Contrato de R$ 108 milhões envolve escritório de Moraes e Banco Master
Fonte: portalpapoaberto.com.br | Data: 02/09/2026 11:18:46
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira (2) que a Corte poderá adotar medidas diante de “sérios elementos de fatos” sob análise da Presidência do tribunal. Segundo o magistrado, os indícios terão encaminhamento institucional e as providências serão anunciadas após a conclusão da análise.
A manifestação ocorre após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de documentos de investigação sobre mensagens, encontros e contratos envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o escritório Barci de Moraes, gerido por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
Relatório da Polícia Federal (PF) aponta a existência de um contrato firmado em janeiro de 2024 entre o Banco Master e o escritório, prevendo 36 parcelas de R$ 3 milhões, totalizando R$ 108 milhões. A PF identificou que uma das versões da minuta do documento foi alterada por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.
A investigação registrou encontros entre Vorcaro e Moraes em março e abril de 2025. Mensagens de outubro e novembro de 2025 mostram o banqueiro questionando o andamento de investigações sobre o Banco Master. O escritório Barci de Moraes informou que o ministro foi consultado pelo setor de compliance antes da assinatura do contrato e que não havia atuação perante o STF em processos da instituição.
Os autos também detalham uma reunião de duas horas entre Vorcaro e André Mendonça em 14 de março de 2025, em São Paulo, no endereço de um instituto fundado pelo ministro. A aproximação teria sido articulada pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP).
Mendonça confirmou o encontro único, por iniciativa do empresário, para tratar da STP 976, processo sobre créditos de precatórios do Banco Master. O ministro afirmou que o processo estava sob pedido de vista na data e que sua atuação no caso foi contrária à posição defendida por Vorcaro.
Em nota, Fachin declarou que o momento exige “serenidade, responsabilidade e firmeza” e que integrantes da Corte estão sujeitos a deveres e limites previstos na Constituição e nas leis.