Enchentes no Nepal matam 676; reconstrução bilionária
Fonte: spacemoney.com.br | Data: 29/08/2026 12:52:54
O Nepal amanheceu neste sábado (29) sob o impacto de um dos maiores desastres naturais de sua história recente: o colapso de uma geleira na quarta-feira (26) provocou uma inundação repentina que já deixou 676 mortos e um rastro de destruição estimado em até US$ 5 bilhões — cerca de R$ 26 bilhões — para reconstrução das regiões atingidas. Autoridades do país informaram que 669 corpos foram recuperados até o momento, enquanto 2.426 pessoas seguem desaparecidas e mais de 3.700 foram resgatadas com vida.
O desastre, concentrado em áreas próximas à fronteira com a China, destruiu cidades, pontes, estradas e usinas hidrelétricas, além de pressionar o sistema de saúde e a infraestrutura logística do Nepal. No lado chinês, o balanço oficial aponta sete mortos e mais de 550 desaparecidos, o que amplia a dimensão transfronteiriça da tragédia.
Balanço de vítimas e operações de resgate
As equipes de emergência seguem trabalhando nas regiões de Chitwan e Nawalparasi, localizadas a cerca de 100 quilômetros do epicentro do desastre, onde ainda há esperança de encontrar sobreviventes. As autoridades, no entanto, alertam que o número de mortos pode crescer nas próximas horas, à medida que os trabalhos de busca avançam em áreas de difícil acesso e sob risco de novos deslizamentos.
O drama humanitário também expõe a fragilidade da estrutura local: hospitais estão sobrecarregados e enfrentam dificuldades para armazenar os corpos recuperados, diante da falta de equipamentos de refrigeração adequados. O governo nepalês afirma que os socorristas locais têm condições de conduzir as operações gerais de busca e salvamento, o que levou o país a dispensar equipes estrangeiras para esse tipo de trabalho.
Custo da reconstrução e danos à infraestrutura
O governo estima que a reconstrução das áreas devastadas exigirá investimentos entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões, o equivalente a algo entre R$ 20,8 bilhões e R$ 26 bilhões. Os danos à infraestrutura são extensos e atingem diretamente a capacidade de funcionamento do país: escolas, hospitais, estradas, pontes e instalações de geração de energia foram severamente comprometidos.
Autoridades locais informaram que cerca de duas dezenas de pontes foram destruídas pela força das águas, o que compromete o transporte e a comunicação em vastas áreas atingidas. A destruição de usinas hidrelétricas adiciona um componente estratégico à crise, já que o Nepal depende fortemente da geração de energia para sustentar atividades econômicas e serviços essenciais.
Colapso da geleira e dinâmica da enchente
Avaliações preliminares indicam que o rompimento da geleira teria bloqueado temporariamente o curso de um rio antes de a enxurrada ser liberada, potencializando o efeito devastador da onda de água sobre as comunidades ribeirinhas. O fenômeno, ocorrido na quarta-feira (26), surpreendeu moradores e autoridades pela velocidade com que a inundação se espalhou.
A região atingida, historicamente vulnerável a eventos geológicos e climáticos, concentra hoje os esforços de resgate e também o início das discussões sobre prevenção. A ocorrência de tragédias desse tipo coloca em evidência a necessidade de sistemas de alerta mais robustos e de planejamento territorial em áreas de alta sensibilidade ambiental.
Cooperação internacional e pedidos ao exterior
Em meio à devastação, o Nepal formalizou pedidos de ajuda internacional em áreas consideradas especializadas. O ministro das Relações Exteriores, Shisir Khanal, afirmou que o país necessita de apoio técnico para o resgate de possíveis vítimas presas em túneis de usinas hidrelétricas, para a recuperação de sistemas de comunicação e transporte e para a identificação de corpos.
O governo também busca parcerias para a realização de testes de DNA e para ampliar a capacidade de armazenamento de corpos, reconhecendo que não dispõe de experiência suficiente em algumas dessas atividades. Paralelamente, o Nepal pediu à Índia e à China que antecipem a reabertura de rotas de transporte e comunicação nas regiões afetadas, medida considerada essencial para acelerar a chegada de suprimentos e o trabalho das equipes de resposta ao desastre.
A dimensão internacional da tragédia, que projetou o Nepal para o centro das atenções no noticiário de exterior, reforça a importância da cooperação transfronteiriça em momentos de crise.