Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Caso Banco Master expõe tensão entre André Mendonça, PF e PGR

Fonte: cearanoticias.net.br | Data: 02/09/2026 10:59:43

🔗 Ler matéria original

A investigação sobre o Banco Master ganhou um novo capítulo de tensão institucional após uma ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, levar a Polícia Federal a elaborar um relatório com análise de mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, também integrante da Corte.

O caso ganhou repercussão nesta terça-feira (1º/9), quando Mendonça retirou o sigilo de documentos da investigação. O material expôs mensagens atribuídas a Vorcaro e analisadas pela Polícia Federal, incluindo conversas que indicariam tentativas do ex-controlador do Banco Master de acionar contatos no Judiciário, na Polícia Federal e na Procuradoria-Geral da República diante do avanço das apurações.

Segundo as informações divulgadas, a ordem de Mendonça foi apresentada em uma reunião com integrantes da PF na semana anterior. A determinação teria causado desconforto entre investigadores, que passaram a temer que a inclusão de autoridades com foro no Supremo, como Alexandre de Moraes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pudesse ser interpretada como excesso e gerar questionamentos futuros sobre a validade das investigações.

A principal preocupação dentro da corporação seria o risco de a apuração ser vista como conduzida diretamente pelo relator, e não pela Polícia Federal. Investigadores ouvidos pela imprensa avaliaram que a ordem poderia abrir brecha para alegações de interferência na autonomia da PF, especialmente porque Mendonça teria determinado a identificação, em prazo de 72 horas, de todas as pessoas mencionadas em determinadas mensagens localizadas no celular de Vorcaro.

O relatório tornado público aponta que Vorcaro manteve diálogos com Moraes em meio ao avanço das investigações sobre o Banco Master. Em um dos pontos mais sensíveis, as mensagens indicam que o ex-banqueiro consultou o ministro sobre risco de prisão e sobre a possibilidade de deixar o país dias antes de ser preso ao tentar viajar para o exterior.

A Polícia Federal também identificou que parte das mensagens teria sido enviada de forma incomum: Vorcaro escrevia textos no bloco de notas do celular, fazia capturas de tela e encaminhava as imagens como mensagens de visualização única no WhatsApp. Esse procedimento foi destacado pela PF na análise técnica do material apreendido.

O caso não envolve apenas Moraes. As mensagens também citam o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o que ampliou a sensibilidade institucional da apuração. Para integrantes da PF, avançar sobre autoridades desse nível exige cautela jurídica para evitar nulidades e proteger a investigação principal relacionada ao Banco Master.

A atuação de André Mendonça ocorre em um contexto de outros atritos com a cúpula da PF e com a PGR. O ministro é relator de investigações ligadas às operações Compliance Zero, sobre o Banco Master, e Sem Desconto, que apura fraudes no INSS e teve desdobramentos envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Mendonça tem cobrado maior velocidade nas apurações, enquanto setores da PF veem algumas determinações como tentativa de controle sobre a condução dos trabalhos.

A relação com a Procuradoria-Geral da República também ficou tensionada porque a PGR defendeu o envio de parte do material relacionado a Lulinha para a primeira instância, sob o argumento de que não haveria investigados com foro especial no Supremo nesse trecho da apuração. A decisão de manter e concentrar atos no gabinete de Mendonça passou a ser vista como mais um ponto de disputa sobre competência e limites da atuação do relator.

Na prática, o caso reúne três camadas de crise. A primeira é a investigação financeira sobre o Banco Master e seus desdobramentos. A segunda é a exposição de mensagens entre um investigado e um ministro do STF. A terceira é o conflito institucional sobre até onde um relator pode determinar o rumo de diligências da Polícia Federal sem comprometer a independência da investigação.

O ponto central, agora, será saber se o material revelado levará a novos pedidos de investigação envolvendo autoridades com foro privilegiado ou se a controvérsia ficará concentrada na disputa sobre os limites da atuação de André Mendonça. Enquanto isso, o caso amplia o desgaste interno no Supremo e coloca PF, PGR e ministros da Corte sob pressão em uma apuração de forte impacto político e jurídico.