BitGo compra braço de trading institucional da NYDIG e sobe 2,5%
Fonte: bitnoticias.com.br | Data: 28/08/2026 13:31:07
- BitGo conclui compra do braço de trading institucional da NYDIG e absorve 30 funcionários
- Ação BTGO sobe 2,5% em 24 horas e acumula alta de 44% no mês
- Canaccord mantém recomendação de compra para BTGO com preço-alvo de US$ 15
A custodiante BitGo anunciou nesta quinta-feira a conclusão da aquisição do braço de trading institucional da mineradora NYDIG, incluindo ativos relacionados a derivativos, produtos estruturados e mesa de financiamento. A operação amplia a atuação da companhia listada na NYSE e derrubou barreiras que separavam custódia regulada de mercado de capitais cripto. Após o comunicado, a ação BTGO subiu 1,99% no fechamento, cotada a US$ 7,16, e estendeu ganhos no after-market.
O negócio traz para dentro da BitGo cerca de 30 profissionais da NYDIG, junto com o portfólio de clientes institucionais que a área atendia — gestoras de ativos, hedge funds, tesourarias corporativas e family offices. Não foram divulgados valores da transação.
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NYDIG recua do trading para focar em energia e mineração
A venda faz parte de um movimento de reposicionamento da NYDIG, que declarou intenção de concentrar recursos em geração de energia, mineração de Bitcoin e desenvolvimento de data centers para computação de alta performance. É uma inflexão relevante: a empresa, controlada pela Stone Ridge, era uma das principais provedoras de serviços cripto para instituições americanas desde 2017.
Ao abrir mão do trading e das mesas de derivativos, a NYDIG assume o perfil de uma mineradora verticalizada — semelhante a Marathon e CleanSpark —, apostando que a próxima onda de receita virá da infraestrutura física que sustenta tanto o hashrate quanto cargas de IA. A diversificação para HPC virou padrão entre mineradoras listadas nos últimos 12 meses.
Para a BitGo, o cálculo é o oposto: consolidar-se como plataforma única de infraestrutura digital. Mike Belshe, CEO e cofundador da empresa, afirmou em comunicado oficial que instituições buscam parceiros capazes de cobrir todo o ciclo do ativo, da custódia à liquidação. A aquisição, segundo ele, deve permitir atender clientes mais sofisticados dentro de um único sistema regulado.
BTGO acumula alta de 44% no mês
O papel da BitGo estreou na Bolsa de Nova York há poucas semanas e vem numa sequência de alta. Nos últimos 30 dias, a valorização passa de 44%, e o volume médio diário chegou a 2 milhões de ações em meio à recuperação do mercado cripto. A corretora Canaccord reiterou recomendação de compra com preço-alvo de US$ 15 — mais que o dobro da cotação atual.
Parte do fôlego recente vem de um marco regulatório fora dos Estados Unidos. Na semana passada, a BitGo recebeu licença VASP da Unidade de Inteligência Financeira (FIU) da Coreia do Sul, tornando-se a primeira empresa estrangeira autorizada de forma direta pelo país asiático. O acesso ao mercado sul-coreano — historicamente um dos mais líquidos em volume de varejo — abre uma rota que concorrentes como Coinbase e Kraken ainda não conquistaram.
Bitcoin perto de US$ 80 mil e o timing do negócio
O anúncio chega em um momento de recuperação da principal criptomoeda. O Bitcoin é negociado a US$ 79.768, ou R$ 410.167 na conversão pelo dólar comercial a R$ 5,14. Nas últimas 24 horas, o volume nas exchanges cresceu quase 30%, mesmo com o vencimento semanal de opções pressionando o derivativo. O contexto ajuda a explicar a reação positiva do BTGO, cujo desempenho tem acompanhado o preço do BTC como já se vê em outras ações do setor.
Do ponto de vista competitivo, a BitGo passa a disputar diretamente com Coinbase Prime, Anchorage Digital e a mesa institucional da Galaxy Digital — que recentemente ampliou linhas de crédito com BTC, ETH e SOL como garantia. O movimento faz sentido em um ambiente em que fluxo institucional cresce: os ETFs de Bitcoin superaram US$ 3 bilhões em captação líquida em agosto, exigindo estrutura de custódia, empréstimo e hedge cada vez mais integrada.
Mercado brasileiro observa consolidação de plataformas
Para o investidor brasileiro, a leitura vai além da ação individual. A tendência de consolidação em torno de plataformas full-service reforça o modelo que gestoras locais buscam replicar — separação entre custódia regulada e execução de trading vem sendo tema recorrente nas discussões do Banco Central sobre PSAVs. O desenho da BitGo pós-NYDIG deve servir de referência para provedores brasileiros que pretendem atender family offices e fundos multimercado com exposição em cripto.
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