Via Láctea e de um número maior de estrelas, períodos próximos à Lua nova costumam ser mais interessantes.

Observação de estrelas em São Pedro do Atacama. (Foto: Sernatur)

Entre a ciência e a cosmovisão Lickan Antay

O céu de San Pedro de Atacama não representa apenas uma oportunidade para falar de astronomia moderna. Para o povo Lickan Antay, também conhecido como Atacameño, a relação com os astros faz parte de uma tradição cultural ligada ao território, à natureza e à vida comunitária.

Por isso, algumas experiências de astroturismo incorporam a cosmovisão andina à interpretação do céu. A proposta é apresentar não apenas aquilo que a ciência identifica em uma determinada constelação, mas também a maneira como os povos originários observavam e interpretavam os astros.

Essa combinação acrescenta uma dimensão cultural ao passeio. O visitante deixa de olhar o céu apenas como um conjunto de estrelas e passa a conhecer diferentes formas de compreender a relação entre o ser humano, a terra e o universo.

O próprio turismo oficial chileno apresenta o astroturismo em San Pedro de Atacama associado à cosmovisão dos povos andinos.

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O deserto que atrai os grandes observatórios

A presença da astronomia científica na região ajuda a entender a fama dos céus do Atacama. Um dos exemplos mais conhecidos é o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), instalado no planalto de Chajnantor, a aproximadamente 5.000 metros de altitude. O complexo reúne 66 antenas e trabalha com comprimentos de onda milimétricos e submilimétricos, permitindo estudar, entre outros fenômenos, regiões de formação de estrelas e os ambientes frios do Universo.

A localização foi escolhida por razões científicas. A altitude e a extrema secura da região reduzem a interferência do vapor d’água atmosférico, fator importante para esse tipo de observação. Segundo o Observatório Europeu do Sul (ESO), as condições atmosféricas de Chajnantor estão entre as razões que tornam o local excepcional para a astronomia nessa faixa do espectro.

É importante, porém, fazer uma distinção: o ALMA é uma instalação científica, não um observatório turístico convencional. O acesso ao local onde ficam as antenas, no Array Operations Site, é restrito por razões de segurança. E, segundo atualização do Chile Travel de fevereiro de 2026, as visitas públicas ao observatório estavam suspensas, com previsão de reativação.

Estação base do maior conjunto de telescópios do mundo, ALMA, que consiste em mais de 60 antenas. (Foto: Divulgação)
O Observatório ALMA, localizado em San Pedro de Atacama, permite explorar os mistérios do cosmos enquanto oferece uma das paisagens mais surreais e fascinantes do planeta. (Foto: Guy Acurero)

Altitude muda a experiência

San Pedro de Atacama está a cerca de 2.400 metros acima do nível do mar, e alguns dos passeios realizados nos arredores chegam a altitudes significativamente maiores.

Para o turista, isso significa que a adaptação ao ambiente deve fazer parte do planejamento. O ar seco favorece a desidratação, enquanto a amplitude térmica pode ser grande entre o dia e a noite. Durante uma saída astronômica, o visitante pode permanecer parado por bastante tempo em ambiente aberto, quando as temperaturas já caíram.

Por isso, roupas em camadas, agasalho, água, protetor solar, chapéu e óculos escuros são itens importantes para quem pretende explorar o deserto. Nas áreas de maior altitude, o cuidado precisa ser ainda maior. As recomendações oficiais do ALMA, por exemplo, incluem hidratação, proteção solar e deslocamento lento em razão das condições ambientais.

Vale da Lua, Atacama. A paisagem parece ter sido tirada de um filme de ficção científica. (Foto: Sernatur)

Como chegar a San Pedro de Atacama

San Pedro de Atacama não possui aeroporto comercial. Para quem chega de avião, a principal porta de entrada é Calama, onde está localizado o Aeroporto El Loa (CJC).

A partir de Santiago, há voos regulares para Calama, e o trecho terrestre até San Pedro leva aproximadamente uma hora a uma hora e meia, dependendo do meio de transporte e das condições da viagem. A distância entre Calama e San Pedro é de cerca de 100 quilômetros.

Para o viajante brasileiro, o percurso mais habitual envolve chegar ao Chile por Santiago e seguir de avião até Calama. De lá, transfers, táxis, veículos alugados e outros serviços fazem a ligação com San Pedro.

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Um destino que começa depois do pôr do sol

San Pedro de Atacama é conhecido por seus vales, salares, lagoas, vulcões e gêiseres. Mas existe uma outra paisagem que só aparece quando a luz natural desaparece, é o céu.

O crescimento do astroturismo mostra que a experiência no Atacama não precisa terminar quando os últimos raios de sol desaparecem. Pelo contrário. Para muitos viajantes, é justamente nesse momento que começa uma das experiências mais marcantes da passagem pelo deserto.

Entre telescópios, constelações, histórias ancestrais e a Via Láctea atravessando o céu, San Pedro oferece uma maneira diferente de conhecer o território: olhando para cima.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.