Paraíba, referência em energia renovável, pode se beneficiar de coalizão latino-americana nascida em Alagoas
Fonte: paraibabusiness.com.br | Data: 01/09/2026 16:08:55

A Paraíba já opera 61 parques de energia solar e eólica, com capacidade instalada de 2 gigawatts (GW), dos quais 74,12% vêm de fontes renováveis, segundo dados do Governo do Estado. É esse tipo de experiência acumulada no setor que pode ganhar novo fôlego a partir de Alagoas, que se tornou nesta semana o ponto de partida de uma coalizão latino-americana voltada ao avanço da energia limpa — com o objetivo declarado de compartilhar experiências locais para impulsionar a transição energética em todo o Nordeste e no restante do país.
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Paraíba já é referência nacional em energia renovável
O estado tem histórico concreto para contribuir com — e se beneficiar de — esse tipo de coalizão regional. Em 2023, a Paraíba inaugurou o Complexo Renovável Neoenergia, no sertão paraibano, reunindo 15 parques eólicos com 136 aerogeradores e capacidade de 471 megawatts (MW) — um empreendimento que, sozinho, responde por 30% de toda a capacidade de geração de energia do estado, segundo o Ministério de Minas e Energia. Mais recentemente, o Complexo Eólico Serra da Borborema, da EDP Renováveis Brasil — controlada pelo grupo português EDPR —, garantiu R$ 105 milhões em financiamento do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) para a etapa Borborema II, dentro de um investimento privado total de R$ 1,4 bilhão para todo o complexo, que já soma 123 MW de capacidade instalada.
O secretário de Estado da Infraestrutura e dos Recursos Hídricos da Paraíba, Deusdete Queiroga, já havia sinalizado o tamanho do potencial em aberto: segundo ele, o Atlas eólico do estado pode ajudar a viabilizar investimentos de até R$ 14 bilhões, dentro de uma meta mais ampla do Consórcio Nordeste — hoje presidido pelo governo paraibano — de atrair R$ 140 bilhões para a região com a prorrogação de projetos já outorgados.

O modelo alagoano que pode ser replicado no Nordeste
A coalizão lançada em Alagoas tem como foco a adoção de fontes renováveis, com destaque para projetos de energia solar, eólica e outras tecnologias verdes desenvolvidas no estado, que reúne condições consideradas favoráveis para esse tipo de solução. A experiência alagoana inclui políticas públicas e parcerias com o setor privado que facilitam investimentos em energia limpa — modelo semelhante ao que a própria Paraíba já adota por meio da Política Estadual de Incentivo à Geração e Aproveitamento da Energia Solar e Eólica, que garante isenção de ICMS para equipamentos do setor, como aerogeradores e painéis solares.
Segundo a iniciativa, essas práticas serão adaptadas para aplicação em outras unidades federativas do Nordeste e em outros países da América Latina, considerando os desafios regionais específicos de cada território.
O gargalo que ainda trava o avanço do setor na Paraíba
Apesar do potencial, o próprio governo estadual já reconheceu publicamente qual é o principal entrave para transformar capacidade instalada em geração efetiva: as linhas de transmissão. A limitação na infraestrutura de escoamento da energia gerada nos parques eólicos e solares do interior segue como um dos principais gargalos apontados por técnicos do setor — um ponto que tende a ganhar relevância também no debate promovido pela nova coalizão latino-americana, já que a integração de experiências regionais passa necessariamente pela solução de entraves de infraestrutura semelhantes entre os estados nordestinos.
O que a coalizão promete para os próximos anos
Representantes do setor energético projetam que a iniciativa lançada em Alagoas pode impulsionar investimentos superiores a R$ 1 bilhão nos próximos cinco anos, com impacto direto nos mercados locais da região. A expectativa é de que a consolidação da coalizão amplie a participação de fontes limpas na matriz energética regional, reduza a emissão de gases de efeito estufa e contribua para metas climáticas, alinhando o Nordeste a compromissos internacionais de segurança energética.
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O Paraíba Business acompanha os desdobramentos da coalizão latino-americana de energia limpa e seus possíveis efeitos sobre os investimentos em energia renovável na Paraíba.