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Expointer 2026: raízes fortes, horizontes sustentáveis

Fonte: osul.com.br | Data: 03/09/2026 00:25:19

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Por

Renato Zimmermann

| 3 de setembro de 2026

A Expointer 2026 pulsa em Esteio como um coração que bate no ritmo do campo e da cidade. (Foto: Daniela Barcellos/Palácio Piratini)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

A Expointer 2026 pulsa em Esteio como um coração que bate no ritmo do campo e da cidade. São dias em que o Parque Assis Brasil se transforma em palco de encontros improváveis: crianças que correm para ver ovelhas e cavalos crioulos, empresários que calculam cifras milionárias em leilões de animais de elite, famílias que se encantam com a agricultura familiar e jovens que descobrem no agronegócio um futuro possível. A feira, que vai de 29 de agosto a 6 de setembro, é tradição e espetáculo, mas também é laboratório vivo de inovação e consciência ambiental.

Os negócios impressionam. Máquinas agrícolas que custam milhões, contratos de exportação assinados em pavilhões discretos, leilões que movimentam cifras capazes de mudar a vida de produtores. Mas o que me chama atenção é como, entre o brilho dos números, cresce o espaço para a sustentabilidade. A agricultura familiar, com seus mais de 500 expositores, mostra que é possível gerar renda e manter raízes culturais. Ali, produtos orgânicos, agroindústrias de pequeno porte e cooperativas revelam que o futuro do campo não precisa ser apenas mecanizado, mas também humano e ecológico.

O público se mistura e se transforma. O olhar curioso das crianças diante dos animais é uma lembrança de que o campo não é apenas negócio, mas também afeto e memória. O estudante que participa de um painel sobre transição energética descobre que o agronegócio pode ser protagonista na luta contra o aquecimento global. O produtor que assiste a uma demonstração de irrigação inteligente percebe que tecnologia e tradição podem caminhar juntas. Essa dinâmica, esse cruzamento de interesses, é o que torna a Expointer tão viva.

Nesta edição, a pauta da sustentabilidade ganhou força. Painéis discutem o uso consciente do solo, práticas regenerativas e tecnologias de descarbonização. Há debates sobre energia renovável aplicada às propriedades rurais, sobre eficiência hídrica e sobre como a pecuária pode reduzir sua pegada de carbono.

Startups apresentam soluções digitais para monitorar lavouras e otimizar recursos, enquanto universidades trazem pesquisas sobre bioenergia e agricultura de baixo impacto. É como se a feira fosse um espelho do mundo: tradição e inovação, passado e futuro, convivendo lado a lado.

A transição energética aparece como horizonte. O agronegócio, tantas vezes visto apenas como vilão ambiental, mostra que pode ser parte da solução. Há projetos de geração de energia solar em propriedades rurais, sistemas de biogás que transformam resíduos em energia limpa, e máquinas agrícolas mais eficientes que reduzem emissões. O campo, que sempre foi força motriz da economia, agora se apresenta como aliado na proteção do planeta. É um movimento lento, mas perceptível, e a Expointer é o palco onde essa mudança se revela.

Os concursos de animais continuam sendo espetáculo à parte. Julgamentos de bovinos rústicos, provas de cavalos crioulos, demonstrações de técnicas de manejo encantam o público. Mas até nesses momentos, a sustentabilidade aparece: criadores falam em genética adaptada ao clima, em manejo que respeita o solo, em produção que busca equilíbrio. É como se cada detalhe da feira fosse atravessado por uma pergunta maior: como produzir sem destruir?
Ao caminhar pelos pavilhões, percebe-se que cada visitante leva consigo algo além da experiência imediata. Uns voltam com contratos assinados, outros com lembranças de infância renovadas, outros ainda com ideias para transformar suas propriedades. Todos, de alguma forma, saem com o olhar expandido. A Expointer é tradição, mas também é transformação. É festa, mas também é reflexão. É negócio, mas também é futuro.

Em 2026, a feira reafirma que o agronegócio brasileiro não pode mais se limitar a produzir em escala. Precisa produzir com consciência, com inovação e com responsabilidade. A mistura de públicos, o interesse das crianças, os debates sobre sustentabilidade e transição energética, tudo isso compõe um mosaico que aponta para um caminho possível: um agronegócio que protege o planeta enquanto alimenta o mundo. E é nesse encontro entre tradição e inovação que a Expointer mostra sua verdadeira força.

* Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética (Contato: rena.zimm@gmail.com)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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