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O Caça Supersônico de Dois Lugares com Tecnologia Brasileira Que Voou Pela Primeira Vez

Fonte: forbes.com.br | Data: 03/09/2026 05:04:30

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O Brasil colocou mais um caça no ar. A Saab concluiu o primeiro voo do Gripen F, versão de dois lugares do Gripen E desenvolvida com participação brasileira dentro do programa que moderniza a aviação de combate da Força Aérea Brasileira. A aeronave decolou no dia 28 de agosto, às 9h40 no horário local, do aeródromo da Saab em Linköping, na Suécia, e permaneceu no ar por 40 minutos.

O voo foi conduzido por Jakob Högberg, piloto-chefe de testes da Saab, e pelo tenente-coronel aviador Abdon de Rezende Vasconcelos, piloto de testes da Força Aérea Brasileira. A etapa serviu para verificar a funcionalidade dos principais sistemas da aeronave e o desempenho inicial em voo.

O marco é relevante porque o Gripen F não é apenas uma versão de treinamento. O modelo biposto foi criado para combinar formação de pilotos e capacidade operacional na mesma plataforma. A segunda posição de cabine é totalmente independente, o que permite missões guiadas por instrutor em um caça plenamente operacional e aproxima o treinamento das condições reais de missão.

O contrato que deu origem ao Gripen brasileiro

A existência do Gripen F está diretamente ligada ao contrato assinado pelo Brasil em 2014. O acordo prevê o desenvolvimento e a produção de 36 caças Gripen para a Força Aérea Brasileira: 28 unidades do Gripen E, de um lugar, e oito do Gripen F, com duas posições.

O primeiro voo do Gripen F é consequência direta do contrato assinado pela FAB em 2014. As entregas começaram em 2020 e, até agora, 11 unidades do Gripen E, configuração para um piloto, já operam no Brasil. Do valor atualizado do acordo, estimado em R$ 29,5 bilhões, R$ 16,5 bilhões haviam sido pagos até março.

A versão de dois lugares tem peso especial para o país. O Brasil foi o primeiro cliente interessado nesse modelo e, por isso, participou do desenvolvimento do Gripen F desde sua origem. A parceria abriu espaço para transferência de tecnologia, participação industrial brasileira e formação de engenheiros, técnicos e pilotos ligados ao programa.

Mais de 350 engenheiros, técnicos e pilotos brasileiros participaram de atividades de treinamento ligadas ao desenvolvimento, produção, ensaios em voo e manutenção do caça. O programa incluiu transferência de tecnologia, treinamento prático e capacitação de profissionais brasileiros na Suécia.

Da Suécia a Gavião Peixoto

A parceria entre Saab, Embraer e FAB já havia ganhado um marco no Brasil em março de 2026, quando foi apresentado oficialmente o primeiro caça supersônico produzido no país, o F-39E Gripen. A cerimônia ocorreu no complexo industrial da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo.

A produção local colocou o Brasil em um grupo restrito de países com capacidade de desenvolver e produzir aeronaves de combate de alta complexidade, em um feito inédito na América Latina.

A unidade de Gavião Peixoto produz os caças Gripen E com uma cadeia de suprimentos brasileira e internacional. Entre os componentes estão aerostruturas fabricadas na unidade da Saab em São Bernardo do Campo. Outros 14 caças previstos no contrato atual com a FAB seguirão esse mesmo modelo de produção.

DivulgaçãoJakob Högberg, piloto-chefe de testes da Saab, e o tenente-coronel aviador Abdon de Rezende Vasconcelos, piloto de testes da FAB

Um caça para treinar e operar

O Gripen F foi desenvolvido para atender necessidades de treinamento e operação de forças aéreas modernas. Ele mantém as capacidades do Gripen E, incluindo desempenho, sensores e arquitetura de missão, mas acrescenta uma segunda cabine independente.

Essa configuração permite acelerar a conversão de pilotos e o treinamento preparatório em comparação com modelos convencionais. Ao mesmo tempo, pode aumentar a efetividade operacional em ambientes de alta ameaça, já que a divisão de tarefas entre os dois ocupantes melhora a condução da missão.

O Gripen é hoje o principal vetor de defesa aérea do Brasil. A aeronave foi projetada para cumprir missões de defesa aérea, reconhecimento e ataque. O caça integra aviônicos modernos, sensores, armamentos e sistemas de missão, com arquitetura centrada em rede e fusão de sensores para compartilhar informações entre aeronaves da formação tática.

Desde fevereiro deste ano, o Gripen está a serviço do Alerta de Defesa Aérea a partir da Base Aérea de Anápolis, responsável pela proteção do espaço aéreo sobre o Distrito Federal.

A parceria pode crescer

A cooperação entre Saab e Embraer também pode ganhar uma nova etapa industrial. As duas empresas assinaram um acordo para a potencial produção de 20 aeronaves Gripen adicionais no complexo de Gavião Peixoto. Pelo memorando, a Embraer seria responsável pela montagem dessas unidades, complementando a linha final da Saab em Linköping para atender à demanda global pelo caça sueco.

A unidade de Gavião Peixoto já é tratada pelas empresas como um polo estratégico de manufatura avançada, com mão de obra qualificada e capacidade produtiva integrada a fornecedores brasileiros e internacionais.

O primeiro voo do Gripen F, portanto, não é apenas mais uma etapa de testes. Ele mostra como um contrato militar bilionário abriu espaço para transferência de tecnologia, produção local e participação brasileira no desenvolvimento de uma aeronave supersônica de dois lugares. Depois dos monopostos já entregues à FAB, o biposto coloca o Brasil em uma nova posição dentro do programa Gripen.

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