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Discurso adotado por Marconi Perillo sobre valorização das forças policiais na campanha ao Governo de Goiás contrasta com episódios registrados durante suas administrações Análise relembra conflitos de Marconi Perillo com forças de segurança em Goiás

Fonte: podergoias.com.br | Data: 30/08/2026 08:06:25

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O discurso adotado por Marconi Perillo (PSDB) sobre valorização das forças policiais na campanha ao Governo de Goiás contrasta com episódios registrados durante suas administrações, segundo análise publicada pelo Jornal Opção. O texto recupera greves de servidores da segurança, dificuldades no cumprimento de acordos salariais, a criação do Serviço de Interesse Militar Voluntário Especial (Simve) e problemas de estrutura enfrentados pelas corporações para questionar a posição apresentada atualmente pelo tucano.

Marconi tem colocado a valorização dos policiais entre suas propostas nas sabatinas desta eleição. A análise reconhece medidas adotadas durante seus quatro mandatos, entre elas a criação do Comando de Operações de Divisas (COD), a construção de presídios e a compra de viaturas e equipamentos. O jornal pondera, porém, que a relação de suas gestões com as categorias também foi marcada por conflitos.

Um dos episódios ocorreu em 2013, quando agentes e policiais civis permaneceram quase 90 dias em greve. A categoria reivindicava reajuste correspondente a 60% do valor pago aos delegados, reestruturação da carreira e acesso ao bônus por produtividade. Durante a paralisação, cerca de 90 mil ocorrências deixaram de ser registradas nas delegacias goianas, conforme os dados recuperados pela análise.

À época, o então secretário de Segurança Pública, Joaquim Mesquita, participou de negociações intermediadas pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO). Em uma das reuniões, o governo informou que teria condições de conceder o bônus por produtividade, com percentuais entre 5% e 20%, proposta aceita pelos grevistas junto com a reestruturação da carreira. Antes do acordo, Marconi havia determinado o corte do ponto dos servidores que participavam da paralisação.

As divergências voltaram à pauta dois anos depois. Em 2015, profissionais da segurança cobraram o cumprimento de um acordo salarial firmado com bombeiros, agentes prisionais, policiais civis e militares. O reajuste havia sido dividido em quatro parcelas, mas o governo informou que não teria recursos para cumprir a segunda etapa conforme previsto.

Em 2014, havia sido pago o equivalente a 18,5% do reajuste. As três parcelas seguintes, de 12,33% cada, estavam previstas para 2015, 2016 e 2017. Naquele período, o então presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado de Goiás (Sinpol-GO), Paulo Sérgio Araújo, criticou a situação em declaração ao G1 Goiás, em novembro de 2015.

“Nós já não temos investimento em segurança pública, e agora, nem os acordos de reposição salarial serão cumpridos. O trabalhador fica sem vontade de trabalhar, sem o incentivo para trabalhar. E nós não queremos isso, nós queremos servir bem a sociedade”, afirmou na ocasião.

Simve entra no centro da crítica
Outro ponto utilizado pelo Jornal Opção para confrontar o atual discurso de Marconi é o Simve, criado em 2012 para reforçar o policiamento. O programa recrutava homens que haviam servido ao Exército, mas não tinham ingressado na Polícia Militar por concurso público. Os integrantes atuavam no policiamento comunitário e em rondas com viaturas.

Segundo os números citados na análise, cerca de 2,4 mil homens chegaram a integrar o programa, número equivalente a aproximadamente 16% do efetivo existente naquele período. Durante o curso de formação, recebiam R$ 939,33. Depois da conclusão, o valor passava para R$ 1.341,90, aproximadamente metade da remuneração de um policial militar concursado.

A análise relata ainda as condições enfrentadas por integrantes do programa que deixaram outras cidades para trabalhar em Goiânia. Um grupo de aproximadamente 15 homens que atuava na região do Real Conquista dividia uma mesma residência, com colchões espalhados pelo chão e tarefas domésticas distribuídas entre os moradores.

Em 2015, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucional a criação da categoria. Com a decisão, o Estado precisou buscar outras alternativas para recompor o efetivo policial.

O Jornal Opção também recupera episódios de insegurança registrados naquele período. Em uma das situações citadas, criminosos ligados a uma facção determinaram o fechamento do comércio e a permanência de moradores dentro de casa após a morte de um traficante. O episódio ficou conhecido como um “toque de recolher” e ocorreu em meio às reclamações das categorias sobre estrutura e condições de trabalho.

Polícia Civil ficou anos sem helicóptero
A estrutura aérea das forças de segurança também aparece na análise. Em 2012, sete pessoas morreram após a queda de um helicóptero da Polícia Civil durante a reconstituição de uma chacina em Doverlândia. Entre as vítimas estavam agentes, delegados e o acusado pelo crime. Após o acidente, a Polícia Civil permaneceu sem helicóptero próprio. Em entrevista concedida depois da reeleição, em 2014, Marconi afirmou que não havia previsão para a compra de outra aeronave e atribuiu a demora à burocracia.

Uma nova aeronave para a corporação foi entregue 13 anos depois, já durante o período das administrações de Ronaldo Caiado (PSD) e Daniel Vilela (MDB). Segundo os dados apresentados no texto, a estrutura da Secretaria de Segurança Pública conta atualmente com sete helicópteros, inclusive com aeronaves distribuídas em bases no interior.

A análise sustenta que valorização profissional não se limita à remuneração e deve incluir estrutura, equipamentos e condições para o exercício das funções. É a partir desse histórico que o Jornal Opção questiona o discurso adotado por Marconi nesta eleição e contrapõe as propostas atuais ao relacionamento de seus governos com policiais e demais servidores da segurança.

Marconi deixou o governo em abril de 2018 para disputar uma vaga no Senado, mas não foi eleito. Naquele mesmo ano, o grupo tucano perdeu a disputa pelo Palácio das Esmeraldas para Ronaldo Caiado. O texto do Jornal Opção conclui a análise ao relacionar esse histórico ao cenário eleitoral de 2026. Segundo a pesquisa Quaest citada pela publicação, Marconi registra 49% de rejeição e aparece com 20% das intenções de voto. Para o jornal, os números ajudam a dimensionar o desafio do tucano para convencer o eleitorado de que a valorização das forças de segurança será prioridade caso retorne ao governo.



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