Empresários ligados ao Porto doam R$ 50 mil a Alberto Neto
Fonte: portaltucuma.com.br | Data: 02/09/2026 20:02:12
Manaus (AM) — Os empresários Alessandro Bronze Toniza e Carlos Antonio de Carli Filho, ligados à administração de atividades comerciais e operacionais no Porto de Manaus, estão entre os doadores da campanha de Alberto Barros Cavalcante Neto, o Capitão Alberto Neto (PL), candidato ao Senado pelo Amazonas nas eleições de 2026. Juntos, os dois empresários contribuíram com R$ 50 mil para a campanha, segundo o relatório de prestação de contas eleitorais atualizado em 28 de agosto de 2026.
Alessandro Bronze, além de doador, é o 1º suplente da chapa de Alberto Neto ao Senado, registrada pelo PL sob o número #222 e integrante da coligação majoritária “Mudar é Urgente”, formada por PL e NOVO. Ele doou R$ 25 mil à campanha, enquanto Carlos Antonio de Carli Filho, que também mantém vínculos empresariais com o complexo portuário, fez uma contribuição no mesmo valor.
Os dados foram retirados do Sistema de Divulgação de Candidaturas (Divulgacand) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Até 28 de agosto, a campanha havia registrado R$ 3.870.000,00 em receitas líquidas, integralmente financeiras, sendo R$ 3.800.000,00 provenientes de doações de partidos, R$ 45 mil de pessoas físicas e R$ 25 mil classificados como recursos próprios.

Empresários e empresas ligadas ao Porto
A relação entre os dois doadores também aparece na estrutura societária de empresas relacionadas ao complexo portuário. Alessandro Bronze Toniza ocupa a Presidência da Roadway Centro Comercial S.A. – SPE, enquanto Carlos Antonio de Carli Filho exerce a função de Diretor da mesma empresa, que administra o espaço comercial e de serviços dentro do complexo portuário.
Carlos Antonio também aparece como Administrador da Rio Negro Operações Portuárias Eireli e como representante legal da empresa sócia Sierra do Brasil Ltda. Dessa forma, os registros empresariais apresentados no levantamento conectam os dois doadores não apenas entre si, mas também a diferentes empresas que atuam em atividades relacionadas ao Porto de Manaus.
A relação ocorre em um contexto de questionamentos sobre a estrutura e o funcionamento do terminal. Em 13 de agosto de 2026, o Ministério Público Federal publicou a instauração de um Inquérito Civil, por meio da Portaria nº 5, de 4 de agosto de 2026, para apurar problemas de infraestrutura física e segurança no Porto de Manaus.
Entre os pontos investigados pelo MPF estão a ausência de Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) e falhas na separação física entre áreas destinadas a cargas e passageiros. O procedimento também trata da adoção de medidas relacionadas à realização de “eventos culturais em áreas afetas à operação portuária”, diante dos riscos de segurança apontados no documento.
Histórico judicial e denúncias sobre cobranças
A relação de Alessandro Bronze com atividades ligadas ao Porto de Manaus também possui registros anteriores na Justiça Federal. Em 2013, ele teve bens e contas bancárias bloqueados em uma Ação Civil Pública por Improbidade Administrativa movida pelo Ministério Público Federal.
Segundo a acusação mencionada no levantamento, bens federais teriam sido vendidos de forma irregular para quitar dívidas de empresas arrendatárias privadas administradas por Alessandro. Entre os bens estavam um cais flutuante de 100 metros, vendido por R$ 100 mil, e dois ônibus, por R$ 80 mil cada; à época, o MPF afirmou que as empresas, em vez de cumprir a obrigação de revitalizar o terminal, “contribuíram para a sua degradação”.
O levantamento também aponta que o patrimônio declarado por Alessandro Bronze à Justiça Eleitoral passou de R$ 6.660.000,00 em 2016 para R$ 23.440.559,98 em 2026, uma variação de 252% no período. Os valores são referentes às declarações patrimoniais apresentadas nos respectivos pleitos e não constituem, por si só, indicação de irregularidade patrimonial.
Outro ponto levantado envolve reclamações de usuários do Porto de Manaus registradas na plataforma Reclame Aqui. Os relatos mencionados no levantamento apontam cobranças consideradas abusivas, incluindo aumento de 50% na taxa de entrada de encomendas, além de cobranças realizadas em balsas de embarque por meio de registros de terceiros, como MEIs, sem identificação clara da administração portuária.
Nesse contexto, os dados eleitorais colocam lado a lado os vínculos empresariais e portuários de Alessandro Bronze Toniza e Carlos Antonio de Carli Filho e suas contribuições para a candidatura de Alberto Neto ao Senado. A documentação eleitoral registra ainda que Bronze integra oficialmente a chapa como 1º suplente, enquanto os registros empresariais apontam sua atuação conjunta com De Carli na Roadway Centro Comercial S.A. – SPE.