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Prefeitura de Matinhos investiga atendimento a gestante que morreu após perder gêmeas

Fonte: jblitoral.com.br | Data: 28/08/2026 16:59:50

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Os atendimentos prestados a Aline Alves Jackes antes de ela ser transferida para o Hospital Regional do Litoral (HRL), em Paranaguá, serão investigados após a morte da gestante e das duas filhas gêmeas. A família questiona a assistência recebida por Aline na rede municipal de Matinhos e chegou a realizar uma manifestação pedindo justiça e esclarecimentos sobre o caso.

Família protestou em frente à maternidade de Matinhos após mortes de gestante e gêmeas. Foto: JB Litoral

Nesta quinta-feira (27), a Prefeitura de Matinhos abriu uma sindicância administrativa, por meio da Portaria nº 931/2026, para apurar a atuação dos agentes públicos municipais envolvidos nos atendimentos. A investigação ficará restrita à assistência prestada pela rede do município antes da transferência para o HRL.

Segundo a Prefeitura, a sindicância foi instaurada após solicitação da Secretaria Municipal de Saúde e deverá verificar se houve irregularidades funcionais no acompanhamento e nos atendimentos prestados a Aline.

A comissão designada para conduzir os trabalhos terá 60 dias úteis para concluir a apuração e apresentar um relatório à administração municipal.

O procurador do município, Vinicius Teixeira Bressan, explicou que serão ouvidas testemunhas e realizadas diligências com profissionais da área médica para avaliar se houve alguma falha.

O procurador do município, Vinicius Bressan, afirmou que testemunhas e profissionais da saúde serão ouvidos para apurar possíveis falhas. Foto: Prefeitura de Matinhos

“Serão ouvidas testemunhas, realizadas diligências com profissionais da medicina, que vão averiguar se houve ou não alguma falha”, afirmou.

Caso sejam constatadas irregularidades, segundo o procurador, a apuração poderá resultar na responsabilização de eventuais envolvidos e também na revisão dos procedimentos adotados nas unidades municipais de saúde.

A Prefeitura informou ainda que comunicou o caso ao Conselho Regional de Medicina (CRM).

Comitê também vai analisar o caso

Além da sindicância, a Secretaria Municipal de Saúde convocou, em caráter de urgência, o Comitê Municipal de Prevenção à Mortalidade Materno Infantil e Fetal para analisar as circunstâncias do caso.

Segundo a secretária municipal de Saúde, Eduarda Poleto, a pasta vem apurando os fatos desde que tomou conhecimento do ocorrido. “Desde que tivemos conhecimento dos fatos, estamos apurando as circunstâncias, porque sempre estamos aprimorando os nossos protocolos para um melhor atendimento à nossa população”, afirmou.

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A secretária municipal de Saúde, Eduarda Poleto, convocou o Comitê Municipal de Prevenção à Mortalidade Materno Infantil e Fetal para analisar as circunstâncias do caso. Foto: arquivo pessoal

Representantes do município também se reuniram com familiares de Aline nesta quinta-feira (27). Segundo a secretária, o encontro teve como objetivo ouvir e acolher a família.

Paralelamente à apuração municipal, o caso também é investigado pela Vigilância Epidemiológica Estadual. A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou anteriormente ao JB Litoral que todos os óbitos maternos são investigados e que a apuração para determinar a causa da morte de Aline pode levar até 120 dias.

O que aconteceu

Aline estava grávida de 31 semanas e cinco dias e, segundo o marido, José Martins, fazia acompanhamento por se tratar de uma gestação de risco. Ela morreu na noite de terça-feira (25), após permanecer internada no HRL. As duas bebês morreram antes do procedimento para a retirada delas.

Na quarta-feira (26), familiares e amigos realizaram uma manifestação em frente à Maternidade Nossa Senhora dos Navegantes, em Matinhos, pedindo justiça e esclarecimentos sobre os atendimentos prestados.

Família pediu justiça pelas mortes da gestante e das duas filhas gêmeas que ela esperava. Foto: JB Litoral

Em entrevista ao JB Litoral, José relatou que levou a esposa à maternidade no dia 18 de agosto, quando ela já apresentava sintomas como coloração amarelada no rosto e nos olhos. Segundo ele, Aline recebeu soro, medicamentos e foi liberada.

Dois dias depois, em 20 de agosto, Aline retornou à unidade após voltar a passar mal. O marido também questiona o período entre a entrada na maternidade e a transferência para Paranaguá. Segundo José, durante as cerca de 11 horas em que permaneceu ao lado da esposa, os batimentos cardíacos das bebês não teriam sido verificados novamente.


Jornalista formada pela Universidade Tuiuti do Paraná, com pós-graduação em Comunicação e Oratória, atua há mais de 10 anos na área, com experiência em portais, televisão, rádio e assessoria de imprensa.

Atualmente, é editora-chefe do JB Litoral, onde lidera a produção de conteúdo com foco em informação de qualidade e responsabilidade.