Bandeira amarela eleva custos de famílias e empresas no RN
Fonte: tribunadonorte.com.br | Data: 01/09/2026 00:07:29
Redação Tribuna do Norte
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Fernando Azevêdo
Repórter
A manutenção da bandeira tarifária amarela na conta de luz, pelo quinto mês consecutivo, pressiona ainda mais o orçamento de consumidores e eleva os custos das empresas no RN. Confirmada para setembro, a cobrança adicional mantém o acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos, aumento que tende a ser repassado aos preços e chegar ao consumidor final.
Pedro Albuquerque, assessor técnico do Observatório da Indústria MAIS RN, da Federação das Indústrias do Estado (Fiern), explica que a energia elétrica pode representar mais de 40% dos custos de produção em setores intensivos – alimentos e bebidas, químico, têxtil e confecção.
Segundo ele, o impacto da bandeira amarela no setor industrial potiguar não é isolado. Ele se soma a um quadro de queda de produção industrial, aumento do desemprego no setor, juros altos e dificuldades de exportação.
“Esse acréscimo pesa desproporcionalmente sobre essas cadeias e, segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria, cada 1% de aumento na tarifa tende a reduzir a produção industrial em cerca de 0,10%. Além do custo imediato às empresas, há também o risco de repasse ao consumidor”, afirma.
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do RN (Fecomércio-RN) avalia que a manutenção da bandeira amarela pressiona a estrutura de custos das empresas do comércio e dos serviços. “Esse impacto tende a ser mais significativo nos negócios que possuem maior consumo de energia, como os que dependem de climatização, refrigeração, equipamentos elétricos e operações que funcionam por longos períodos”, diz.
A engenheira eletricista Mayra Lemos, da Neoenergia Cosern, explica que o sistema de bandeiras serve “para sinalizar ao consumidor os custos reais da geração de energia elétrica no Brasil”. Quando a conta de luz é calculada pela bandeira verde, não há acréscimo. Quando são aplicadas as bandeiras vermelha ou amarela, a conta sofre acréscimo a cada 100 kWh consumido.
Para o economista Helder Cavalcanti, a manutenção da bandeira amarela reduz ainda mais a renda das famílias. “Precisamos olhar a conta de energia dentro do orçamento completo da família. Energia é uma despesa praticamente obrigatória e, quando aumenta junto com alimentação, transporte, aluguel, crédito e outros gastos essenciais, reduz ainda mais a renda disponível”, diz
A pressão nos custos é percebida em restaurantes em Natal. Lucas França, gerente do Bob’s do Shopping 10, conta que, mesmo usando energia solar, a conta de luz da unidade “continua vindo alta”. “Desconta uma parte e ainda assim […] está mais alta”.
Segundo ele, há dois anos a conta de luz mensal custava cerca de R$ 3.500, e hoje chega a R$ 5.000. O estabelecimento divide parte da geração solar com outras duas unidades. Lucas França diz que, se não fosse a solar, a conta poderia vir R$ 6.000.
Francisco Wagner Medeiros, chefe de cozinha no restaurante Papa Jerimum, afirma que a conta de energia do estabelecimento também tem ficado mais cara. O estabelecimento avalia adotar energia solar. “Temos uns oito freezers. O consumo é alto. Cada dia, a conta cresce mais ainda”, diz.
Dicas de economia
Para Mayra Lemos, da Neoenergia Cosern, consumir energia de forma consciente é a melhor maneira de reduzir gastos sem abrir mão do conforto. “Com atitudes simples no dia a dia, os potiguares podem perceber uma economia significativa na conta de energia ao final do mês”, diz a engenheira.
Algumas das recomendações dela são: substituir lâmpadas antigas por modelos de LED, priorizar a compra de eletrodomésticos com o Selo Procel de Eficiência Energética, que têm melhor desempenho e menor consumo.
Também é válido usar o chuveiro elétrico na posição morna; manter aparelhos de ar-condicionado ajustados entre 22°C e 23°C, com portas e janelas fechadas; evitar colocar alimentos quentes na geladeira e minimizar o uso da função vapor do ferro de passar.