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Lula evitará aproximação com Moraes após revelações do caso Master

Fonte: brasil247.com | Data: 02/09/2026 04:43:30

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247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitará uma aproximação pública com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para conter o desgaste eleitoral provocado pelo relatório da Polícia Federal que expôs suspeitas sobre a atuação do magistrado no caso do Banco Master. Enquanto o petista pretende se manter distante da controvérsia, adversários na disputa pelo Palácio do Planalto ampliaram as críticas ao integrante da Corte.

A estratégia foi relatada por aliados de Lula ao jornal O Globo. Segundo a publicação, o presidente deverá evitar manifestações espontâneas sobre o episódio e, caso seja questionado, sustentar que o Supremo é um Poder independente, cujas questões internas não estão sujeitas à interferência do Executivo.

Interlocutores do presidente avaliam que qualquer gesto de solidariedade a Moraes poderia custar votos e reforçar, perante uma parcela do eleitorado, a percepção de proximidade entre o governo e o STF.

O relatório policial levantou a suspeita de que Vorcaro recebeu orientações de Moraes durante a crise que antecedeu a liquidação da instituição financeira. De acordo com as mensagens citadas na reportagem, o ex-banqueiro buscou a intervenção do ministro para tentar impedir o encerramento das atividades do banco e conter o avanço das investigações.

As conversas abrangem um intervalo de 13 dias. Nesse período, Vorcaro discutiu tentativas de “sensibilizar” autoridades e perguntou como poderia “desarmar” e “reverter” a situação enfrentada pela instituição. As informações fazem parte do material reunido pela investigação e não representam, por si só, uma conclusão definitiva sobre a conduta do magistrado.

Planalto monitora desgaste do STF

O Palácio do Planalto acompanha levantamentos segundo os quais parte da população associa decisões e controvérsias do Supremo ao governo Lula. Essa vinculação preocupa auxiliares do presidente, sobretudo durante a campanha em que ele busca conquistar um quarto mandato.

O governo já havia adotado uma postura de distanciamento da Corte no primeiro trimestre deste ano, quando as repercussões do caso Master começaram a afetar a imagem institucional do STF. Apesar do afastamento público, Lula manteve, ao longo do terceiro mandato, encontros periódicos com ministros como Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin.

A relação entre Lula e Moraes é considerada amistosa, mas passou por momentos de tensão. Um deles ocorreu após o Senado rejeitar, no fim de abril, a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo. Na ocasião, aliados transmitiram ao presidente a informação de que Moraes teria atuado contra a aprovação do nome escolhido pelo Planalto.

Os dois voltaram a se aproximar posteriormente. Moraes participou, inclusive, da articulação que restabeleceu o diálogo entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A reaproximação ocorreu durante um jantar realizado em 4 de agosto na residência do ministro, em Brasília.

Adversários elevam o tom contra Moraes

Os presidenciáveis de direita Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) reagiram publicamente às informações presentes no relatório da Polícia Federal.

Flávio Bolsonaro defendeu a saída de Moraes do Supremo e declarou que o ministro “não tem menor condição dele continuar sendo ministro do Supremo”.

Romeu Zema adotou um discurso ainda mais duro. “Impeachment é pouco, ele merece é cadeia”, afirmou o governador de Minas Gerais.

Augusto Cury, por sua vez, aproveitou o episódio para defender uma mudança na duração dos mandatos dos ministros do STF. “Temos que romper com isso”, declarou ao criticar a vitaliciedade dos cargos na Corte.

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