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Internacionalização do Aeroporto de Jericoacoara fica para depois das obras de até três anos

Fonte: mais.opovo.com.br | Data: 03/09/2026 01:36:17

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Pessoas assistem o vai e vem de aviões no Aeroporto de Jericoacoara, situado no município de Cruz (Foto: Fco Fontenele/O POVO)
Foto: Fco Fontenele/O POVO
Pessoas assistem o vai e vem de aviões no Aeroporto de Jericoacoara, situado no município de Cruz

Resumo

    O Governo do Ceará pleiteia a internacionalização do Aeroporto de Jericoacoara, mas a concessionária Fraport reforça que o terminal está inapto no momento e precisa de obras antes de buscar voos internacionais
    A CEO da Fraport descartou a abertura de novas rotas nacionais regulares para Jericoacoara ainda este ano
    Atualmente, o terminal de Jericoacoara opera apenas rotas domésticas para os aeroportos de Guarulhos e Confins pelas companhias Latam, Gol e Azul, com chance de reforços pontuais na alta estação
    O Aeroporto de Canoa Quebrada em Aracati, concedido à GRU Airports no programa AmpliAR, terá novas rotas confirmadas a partir de 1º de outubro com conexões diretas para Belo Horizonte e Fortaleza
    A Secretaria do Turismo do Ceará mantém negociações permanentes com o setor aéreo para expandir a malha estadual, citando avanços recentes nas operações gerais como a ligação direta com Madri.

O processo de internacionalização do Aeroporto Regional de Jericoacoara Comandante Ariston Pessoa (JJD) — localizado no município de Cruz, a 219,9 km de Fortaleza — virá apenas após o prazo de obras da gestão privada no terminal que facilita o acesso à Vila de Jericoacoara.

Embora a medida seja um pleito formal do Governo do Ceará junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e ao Governo Federal, o avanço do projeto está estritamente condicionado à conclusão de reestruturação da nova concessionária, a Fraport Brasil.

Com prazo de execução previsto em até 36 meses (três anos) pelo edital do Programa AmpliAR, do Governo Federal, o ciclo de intervenções estruturais sinaliza que as tratativas para a homologação internacional do terminal devem ganhar tração apenas a partir de 2029.

Durante evento realizado nessa terça-feira, 1º de setembro, o titular da Secretaria do Turismo do Ceará (Setur), Gustavo Montenegro, enfatizou que a concessionária assumiu o compromisso de manter o plano de internacionalização em horizonte estratégico.

“Existe um compromisso nosso com a Fraport, o Governo do Estado já protocolou lá no Ministério de Portos e Aeroportos a internacionalização desse Aeroporto, e a Fraport vai dar continuidade a esse processo, para que em breve esse aeroporto consiga receber turistas internacionais embarcando diretamente aqui”, afirmou o secretário.

Por outro lado, a CEO da Fraport Brasil, Andreea Pal, adotou um tom mais pragmático quanto ao cronograma de curto e médio prazo. A executiva classificou o estado atual do terminal como inapto para acolher operações internacionais de rotina, cujas aeronaves demandam maior porte e infraestrutura específica de apoio em solo.

Segundo a executiva da administradora aeroportuária, as conversas regulatórias e comerciais só farão sentido prático à medida que os trabalhos de engenharia estiverem em fase de conclusão.

A Fraport estabeleceu uma sequência de precondições para que Jericoacoara passe a operar voos do Exterior. Uma delas é a readequação física, com a conclusão da reforma do teto e expansão do terminal de passageiros, garantindo capacidade operacional e conforto exigidos pelas companhias aéreas.

Somente então deve ocorrer a homologação regulatória, por meio de diálogo com a Anac e a Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC) para certificação de internacionalização e instalação de postos da Polícia Federal, Receita Federal, Vigiagro e Anvisa.

Nessa etapa, é esperado que também ocorra a prospecção de mercado, com atração e negociação comercial com empresas aéreas internacionais interessadas em operar rotas regulares para o Litoral Oeste cearense.

“Precisamos primeiro ter um terminal que pode ser oferecido para uma companheira aérea internacional. Por enquanto, não precisamos falar com a Anac (sobre o processo de Internacionalização), porque, simplesmente, como está agora não podemos oferecer nada que funcione“, frisou Andreea Pal.

A executiva complementou que somente quando a Fraport estiver “quase para terminar a reforma”, é que entrará em contato com a Anac acerca do tema.

“Teremos que conversar com a SAC (Secretaria Nacional de Aviação Civil). E não esquecer que temos também que encontrar uma companhia aérea (internacional) que queira voar para Jeri, porque essas conversas obviamente ainda não aconteceram. 

Fraport descarta possibilidade de novas rotas ainda em 2026

Atualmente, o Aeroporto Regional conta com voos das três principais companhias aéreas do Brasil, mas mantém apenas uma rota de cada.

Enquanto Latam e Gol operam rotas que ligam o JJD ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, a Azul conecta Jericoacoara ao Aeroporto Internacional de Confins, em Minas Gerais.

O secretário Gustavo Montenegro esclarece que um dos objetivos da concessão é também contribuir para a intensificação de voos domésticos. Ele afirma que o outro equipamento concedido na primeira fase do programa AmpliAR, o Aeroporto Regional de Canoa Quebrada Dragão do Mar (ARX), no município de Aracati, já tem uma nova operação confirmada, com início em 1º de outubro.

O equipamento foi concedido para a empresa GRU Airports, do Aeroporto Internacional de Guarulhos. A partir de outubro, o ARX ganha conexões com Belo Horizonte e Fortaleza, que o secretário defende pela importância da valorização da Rota das Falésias como destino no litoral leste.

“O Ceará vem ampliando sua presença na malha nacional e internacional, conquistando novas rotas e frequências, como a ligação direta com Madri, além da expansão de operações para outros mercados. Naturalmente, queremos sempre mais voos, mais assentos e mais conexões. Esse é um trabalho contínuo, porque a aviação é dinâmica e exige diálogo permanente, planejamento e construção conjunta com as companhias aéreas. Mas posso dizer que o relacionamento com o setor está muito bom e que seguimos trabalhando para consolidar as operações existentes e buscar novas oportunidades.”

Quanto ao JJD, Andreea Pal descarta a possibilidade de novas rotas ainda neste ano. “Esse ano tenho certeza que não, temos só poucos meses. Pode ser que tenhamos alguns voos adicionais durante a alta temporada, mas essa é uma decisão das companhias aéreas que vem no último momento, nada que se negocia muito tempo antes”, conclui.

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