Maior parte dos trabalhadores por plataformas digitais depende de um único aplicativo, diz IBGE Pesquisa aponta de 62,5% dos plataformizados dependiam de apenas uma ferramenta para trabalhar
Fonte: valor.globo.com | Data: 04/09/2026 10:16:36
Pesquisa aponta de 62,5% dos plataformizados dependiam de apenas uma ferramenta para trabalhar
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A pesquisa Trabalho por Meio de Plataformas Digitais (2025), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua mostrou que, no ano passado, 62,5% dos 1,8 milhão de trabalhadores plataformizados no emprego principal no país dependiam de apenas um aplicativo para exercer a profissão.
O levantamento mostra que 38,8% dos plataformizados só trabalhavam desta maneira e utilizavam apenas um aplicativo, enquanto 23,6% também usavam um único aplicativo, mas tinham outro trabalho fora das plataformas. O IBGE apurou ainda que 23,9% dos plataformizados usavam dois ou mais aplicativos, mas só trabalhavam com ferramentas digitais e 13,6% tinham mais independência, pois usavam mais de um aplicativo e tinha um trabalho fora das plataformas.
“A pesquisa mostra autonomia e controles limitados em relação a alguns aspectos dos trabalhos das pessoas. Mesmo sendo muitas vezes conta própria, em vários aspectos era a plataforma quem determinava”, diz Gustavo Geaquinto, analista do IBGE responsável pela pesquisa.
O IBGE também analisou o tipo da dependência dos trabalhadores em relação à plataforma. Entre os motoristas de aplicativo não-taxistas, 80,2% dependiam totalmente da ferramenta digital utilizada em relação ao valor a ser recebido por cada tarefa, percentual que chegava a 78,3% entre os entregadores por aplicativo. No caso desses últimos, a plataforma também tinha grande ingerência em definir quais clientes seriam atendidos e na forma como o pagamento seria recebido, com impacto, respectivamente, em 70,8% e 71,3% dos trabalhadores.
“Para todos os aspectos pesquisados, os trabalhadores de aplicativos de transporte de passageiros e os entregadores em aplicativos de entrega, em média, revelaram os maiores graus de dependência em relação à plataforma”, disse Geaquinto, lembrando o menor controle aconteceu entre aqueles que utilizavam a plataforma para prestação de serviços gerais ou profissionais.
Para ele, os dados revelam autonomia e controle limitado em relação a alguns aspectos relativos ao exercício do próprio trabalho.
A pesquisa também analisou a influência dos aplicativos na determinação da jornada em um cenário em que a flexibilidade de horário é a principal razão de atração de trabalhadores para este tipo de atividade. Como notou-se que os trabalhadores de aplicativo tinham, em média, jornadas maiores que os não-plataformizados, a Pnad Contínua investigou diferentes estratégias potencialmente empregadas pelas plataformas digitais de trabalho que, em certa medida, poderiam influenciar a jornada de trabalho. A escolha de dias e horários de forma independente era realidade para 81,1% dos motoristas por aplicativo exclusive os taxistas; para 72,6% dos taxistas por aplicativo; e para 71,5% dos entregadores.
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