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Anitta leva nova versão de si mesma para Salvador em show marcado por fé e brasilidade

Fonte: correio24horas.com.br | Data: 28/08/2026 08:54:32

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Na “Equilibrivm Tour”, cantora transforma experiências pessoais e busca por equilíbrio em espetáculo no Centro de Convenções

  • Foto do(a) author(a) Heider Sacramento

  • Heider Sacramento

Publicado em 28 de agosto de 2026 às 08:31

Anitta revelou as 17 faixas de
Anitta apresenta em Salvador uma nova fase marcada por fé, brasilidade e autoconhecimento. Crédito: André Nicolau

Há momentos em que uma turnê funciona como retrospectiva. Outros em que o palco parece ser o lugar onde um artista consegue organizar tudo aquilo que vem pensando longe dos holofotes. Equilibrivm Tour, de Anitta, pertence mais ao segundo caso. O espetáculo que chega a Salvador neste sábado (29), no Centro de Convenções, é a extensão de uma fase em que a cantora decidiu olhar para dentro antes de transformar essas descobertas em música, imagem e performance.

A apresentação reúne elementos dos dois álbuns de Equilibrivm, lançados em 2026, projetos nos quais Anitta aproximou o pop de ritmos brasileiros, espiritualidade, ancestralidade e referências que atravessam sua própria formação. O resultado se distancia da imagem mais imediata associada à cantora: há funk, samba, forró, reggae, bossa nova e música eletrônica, mas também cantos ligados às religiões de matriz africana, referências indígenas e uma investigação sobre corpo, desejo, fé e identidade.

“O que posso dizer é que vai ser surpreendente. É um show muito pessoal. É um espetáculo que vem de dentro pra fora. E feito na intenção de que mais e mais pessoas se identifiquem com a minha jornada de autoconhecimento, que é o que guia esse repertório”, afirma Anitta.

Anitta em Equilibrium II por André Nicolau

A frase ajuda a entender o ponto de partida do espetáculo. Se os discos funcionam como uma espécie de diário artístico, o show transforma esse processo em experiência coletiva. O que estava nas letras e nos audiovisuais passa a ocupar o palco, com Anitta no centro de uma narrativa que fala menos sobre a personagem pública e mais sobre as perguntas que existem por trás dela.

E Salvador não aparece por acaso nessa história.“Salvador respira axé. Então é claro que ‘Equilibrivm’, sendo um projeto que fala sobre fé e cultura brasileira, tinha que passar pela cidade. Minha troca com o público soteropolitano é sempre incrível. E agora chego a Salvador com um material que se conecta com a história local em vários níveis”, destaca.

A conexão fica ainda mais evidente em Contemplação, faixa em que Anitta divide os vocais com o Grupo Ofá, formado por integrantes ligados ao Terreiro do Gantois, em Salvador. A música, construída como uma oração musicada e com versos em iorubá, está entre os momentos que a cantora mais espera apresentar na capital baiana. “Cantar ‘Contemplação’, minha música com o grupo Ofá, vai ser muito especial”, conta.

A presença do grupo no álbum é um dos exemplos de como Equilibrivm tenta construir sua brasilidade a partir de encontros. Maria Bethânia aparece em Ogum Me Rodeia, Alceu Valença participa de Não Me Cutuca, Mart’nália divide Feitiço, Mestrinho está em Eu Não Sou Santa, MC Tha participa de Sem Pressa e artistas indígenas como Katú Mirim e Brô MC’s aparecem em OKE. São diferentes sotaques, gerações e tradições reunidos em um mesmo projeto.

Não se trata, portanto, de abandonar a Anitta que o público conhece. O movimento é incorporar novas camadas a ela.

Do disco para o palco

O segundo álbum aprofunda uma pesquisa iniciada no primeiro volume. A cantora passeia por referências do candomblé, umbanda, cultura indígena, música popular brasileira e tradições familiares sem deixar de lado elementos que fazem parte de sua trajetória, como o funk e a sensualidade.

Em Sal Grosso, por exemplo, o corpo aparece associado à proteção e à limpeza espiritual. Divino Sexual transforma desejo e sensualidade em uma discussão sobre energia e conexão. Ponta do Pé recupera a dança de gafieira, enquanto Pra Você Gostar de Mim revisita Carmen Miranda e estabelece uma relação entre a trajetória da cantora e a de uma artista que também precisou negociar sua identidade brasileira diante do olhar internacional.

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No audiovisual que acompanha o segundo disco, essas ideias ganham forma de curta-metragem. Anitta aparece como Carmen Miranda, encontra uma cartomante, passa por referências às pombagiras, recebe orientações sobre o cuidado com o próprio ori e atravessa diferentes representações da cultura brasileira até chegar a Exu, personagem que encerra a narrativa.

No palco, a proposta é fazer esse universo sair da tela. “Esse show é uma extensão do que apresentei nos álbuns e nos visuais que lancei em 2026. É como se eu estivesse externalizando todo esse trabalho, contando essa história no palco”, explica.

É uma mudança importante na maneira como a cantora apresenta seu repertório. Em vez de construir o espetáculo apenas a partir de sucessos e grandes momentos de performance, Equilibrivm Tour nasce de um conceito. As músicas estão conectadas por uma jornada de autoconhecimento que atravessa diferentes dimensões da artista.

A fé é uma delas. A relação com o corpo, outra. A ancestralidade, a memória familiar e a própria ideia de brasilidade também entram nessa equação.

Uma experiência antes do show

Em Salvador, a proposta de levar o público para dentro desse universo começa antes mesmo de Anitta subir ao palco. O Centro de Convenções recebe, das 14h às 17h, a Vila Equilibrivm, com 14 experiências gratuitas voltadas ao bem-estar, disponíveis por ordem de chegada.

A programação inclui meditação, soundhealing, kundalini, Qigong, tarô, mapa astral, dança circular, zen dance e atividades relacionadas ao autoconhecimento. A seleção tem curadoria da Virada Zen e procura aproximar o público de algumas práticas que dialogam com a atmosfera construída pela cantora nos dois discos.

A ideia conversa com a própria concepção de Equilibrivm: antes de ser um espetáculo sobre uma artista, o projeto procura falar sobre estados internos. A experiência oferecida aos fãs funciona como extensão de uma obra que nasceu justamente da vontade de desacelerar e olhar para dentro.

É uma lógica que também ajuda a explicar por que a palavra “conexão” aparece com tanta força quando Anitta fala da turnê.“Conexão. Acho que essa palavra tem definido as apresentações da turnê até agora”, resume.

Em Salvador, essa conexão ganha uma camada particular. A cidade que é referência quando se fala em música, dança e religiosidade afro-brasileira recebe uma artista que, neste momento da carreira, decidiu colocar esses elementos no centro de sua criação.

O resultado promete ser mais do que a passagem de uma grande turnê pela capital baiana. É o momento em que a Anitta que passou 2026 olhando para dentro coloca essa nova versão de si mesma diante de um público que entende, talvez como poucos, a força de transformar música, corpo e fé em celebração.