Protesto de rodoviários bloqueia Pan Nordestina após ataque a motorista em Olinda; via está sendo liberada
Fonte: jc.uol.com.br | Data: 02/09/2026 12:39:06
Ato na altura do Complexo de Salgadinho cobrou segurança para a categoria; via foi liberada ao meio-dia, mas ônibus de Jardim Brasil não circulam
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Um protesto de rodoviários bloqueou parcialmente a Avenida Pan Nordestina, em Olinda, no sentido Recife, durante a manhã desta quarta-feira (2).
A manifestação, concentrada nas proximidades do Complexo de Salgadinho, provocou quilômetros de congestionamento e passageiros tiveram que caminhar pela pista para chegar aos seus destinos. A via começou a ser liberada por volta das 12h, mas a circulação de ônibus das linhas Jardim Brasil I e II permanece suspensa.
A mobilização ocorreu após um motorista de 55 anos ser rendido e ter o corpo atingido por chamas dentro do coletivo que dirigia, na linha Jardim Brasil/Joana Bezerra. Segundo os trabalhadores, o profissional foi abordado por criminosos em duas motos no Terminal de Jardim Brasil I e forçado a dirigir por cerca de 300 metros até a Vila Popular, onde o veículo foi incendiado com gasolina. O rodoviário sofreu queimaduras no rosto, cabelo e mão, foi socorrido e já recebeu alta hospitalar.
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Rodoviários são afetados por violência
Representantes da categoria afirmam que relatos de violência vêm se repetindo há pelo menos uma semana na região e acreditam que a ação possa estar relacionada a disputas entre facções criminosas locais. Dados apresentados pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Pernambuco (Sintro-PE) mostram um panorama crítico da segurança na Região Metropolitana do Recife este ano:
- 1.372 episódios de violência envolvendo trabalhadores do setor;
- 2.600 afastamentos de rodoviários registrados no período;
- 1.112 profissionais afastados especificamente por motivos psicológicos.
Além disso, esse é o terceiro episódio de ônibus incendiado esse ano, sendo um no Ibura e um na Iputinga.
O presidente do Sintro-PE, Roberto Carlos, classificou o ataque desta quarta-feira como gravíssimo. “No meu ponto de vista, isso é uma tentativa de homicídio, quando ateia fogo em uma pessoa é uma tentativa. Desde a manhã estamos aqui pedindo socorro”, afirmou.
O dirigente sindical reforçou que o foco da manifestação é a proteção da vida dos trabalhadores.
“Não estamos falando de patrimônio, ônibus pode ser substituído, estamos falando de uma pessoa que foi queimada, a vida de um pai de família que saiu para cumprir sua obrigação e de repente se depara com essa violência. Todos os motoristas estão também solidários, e fica a pergunta: quem é o próximo?”, completou.
Roberto Carlos ressaltou ainda que o ato foi organizado de forma a garantir a passagem de ambulâncias e viaturas de emergência.
Posicionamento oficial
Em nota, o Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano (GRCTM) repudiou o episódio e informou que acionou a Secretaria de Defesa Social (SDS) para auxiliar na identificação e na responsabilização judicial dos criminosos.
O consórcio destacou que atos de violência contra o sistema comprometem a operação do serviço e impactam diretamente os passageiros que dependem do transporte público diariamente.
Confira a nota na íntegra:
“O Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano (GRCTM) manifesta seu mais veemente repúdio a qualquer forma de violência contra o sistema de transporte público e seus trabalhadores.
A entidade se solidariza com o motorista e com toda a categoria dos rodoviários em razão do episódio ocorrido nesta quarta-feira (02), na Vila Popular, em Olinda.
De acordo com informações iniciais, indivíduos utilizaram gasolina para tentar atear fogo ao ônibus. Durante a ação, o motorista foi atingido pelas chamas, recebeu atendimento e, segundo as mesmas informações, passa bem.
Apesar da gravidade do ato criminoso, as chamas não se alastraram e o veículo não foi consumido pelo fogo. Até o momento, não há informações sobre a motivação do ocorrido.
A Secretaria de Defesa Social (SDS) foi acionada e contará com todo o apoio do Grande Recife para que os responsáveis sejam identificados e respondam judicialmente por seus atos.
O GRCTM reforça que qualquer ato de violência contra motoristas compromete a operação do transporte público, afetando diretamente os passageiros que dependem diariamente do serviço.”