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Deep tech brasileira usa IA para identificar alvos de terras raras no Nordeste

Fonte: jc.uol.com.br | Data: 28/08/2026 16:38:48

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Empresa tem mais de 10 alvarás de pesquisa aprovados pela ANM e utiliza tecnologia para reduzir incertezas nas etapas iniciais da exploração mineral

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A Neominera, deep tech brasileira especializada em inteligência mineral, começou a transformar em áreas de pesquisa os alvos identificados por uma plataforma própria que combina inteligência artificial e dados geológicos para localizar minerais críticos no Brasil.

A empresa já possui mais de 10 alvarás de pesquisa aprovados pela Agência Nacional de Mineração (ANM) para pesquisa de terras raras em áreas de Pernambuco e Alagoas, além de oportunidades envolvendo outros minerais críticos, como cobre e níquel. Juntos, os títulos abrangem cerca de 2,8 mil hectares.

Os projetos ainda estão em fase inicial. Neste momento, o objetivo é avançar da análise de dados para a investigação em campo e verificar se as hipóteses geológicas indicadas pela tecnologia apresentam evidências que justifiquem o avanço para etapas mais complexas da exploração mineral.

Objetivo

A estratégia da companhia é utilizar tecnologia para reduzir uma das principais incertezas da mineração: definir onde concentrar recursos antes da realização das etapas mais caras da exploração, como campanhas extensivas de campo e sondagens.

Para isso, a empresa desenvolveu o Lithos, plataforma proprietária que reúne milhões de registros de fontes públicas e privadas. A ferramenta utiliza informações de geologia, geoquímica, geofísica, sensoriamento remoto, ocorrências minerais, estudos científicos e dados regulatórios.

A partir dessas informações, os modelos identificam regiões consideradas mais promissoras para a ocorrência de minerais. Os resultados passam, posteriormente, pela análise de geólogos. A decisão de avançar sobre determinada área e solicitar um direito minerário ocorre, portanto, antes da confirmação da existência de uma jazida.

“O objetivo não é substituir o trabalho do geólogo nem afirmar que um algoritmo descobriu uma jazida. Usamos a tecnologia para originar projetos minerais reais e reduzir incertezas no upstream. Quando um alvo identificado pelo Lithos passa pela revisão geológica, podemos avançar sobre a posição mineral e, na sequência, testar aquela hipótese no campo”, afirmou Lourenço Campos, cofundador e CEO da Neominera.

A obtenção de um alvará de pesquisa não significa que exista uma reserva mineral economicamente aproveitável na área. A autorização permite que a empresa realize os estudos necessários para investigar o potencial mineral e, em etapas posteriores, avaliar a existência, o tamanho e a qualidade de uma eventual jazida.

Segundo a Neominera, a tecnologia foi desenvolvida ao longo de aproximadamente um ano. Nesse período, os modelos passaram por testes retrospectivos e por validação interna com geólogos. A empresa afirma que possui atualmente mais de 12 mil hectares em direitos minerários avançando para a etapa de validação física.

“O desafio não é simplesmente aplicar um algoritmo sobre um mapa. Construímos modelos capazes de aprender relações entre geologia, geoquímica, geofísica e contexto espacial, transformando milhões de registros dispersos em sinais de prospectividade mineral que são confrontados com a interpretação dos geólogos e, posteriormente, testados por evidências de campo”, explicou Rodrigo Saadia, cofundador e CTO da empresa.

A expectativa da companhia é que a combinação entre inteligência artificial e análise geológica permita reduzir o número de áreas investigadas antes que recursos sejam destinados a atividades de exploração de maior custo.

Interesse por minerais críticos

A iniciativa ocorre em um momento de aumento do interesse por novos projetos de minerais críticos no Brasil, especialmente de terras raras. Esses elementos são utilizados em diferentes cadeias produtivas, incluindo a fabricação de ímãs permanentes, veículos elétricos, equipamentos para geração de energia, eletrônicos e tecnologias de defesa.

Apesar do potencial mineral brasileiro, grande parte dos projetos de terras raras já identificados no país ainda está em diferentes fases de pesquisa, desenvolvimento e avaliação econômica.

Nesse cenário, a Neominera pretende atuar nas etapas iniciais da cadeia, utilizando dados geocientíficos para identificar áreas com potencial e transformá-las em projetos que possam ser posteriormente investigados em campo.

“O Brasil reúne um dos maiores potenciais do mundo em minerais críticos e estratégicos, mas transformar potencial geológico em novos projetos continua sendo um enorme desafio”, afirmou Campos.

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