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Transplantada em Roraima luta por tratamento adequado no SUS

Fonte: folhabv.com.br | Data: 29/08/2026 11:09:04

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Uma paciente transplantada de pâncreas e rim relata que enfrenta uma série de dificuldades para manter o tratamento adequado pelo sistema público de saúde em Roraima. A situação, segundo a família, envolve falhas no programa de Tratamento Fora de Domicílio (TFD), ausência de profissionais habilitados e uma sequência de entraves burocráticos que, segundo a família, colocaram sua vida em risco.

De acordo com relato do servidor público Josemir Silvério da Silva, responsável por acompanhar a paciente Adriane Peres Ferreira da Silva, o problema se arrasta há anos. Adriane iniciou o tratamento em 2006 e passou por transplante duplo — pâncreas e rim — em 2008, realizado em São Paulo por uma equipe especializada da Beneficência Portuguesa.

Após o procedimento, a família permaneceu na capital paulista até 2010 para acompanhamento médico contínuo. “As consultas eram frequentes e não havia condições de ir e voltar. Eu me afastei do trabalho por cerca de um ano e meio para cuidar dela”, relata Josemir.

Falta de atendimento especializado

Ao retornar a Roraima, a continuidade do tratamento passou a depender do TFD, já que não há especialistas locais para esse tipo de acompanhamento. Segundo a denúncia, esse cenário nunca foi resolvido de forma eficaz.

A situação, conforme explica Silva, se agravou em 2018, quando a equipe médica responsável pelo transplante deixou o hospital onde Adriane era atendida. A substituição por outra profissional, que não possuía habilitação específica para transplante de pâncreas, teria causado erros graves na condução do tratamento.

Em 2021, exames de rotina indicaram alterações significativas em marcadores pancreáticos. Ainda assim, segundo o relato, a médica responsável não considerou os resultados preocupantes. “Esses exames nunca tinham dado alterados. Procuramos uma segunda opinião particular e o médico foi claro: ela não poderia voltar para casa sem normalizar esses índices”, afirma Josemir.

Risco de rejeição e internações

Após refazer os exames, os níveis estavam ainda mais elevados, indicando possível rejeição do órgão transplantado. Adriane precisou ser internada com urgência e passou por tratamento intensivo para conter a rejeição, que já começava a afetar também os rins.

Sem médico habilitado no hospital para prescrever e conduzir o tratamento adequado, a família enfrentou dificuldades até mesmo para viabilizar a medicação. Parte do atendimento precisou ser feita fora do sistema público, com custos arcados diretamente.

“Ela ficou cerca de 30 dias internada, passou por duas internações, e tudo isso poderia ter sido evitado se houvesse acompanhamento correto desde o início”, diz.

Burocracia e erros no processo

Outro ponto crítico apontado é a inconsistência no processo administrativo do TFD. Documentos indicam que o tratamento da paciente foi registrado de forma incorreta como transplante renal, quando, na verdade, trata-se de transplante duplo de pâncreas e rim — o que exige acompanhamento específico.

A família também relata episódios em que o processo foi considerado suspenso sem justificativa clara, impedindo a realização de consultas e exames. “Um órgão dizia que estava suspenso, outro dizia que não. Ficamos no meio disso tudo, sem atendimento”, afirma.

Custos elevados e desgaste

Sem alternativas no sistema público, a família passou a arcar com consultas particulares, que chegam a custar cerca de R$ 1.200, além de exames de alto valor. Pelo SUS, segundo o relato, os mesmos atendimentos têm valores tabelados muito inferiores, o que dificulta a adesão de especialistas.

“Eu pago imposto, trabalho em dois turnos, e ainda preciso assumir despesas altíssimas para garantir o tratamento dela”, desabafa Josemir.

Apelo por solução

Diante do cenário, a família pede que o governo do estado intervenha para garantir o atendimento adequado. Entre as soluções sugeridas estão a formalização de convênios com hospitais ou médicos especializados e a correção imediata dos erros no processo do TFD.

“Não estamos pedindo nada além do básico: um médico habilitado para acompanhar um transplante que é extremamente complexo. A vida dela depende disso”, afirma.

“Enquanto a gente aguarda uma resposta definitiva, a Drica segue dependendo de soluções improvisadas, e do esforço da família, para manter um tratamento que é essencial para sua sobrevivência”, finaliza.