Messias vê ação da PF para desgastá-lo e poupar Gonet na crise do Caso Master
Fonte: brasil247.com | Data: 03/09/2026 10:28:27
247 – A crise aberta entre setores da Polícia Federal e a Advocacia-Geral da União ganhou um novo capítulo com a reação, nos bastidores, do ministro Jorge Messias às cobranças feitas pela cúpula da corporação. O chefe da AGU avalia que há uma tentativa de atribuir a ele responsabilidade por decisões do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que afetaram investigações conduzidas pela PF. As informações foram publicadas pela coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles.
Segundo interlocutores de Messias ouvidos pela coluna, a AGU estaria sendo alvo de “assédio” por não ter questionado medidas tomadas por Mendonça no âmbito de apurações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
A principal cobrança da PF, de acordo com a publicação, é que a AGU acionasse André Mendonça contra duas decisões: a que restringiu o acesso da cúpula da corporação a informações dos inquéritos contra Lulinha e a que determinou o envio de dados brutos da investigação ao ministro do STF.
Nos bastidores, aliados de Messias rebatem a pressão e afirmam que a responsabilidade pelo controle externo da Polícia Federal é da Procuradoria-Geral da República, e não da Advocacia-Geral da União. “Por que não pediram à PGR para atuar? Afinal, quem faz o controle externo da PF é a PGR, e não a AGU”, disse à coluna um integrante da cúpula da AGU.
A avaliação no entorno do ministro é que haveria uma estratégia para desgastar Messias politicamente e, ao mesmo tempo, preservar o procurador-geral da República, Paulo Gonet, em meio ao avanço da crise. Gonet passou a ser citado no contexto do Caso Master depois de aparecer em mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro.
A tensão ocorre em um momento sensível para as instituições envolvidas. A PF tem demonstrado incômodo com decisões judiciais que, na avaliação da corporação, impactaram o andamento de investigações. Já a AGU sustenta, segundo aliados de Messias, que não cabe ao órgão assumir uma atribuição que seria da PGR.
O episódio amplia o desgaste entre órgãos do sistema de Justiça e expõe divergências sobre quem deveria reagir formalmente às decisões de André Mendonça. Para interlocutores de Messias, a cobrança direcionada à AGU desloca o foco institucional e evita questionamentos mais diretos à atuação da Procuradoria-Geral da República.
No centro da controvérsia está o papel de cada órgão diante de decisões do Supremo que interferem em procedimentos investigativos. Enquanto a PF cobrou uma ação da AGU, integrantes do órgão comandado por Messias argumentam que a via correta seria a atuação da PGR, responsável pelo controle externo da atividade policial.
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