Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Vorcaro apresenta proposta de delação seletiva sobre o caso Master

Fonte: brasil247.com | Data: 03/09/2026 07:20:40

🔗 Ler matéria original

247 – O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, afirmou em depoimento prestado ao gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça que a delação premiada que pretendia assinar tinha como objetivo denunciar exclusivamente integrantes do “núcleo do atual governo”. O empresário, no entanto, evitou detalhar suas relações com outras autoridades políticas e omitiu completamente a sua participação no financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro (PL) cujos repasses foram negociados diretamente pelo senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), informa Camila Bomfim, do G1.

No depoimento fornecido ao juiz auxiliar que acompanha o processo do caso Master no STF sob relatoria de Mendonça, Vorcaro buscou justificar suas relações políticas no Executivo federal como uma estratégia de defesa.

“Toda a minha colaboração, ela, no que tange a pessoas, são pessoas do núcleo do atual governo, que eu acabei fazendo relação para me proteger dos ataques que eu estava sofrendo. E aí, nesses momentos, teve uns casos que foram cruzadas linhas de moralidade, linhas de ilicitude, que esses eu pretendia relatar”, alegou o ex-banqueiro.

Segundo a assessoria do gabinete do ministro André Mendonça, a oitiva foi agendada a pedido da própria defesa de Vorcaro. “O depoimento foi realizado por requerimento expresso da defesa do depoente, que relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência. Trata-se de ato processual regular, conduzido por juiz auxiliar”, informou o gabinete.

PGR aponta ausência de provas e pede arquivamento

A Procuradoria-Geral da República (PGR), no entanto, solicitou na quarta-feira (2) o arquivamento das denúncias feitas por Daniel Vorcaro. Segundo o órgão, o empresário não apresentou nenhuma prova ou elemento concreto durante a oitiva para sustentar suas alegações.

“[…] constata-se que o declarante não noticiou fato concreto ou juridicamente delimitado capaz de impulsionar providências investigativas próprias, tampouco conferiu o mínimo elemento de verossimilhança às assertivas ali formuladas”, afirmou a PGR.

Preso em Brasília e acusado pela Polícia Federal de chefiar um esquema de fraudes financeiras no Banco Master que pode somar até R$ 12 bilhões, Vorcaro fez interpretações pessoais e sem amparo jurídico sobre sua prisão. Ele argumentou que a medida cautelar serviu para silenciá-lo e que desistiu do acordo de colaboração por sentir-se ameaçado por “pessoas do poder”.

“Desde que eu fui preso… Na verdade, a minha prisão, no meu entendimento, ela já foi uma intimidação para que eu não externasse os fatos que eu desejava falar desde o começo dessa operação”, disse o ex-banqueiro no depoimento.

A justificativa contrasta com o histórico do processo: a defesa do ex-dono do Banco Master havia apresentado uma proposta de delação premiada ao Ministério Público em 15 de junho deste ano, que acabou rejeitada por falta de novos elementos decisivos para as investigações. A prisão preventiva do empresário foi mantida por decisão colegiada do STF.

Transações controversas e o rombo no BRB

Além de comentar a delação rejeitada, Vorcaro usou o depoimento para defender a tentativa de fusão e venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB), classificando a operação financeira como um negócio que traria benefícios.

“[…] a própria fusão e negócio com o BRB, que eu espero muito ter a oportunidade de falar o que efetivamente aconteceu e o tanto que seria benéfico se houvesse sido feita a fusão e a integração dos dois bancos. Mas eu tomei uma série de medidas tentando evitar que aquela profecia que me tinha sido feita se realizasse”, declarou.

Entretanto, as investigações da Operação Compliance Zero revelam um quadro grave. Em abril deste ano, uma fase da operação levou à prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, acusado pela Polícia Federal de liberar operações sem lastro e sem governança com o Banco Master.

Estimativas do próprio BRB indicam que cerca de R$ 8,8 bilhões em créditos do Banco Master adquiridos pela instituição estatal correspondem a títulos inexistentes, fraudados ou de dificílima recuperação — caracterizando “crédito podre” com alto potencial de causar rombo no patrimônio público. O governo do Distrito Federal declarou que planeja reaver R$ 2,2 bilhões por meio de garantias, mas precisará contratar um empréstimo no valor de R$ 6,6 bilhões para cobrir o restante dos papéis sem valor.

❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com [email protected].

✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no Telegram do 247 e no canal do 247 no WhatsApp.

Marque o Brasil 247 como fonte preferida no Google:

Apoie o jornalismo independente do 247:

Cortes 247