A paciência também faz parte da obra – Blog do Farnésio
Fonte: blogdofarnesio.com.br | Data: 28/08/2026 10:06:18
*Rinaldo Remígio
Durante muitos anos, a população de Juazeiro e Petrolina reivindicou melhorias na mobilidade urbana, especialmente nos acessos à Ponte Presidente Dutra e nas rodovias que atravessam Juazeiro. O crescimento das duas cidades tornou o antigo sistema viário insuficiente para comportar os milhares de veículos que, diariamente, cruzam o Rio São Francisco.
Agora, a tão esperada modernização está se tornando realidade. Sob a responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes — DNIT —, a Travessia Urbana de Juazeiro representa um dos maiores investimentos em infraestrutura da história recente do município. A obra compreende duplicação de pistas, construção de viadutos, novas rotatórias, vias laterais, pavimentação, sinalização e intervenções destinadas a proporcionar maior segurança e fluidez ao trânsito.
Em junho de 2026, quatro dos cinco viadutos previstos, três das seis interseções e 3,4 quilômetros de pistas duplicadas já haviam sido entregues. O investimento total é de aproximadamente R$ 229,8 milhões. Quando inteiramente concluída, a travessia deverá fortalecer ainda mais a ligação entre Juazeiro e Petrolina, beneficiando uma população regional estimada em 650 mil pessoas e um fluxo diário de cerca de 50 mil veículos.
Também merece reconhecimento a atuação da Prefeitura de Juazeiro, particularmente por meio da Autarquia Municipal de Trânsito e Transporte — AMTT. Seus agentes têm participado da orientação dos condutores, do ordenamento do tráfego e da divulgação das mudanças necessárias durante as diferentes etapas da obra. Em intervenções dessa dimensão, a colaboração entre o DNIT e o município é fundamental para reduzir os transtornos e garantir maior segurança à população.
Conheço o diretor-presidente da AMTT, Dr. Paulo Lima, policial rodoviário federal aposentado e um profissional que, pela experiência acumulada ao longo de sua trajetória, conhece como poucos os desafios do trânsito. Sua formação e vivência nas rodovias certamente contribuem para o planejamento das intervenções, a organização do fluxo de veículos e a busca de alternativas capazes de minimizar os transtornos enfrentados pela população durante a execução das obras.
É verdade que toda grande obra provoca dificuldades temporárias. Surgem congestionamentos, desvios, poeira, mudanças de sentido e a necessidade de adaptação dos motoristas. Quem precisa atravessar diariamente de Juazeiro para Petrolina, ou no sentido contrário, certamente sente esses impactos. Entretanto, é importante compreender que não se moderniza uma travessia urbana tão complexa sem alguma interferência na rotina das cidades.
As críticas são legítimas e devem ser respeitadas, principalmente quando ajudam a aperfeiçoar os serviços e a cobrar providências. Todavia, muitas manifestações parecem desconsiderar a dimensão da obra, sua complexidade técnica e os benefícios permanentes que ela trará. Criticar é um direito; reconhecer os avanços também é um dever de justiça.
Juazeiro e Petrolina são cidades irmãs. O rio que aparentemente as separa é o mesmo que as une econômica, social e afetivamente. Por isso, uma melhoria realizada de um lado beneficia igualmente o outro. A nova travessia não pertence somente aos juazeirenses: ela representa uma conquista de todo o Vale do São Francisco.
Neste momento, quando a obra se aproxima de suas etapas finais, precisamos exercitar a paciência e colaborar com as orientações dos órgãos responsáveis. Durante muitos anos, pedimos essa modernização. Agora que ela está sendo executada e seus resultados já podem ser vistos, devemos compreender que os transtornos são passageiros, mas os benefícios permanecerão por muitas décadas.
Que o DNIT, a Prefeitura de Juazeiro e todos os profissionais envolvidos continuem trabalhando com responsabilidade e transparência até a conclusão definitiva.
E que nós, moradores de Juazeiro e Petrolina, saibamos esperar um pouco mais. Afinal, a paciência também faz parte da construção de um futuro melhor.
*Rinaldo Remígio é professor aposentado, historiador e mestre em economia