Gestão Emanuel manteve Banco Master na folha dos servidores por cinco anos
Fonte: olivre.com.br | Data: 02/09/2026 14:25:58
Contrato para oferta de consignados começou em 2020 e não foi renovado pela administração de Abilio Brunini
Um contrato firmado durante a gestão do ex-prefeito Emanuel Pinheiro (PSD) manteve o Banco Master autorizado a oferecer empréstimos consignados aos servidores municipais de Cuiabá por cinco anos. O vínculo terminou em setembro de 2025 e não foi renovado pela administração de Abilio Brunini (PL).
Segundo documentos obtidos pelo site Olhar Direto, o credenciamento começou em 8 de setembro de 2020, quando a instituição ainda se chamava Banco Máxima S.A. O acordo foi celebrado por meio da Secretaria Municipal de Gestão e permitia a concessão de empréstimos e financiamentos com parcelas descontadas diretamente da folha salarial.
Emanuel aparece no documento como prefeito e representante do município. A assinatura, entretanto, foi feita pela então secretária municipal de Gestão, Ozenira Félix Soares de Souza.
O vínculo permaneceu em vigor por meio de sucessivas prorrogações. Nos documentos posteriores, a instituição já aparece com a denominação Banco Master S.A., e os termos aditivos também alteraram as condições oferecidas aos servidores.
Em 2022, por exemplo, o prazo máximo para o pagamento de novos empréstimos e refinanciamentos passou de 96 para 120 meses. No ano seguinte, outro aditivo preservou a autorização para operações de crédito, financiamentos e cartão de crédito consignado.
O contrato expirou em 8 de setembro de 2025, durante a gestão de Abilio, e não teve nova prorrogação. O encerramento aconteceu cerca de dois meses antes de o Banco Central determinar a liquidação extrajudicial da instituição, em 18 de novembro.
A decisão do Banco Central também alcançou o Banco Master de Investimento S.A., o Banco Letsbank S.A. e a Master S.A. Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários. O órgão ainda impôs regime especial ao Banco Master Múltiplo S.A.
O banco passou a ter maior exposição nacional após a Operação Compliance Zero, que revelou mensagens atribuídas pela Polícia Federal ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono da instituição, em conversas com autoridades.
De acordo com a Folha, o ministro André Mendonça pediu que o Supremo Tribunal Federal realize uma sessão presencial para discutir mensagens que indicariam interlocução entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.