IBGE 2026: Feira de Santana chega a 663,4 mil habitantes e lidera crescimento absoluto na Bahia; Salvador cai para 2,559 milhões
Fonte: jornalgrandebahia.com.br | Data: 31/08/2026 05:06:29
As Estimativas da População 2026 colocam Salvador e Feira de Santana no centro de duas tendências distintas da dinâmica demográfica da Bahia: enquanto a capital registra nova redução populacional, Feira amplia seu contingente e lidera o crescimento absoluto entre os municípios baianos. Os dados, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira (28/08/2026), têm como referência 1º de julho de 2026 e mostram a Bahia com 14,889 milhões de habitantes, crescimento de apenas 0,12% em relação a 2025.
Salvador permanece como o município mais populoso do estado, com 2.559.945 habitantes, equivalentes a 17,19% da população baiana, mas teve redução estimada de 0,17% em relação ao ano anterior. Feira de Santana, segunda colocada, alcançou 663.408 moradores, participação de 4,46% no total estadual e crescimento de 0,39%.
A diferença entre as duas maiores cidades também aparece em números absolutos. Feira acrescentou 2.602 habitantes à sua população estimada entre 2025 e 2026 e registrou o maior aumento absoluto do estado. Salvador, em sentido inverso, perdeu 4.259 moradores, maior redução absoluta entre todos os municípios brasileiros, segundo os dados apresentados pelo IBGE.
Feira de Santana amplia população e permanece como segundo maior município da Bahia
Com 663.408 habitantes, Feira de Santana consolida a segunda posição no ranking populacional baiano. A estimativa representa crescimento de 0,39% em um ano e acréscimo de 2.602 pessoas, o maior avanço absoluto registrado entre os 417 municípios da Bahia no período analisado.
O desempenho coloca Feira à frente, em crescimento numérico, de Vitória da Conquista, que ganhou 2.357 moradores, alcançando 398.970 habitantes, e de Camaçari, cujo contingente aumentou em 2.040 pessoas, chegando a 323.676 habitantes. As variações percentuais foram, respectivamente, de 0,59% e 0,63%.
A posição demográfica de Feira também se destaca pela estrutura da rede urbana estadual. Em toda a Bahia, somente Salvador e Feira de Santana têm mais de 500 mil habitantes. Outros 44 municípios estão na faixa superior a 50 mil e inferior a 500 mil moradores.
Salvador perde 4.259 habitantes e registra maior queda entre as capitais
Salvador, com população estimada em 2.559.945 habitantes, permanece como a maior cidade da Bahia, mas manteve a trajetória de redução observada anteriormente entre os Censos Demográficos de 2010 e 2022. Na passagem de 2025 para 2026, a queda estimada foi de 0,17%, correspondente a 4.259 habitantes a menos.
Em termos percentuais, o recuo de Salvador foi o maior entre as capitais brasileiras. Também registraram redução Natal, com -0,13%; Belém, com -0,08%; e Belo Horizonte, com -0,02%. Em números absolutos, Salvador apresentou a maior perda estimada entre todos os municípios do país.
Mesmo com a redução, a capital baiana continua sendo a quinta cidade mais populosa do Brasil, atrás de São Paulo, com 11.911.337 habitantes; Rio de Janeiro, com 6.731.133; Brasília, com 3.009.996; e Fortaleza, com 2.582.360.
Bahia cresce 0,12% e permanece abaixo da média nacional
A população estimada da Bahia chegou a 14,889 milhões de habitantes em 2026, crescimento de 0,12% em relação ao ano anterior. O percentual mantém o estado entre aqueles com menor expansão demográfica do país.
No mesmo período, a população brasileira teve crescimento estimado de 0,37%, alcançando 214,2 milhões de habitantes. Dessa forma, a taxa baiana ficou abaixo do avanço nacional.
A distribuição das variações municipais ajuda a explicar esse resultado. Dos 417 municípios baianos, 183, equivalentes a 43,9%, tiveram redução na população estimada. Outros 226 permaneceram estáveis ou cresceram até 0,9%, enquanto apenas oito municípios, ou 1,9% do total, apresentaram aumento superior a esse percentual.
Alterações territoriais influenciam parte dos maiores crescimentos
Entre as oito cidades que cresceram mais de 0,9%, seis tiveram ganhos populacionais associados a atualizações nos limites municipais. As alterações territoriais consideradas nas estimativas ocorreram entre maio de 2025 e abril de 2026.
Jussari apresentou a maior expansão percentual do estado, 5,46%, passando de 6.048 para 6.378 habitantes, acréscimo de 330 pessoas. O resultado ocorreu após ganho de território e de moradores anteriormente vinculados a Itaju do Colônia.
Na sequência aparecem Itagi, com 2,72% e população de 14.737 habitantes; Dário Meira, com 2,37% e 11.316 moradores; e Caravelas, com 1,57%, chegando a 21.719 habitantes. Os três municípios tiveram alterações territoriais com incorporação de população.
Luís Eduardo Magalhães e Nordestina crescem sem efeito de mudança territorial
Somente dois dos oito municípios com expansão superior a 0,9% não tiveram o crescimento associado a mudanças nos limites territoriais: Luís Eduardo Magalhães e Nordestina.
Luís Eduardo Magalhães teve crescimento estimado de 1,32%, passando de 118.382 para 119.947 habitantes, aumento de 1.565 pessoas. Nordestina registrou expansão de 0,97%, de 19.711 para 19.903 moradores, acréscimo de 192 habitantes.
No total, 117 municípios baianos tiveram atualizações em seus limites territoriais formalizadas pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI). Segundo as informações apresentadas, as mudanças decorreram do refinamento da malha cartográfica da Divisão Político-Administrativa estadual.
Dez maiores cidades concentram 34,7% dos habitantes da Bahia
A distribuição populacional também evidencia concentração em um grupo reduzido de municípios. Os dez municípios mais populosos, que representam apenas 2,4% das 417 cidades baianas, reúnem 34,7% da população estadual, aproximadamente 5,166 milhões de pessoas.
O ranking é liderado por Salvador, com 2.559.945 habitantes, seguida por Feira de Santana, com 663.408; Vitória da Conquista, com 398.970; Camaçari, 323.676; Juazeiro, 257.616; Lauro de Freitas, 221.023; Itabuna, 196.041; Ilhéus, 189.259; Porto Seguro, 184.087; e Barreiras, 172.521.
Outro indicador da concentração territorial é que 50,2% da população da Bahia, ou 7,477 milhões de pessoas, reside em apenas 34 municípios, correspondentes a 8,2% das cidades do estado.
Salvador e Feira representam tendências distintas entre os principais centros baianos
Os dados de 2026 reforçam a diferença entre as trajetórias das duas maiores cidades. Salvador concentra 17,19% da população estadual, mas mantém redução estimada, enquanto Feira de Santana responde por 4,46% dos habitantes da Bahia e continua avançando em números absolutos.
O movimento não autoriza, isoladamente, conclusões sobre causas econômicas ou migratórias específicas. As estimativas municipais são resultados de cálculos demográficos, e não de uma nova pesquisa censitária. O método utiliza as projeções populacionais para o Brasil e as unidades da Federação e as populações municipais apuradas nos Censos de 2010 e 2022.
Também são incorporadas modificações territoriais formalmente reconhecidas. Por isso, parte das variações observadas entre municípios não representa necessariamente crescimento demográfico decorrente exclusivamente de nascimentos, óbitos ou movimentos migratórios, podendo refletir transferências territoriais e de população.
Estimativas têm efeitos sobre parâmetros da administração pública
As estimativas divulgadas pelo IBGE têm data de referência em 1º de julho de 2026 e abrangem os 5.571 municípios brasileiros. A publicação segue as normas legais indicadas pelo instituto e fornece parâmetros utilizados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no cálculo dos fundos de participação de estados e municípios.
Essa finalidade amplia o interesse institucional dos números para além do acompanhamento demográfico. Alterações no contingente estimado integram o conjunto de informações empregado na definição de parâmetros administrativos e fiscais relacionados aos entes federativos.
Os resultados também permitem acompanhar mudanças na estrutura territorial da população baiana, marcada simultaneamente pela concentração em grandes centros urbanos, pelo baixo crescimento estadual e pela redução do número estimado de moradores em 43,9% dos municípios.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- 2010 — Censo Demográfico: população municipal recenseada passa a integrar uma das bases utilizadas no cálculo das estimativas posteriores do IBGE.
- 2022 — Censo Demográfico: novo levantamento censitário fornece a segunda referência municipal utilizada na metodologia das atuais estimativas; Salvador já apresentava redução populacional na comparação com 2010.
- Maio de 2025 a abril de 2026 — alterações territoriais: mudanças nos limites municipais ocorridas no período são incorporadas às estimativas de 2026.
- 2025 a 2026 — dinâmica demográfica: a Bahia cresce 0,12%; 183 municípios perdem população estimada, enquanto somente oito avançam mais de 0,9%.
- 1º de julho de 2026 — data de referência: o IBGE estabelece esta data como referência para as populações municipais estimadas em 2026.
- 28/08/2026 — divulgação: as Estimativas da População 2026 são publicadas no Diário Oficial da União e disponibilizadas pelo IBGE. Feira de Santana aparece com 663.408 habitantes, enquanto Salvador tem 2.559.945.
As estimativas de 2026 revelam uma Bahia com baixo crescimento populacional agregado e forte concentração dos habitantes em poucos municípios. O avanço estadual de 0,12%, inferior aos 0,37% do Brasil, ocorre simultaneamente à redução do contingente estimado em 183 cidades, indicando que a estabilidade do total estadual convive com trajetórias municipais distintas.
Nesse cenário, Salvador e Feira de Santana exigem atenção especial. A capital permanece responsável pela maior parcela da população baiana, mas registra perda anual de habitantes; Feira, por sua vez, preserva a condição de segundo maior município do estado e lidera a expansão absoluta. Os dados descrevem movimentos demográficos, mas não permitem, por si, atribuir causas específicas de natureza migratória, econômica ou social.
A leitura das maiores variações percentuais também exige cautela. Seis dos oito maiores crescimentos foram influenciados por atualizações territoriais, o que impede interpretar todos esses aumentos como expansão demográfica convencional. O acompanhamento dos próximos anos permitirá distinguir efeitos pontuais das alterações cartográficas de tendências populacionais continuadas.
A relevância pública das estimativas decorre tanto do retrato da distribuição territorial dos habitantes quanto de seu uso administrativo. IBGE, TCU, SEI, governos municipais e estadual integram o ambiente institucional diretamente relacionado à produção, atualização ou utilização desses dados. A evolução de Salvador, Feira de Santana e dos municípios afetados por alterações de limites deverá permanecer sob acompanhamento, especialmente porque as estimativas servem como parâmetro para mecanismos relacionados ao FPE e ao FPM.