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Advogado teria criado ‘máfia das cantinas’ enquanto estava preso no Rio

Fonte: povonarua.com.br | Data: 02/09/2026 13:05:27

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O acusado teria idealizado esquema durante período em que cumpria pena por fraude; cartel controlou cantinas de presídios por quase dez anos

Um dos advogados apontados como integrantes da chamada “máfia das cantinas” teria começado a idealizar o esquema criminoso enquanto ainda estava preso. Segundo as investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), Leandro Rodrigues Mendonça cumpria pena por fraude envolvendo o seguro DPVAT quando surgiu a ideia de criar o cartel que, posteriormente, passou a controlar a exploração comercial de cantinas de unidades prisionais do estado.

Após deixar a prisão, o advogado teria colocado o plano em prática. Ele e o também advogado Alexandre Costa da Silva estão entre os 22 denunciados pelo Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ). A denúncia foi aceita pela 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa e todos se tornaram réus pelos crimes de organização criminosa e fraude em licitação.

As novas informações surgiram após a segunda fase da Operação Snack Time, realizada nesta terça-feira, dia 1º de setembro. Durante as buscas, agentes apreenderam joias e dinheiro em espécie na residência do policial penal Ronaldo Barbosa Souza, também apontado como um dos integrantes do núcleo de comando do esquema.

De acordo com o MPRJ, a organização criminosa teria atuado entre 2015 e 2024. Empresas que aparentemente concorriam entre si nas licitações para exploração das cantinas seriam, na verdade, controladas pelo mesmo grupo.

Os integrantes acertavam previamente a distribuição dos lotes e, segundo a denúncia, chegaram a contar com a participação de agentes públicos para afastar concorrentes que não faziam parte do esquema. Em uma licitação realizada em 2019, empresas ligadas ao cartel teriam conquistado 38 dos 40 lotes disponíveis.

Entre os denunciados está o ex-subsecretário de Gestão, Finanças e Planejamento Rafael Rodrigues de Andrade. Segundo o Gaeco, o então servidor teria utilizado o cargo para favorecer o grupo, desclassificando empresas que não participavam do cartel.

Além de Leandro, Alexandre, Ronaldo e Rafael, o MPRJ aponta Anderson Sabino de Oliveira, Arildo Santana Filho e Sérgio Rômulo Ferreira do Nascimento entre os integrantes com poder de decisão na organização criminosa.

O esquema teria causado prejuízo superior a R$ 25 milhões aos cofres públicos. O Ministério Público pediu à Justiça que os denunciados sejam condenados ao pagamento desse valor como reparação pelos danos causados.

As atividades das cantinas nos presídios do Rio foram encerradas em 2024. A primeira fase da Operação Snack Time ocorreu em novembro daquele ano, quando quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos.