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EUA aprovam remédio contra câncer de pâncreas que prolongou vida de pacientes

Fonte: correiobraziliense.com.br | Data: 28/08/2026 14:37:06

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Um novo medicamento contra o câncer de pâncreas foi aprovado nos Estados Unidos e apresentou resultados que chamaram a atenção de especialistas. A Food and Drug Administration (FDA), agência que regula medicamentos no país, autorizou o uso do Rasonque (daraxonrasib) para adultos com câncer de pâncreas que já se espalhou para outras partes do corpo e que já passaram por pelo menos um tratamento.

O remédio é produzido pela empresa norte-americana Revolution Medicines e é tomado em forma de comprimido, uma vez ao dia. A principal novidade está nos resultados de um estudo com 500 pacientes: aqueles que receberam o Rasonque viveram, em média, 13,2 meses, enquanto o grupo tratado com quimioterapia viveu 6,7 meses.

Na prática, o resultado representa quase o dobro do tempo de vida observado entre os participantes que receberam o novo medicamento. É importante destacar, porém, que esse número é uma média do estudo.

Para quem o remédio foi aprovado?

O Rasonque não foi liberado para qualquer pessoa com câncer de pâncreas. A autorização é específica para adultos com a doença em estágio avançado, quando o tumor já se espalhou para outros órgãos.

Podem receber o medicamento pacientes que já tenham passado por pelo menos um tratamento ou pessoas que não possam fazer determinados tipos de quimioterapia que combinam vários medicamentos.

Essa diferença é importante porque o novo remédio chega como uma alternativa principalmente para pacientes que já enfrentaram tratamentos anteriores e ainda precisam controlar a doença.

Como o novo medicamento funciona?

O câncer de pâncreas é uma doença difícil de tratar porque, em muitos casos, o tumor apresenta alterações que fazem as células cancerígenas crescerem e se multiplicarem rapidamente. O Rasonque foi desenvolvido justamente para interferir nesse processo. Ele age sobre uma proteína chamada RAS, que participa dos sinais que fazem as células crescerem. Em muitos casos de câncer de pâncreas, alterações nessa proteína ajudam o tumor a avançar.

De forma simplificada, o medicamento tenta bloquear esses sinais que favorecem o crescimento do câncer. Por isso, ele é chamado de tratamento direcionado: em vez de atacar as células do organismo de maneira ampla, como acontece com a quimioterapia, busca agir sobre um mecanismo específico usado pelo tumor.

O que o estudo mostrou?

A aprovação da FDA foi baseada principalmente nos resultados de um estudo clínico com 500 adultos que tinham câncer de pâncreas metastático e já haviam recebido tratamento. Os participantes foram divididos em grupos para comparar o Rasonque com tratamentos de quimioterapia usados nesses casos.

O resultado que mais chamou atenção foi o tempo de vida. Entre os pacientes que receberam o Rasonque, o tempo mediano de vida foi de 13,2 meses. No grupo que recebeu quimioterapia, foi de 6,7 meses.

O medicamento também conseguiu manter a doença controlada por mais tempo. Os pacientes que receberam Rasonque passaram, em média, 7,2 meses sem que o câncer avançasse, contra 3,6 meses entre os que receberam quimioterapia.

Além disso, 30% dos pacientes que tomaram o novo medicamento tiveram redução do tumor, enquanto isso ocorreu em 11% daqueles que receberam a quimioterapia de comparação. O câncer de pâncreas está entre os tipos de câncer mais difíceis de tratar. Um dos motivos é que a doença muitas vezes é descoberta quando já está avançada, o que reduz as possibilidades de tratamento. Por isso, encontrar uma forma de atingir diretamente um dos mecanismos que ajudam o tumor a crescer é considerado um avanço importante.

O Rasonque também representa uma novidade por ser uma das primeiras terapias direcionadas à proteína RAS para esse tipo de câncer. A própria FDA classificou o medicamento como uma nova opção de tratamento para pacientes com câncer pancreático avançado.

Aprovação aconteceu mais rápido que o previsto

A FDA acelerou a análise do medicamento e autorizou o Rasonque meses antes do prazo que havia sido inicialmente estabelecido para a decisão. Antes da aprovação definitiva, a agência também havia permitido que alguns pacientes tivessem acesso ao medicamento por meio de um programa de acesso expandido. Esse mecanismo permite que pessoas com doenças graves recebam determinados medicamentos ainda em fase de avaliação, em situações específicas.

A rapidez na análise ocorreu diante dos resultados apresentados pelo medicamento e da necessidade de novas opções para pacientes com câncer de pâncreas avançado.

Efeitos colaterais

Apesar dos resultados positivos, o Rasonque também pode provocar efeitos colaterais. Entre os mais comuns estão manchas ou irritações na pele, diarreia, inflamação na boca, enjoo, cansaço, vômitos, dor abdominal, inchaço, perda de apetite e sangramentos.

A FDA também incluiu alertas para outros problemas que podem ocorrer durante o tratamento. Por isso, a indicação e o acompanhamento devem ser feitos por uma equipe médica.

Nos Estados Unidos, a Revolution Medicines informou que o Rasonque chegou ao mercado com preço de US$ 39.800 para um fornecimento de 30 dias. A empresa também anunciou programas de assistência para alguns pacientes com planos de saúde comerciais.

O valor equivale a dezenas de milhares de dólares por mês, o que coloca o acesso ao medicamento entre os pontos que ainda devem ser discutidos após a aprovação.

E no Brasil?

A aprovação nos Estados Unidos não significa que o Rasonque esteja automaticamente liberado para uso no Brasil. Cada país possui seu próprio processo para autorizar medicamentos. No Brasil, a avaliação e o registro de medicamentos são responsabilidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Portanto, pacientes brasileiros não devem interpretar a decisão da FDA como uma autorização para comprar ou utilizar o medicamento por conta própria. A indicação de qualquer tratamento contra o câncer precisa ser feita por um médico, levando em consideração o tipo de tumor, o estágio da doença e as condições de cada paciente.

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Jornalista formada pela UnB, com passagens pela Secretaria de Segurança Pública do DF, pelo Instituto Federal de Brasília (IFB) e pela Máquina CW. Entusiasta nas áreas de cultura, educação e redes sociais, integra a equipe do CB-Online.