PF aponta edição vinculada a Alexandre de Moraes em contrato do Banco Master
Fonte: plox.com.br | Data: 01/09/2026 16:43:15
Metadados examinados pela Polícia Federal indicam que uma versão do contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados foi modificada por um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. O documento previa uma contratação de valor milionário pela instituição de Daniel Vorcaro junto à banca comandada por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha de S.Paulo nesta terça-feira (1º).
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O arquivo foi encontrado no celular de Vorcaro, que havia sido apreendido pela PF. De acordo com a apuração, o histórico do documento mostra que ele foi aberto e recebeu alterações no Office 365 antes da assinatura final, sob uma conta associada ao nome de Alexandre de Moraes.
Verificação de possíveis restrições
O Barci de Moraes confirmou que o ministro consultou o contrato. Segundo o escritório, a verificação foi feita no âmbito do compliance para identificar eventuais restrições legais à contratação, já que Moraes é casado com a sócia-diretora da banca.
A defesa do escritório sustenta que não existia impedimento, pois o ministro não teria analisado processos relacionados ao Banco Master. A banca também afirma que os serviços previstos foram prestados e já havia declarado não ter representado o banco em ações no STF.
Valores e apuração em curso
O acordo estabelecia o pagamento de 36 mensalidades de R$ 3 milhões líquidos, o que equivaleria a R$ 108 milhões em honorários. Como os valores foram previstos livres de tributos, o desembolso bruto estimado alcançava cerca de R$ 131,27 milhões.
Os elementos reunidos na investigação apontam ainda que Viviane Barci encaminhou uma minuta do contrato a Vorcaro em 11 de janeiro de 2024. O banqueiro teria devolvido o arquivo com alterações quatro dias mais tarde. Em seguida, os metadados registram uma nova modificação, atribuída ao perfil identificado com o nome do ministro.
O material integra o inquérito que apura questões relacionadas ao Banco Master. Relator do caso no STF, o ministro André Mendonça determinou o envio dos dados à Procuradoria-Geral da República, que recebeu prazo de cinco dias para se manifestar sobre o conteúdo remetido pela Polícia Federal.