Jornada maior, renda menor: quase 2 milhões trabalham por aplicativos no Brasil, mostra IBGE
Fonte: goldblackfm.com.br | Data: 04/09/2026 10:17:14

Jornada maior, renda menor: quase 2 milh�es trabalham por aplicativos no Brasil, mostra IBGE (Foto: Reprodução)
Entregador por app faz desabafo ap�s ser ofendido por cliente
Quase 2 milh�es de pessoas trabalhavam por meio de plataformas digitais de servi�os no Brasil em 2025, segundo dados da PNAD Cont�nua divulgados nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat�stica (IBGE).
A maior parte desse contingente tinha os aplicativos como principais fontes de trabalho. Eram 1,805 milh�o de pessoas, ou 92,1% do total. Outras 182 mil utilizavam plataformas no trabalho secund�rio, enquanto 28 mil trabalhavam por aplicativos tanto na atividade principal quanto na secund�ria.
O n�mero representa 1,9% da popula��o ocupada, estimada em 102,4 milh�es de pessoas em 2025.
O levantamento mostra que o trabalho mediado pela internet vai muito al�m de simplesmente conectar trabalhadores e clientes. Os aplicativos podem influenciar quanto o trabalhador recebe, quais clientes atende, os prazos para realizar tarefas e at� sua jornada.
Ao mesmo tempo, a pesquisa revela que uma parcela significativa desses trabalhadores depende fortemente de uma �nica plataforma.
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Transporte de passageiros concentra a maior parte
Entre os diferentes tipos de aplicativos considerados pela pesquisa, os de transporte particular de passageiros ? como Uber e 99 ? reuniam a maior parcela dos trabalhadores: 58,9%, ou cerca de 1,2 milh�o de pessoas.
Em seguida aparecem os aplicativos de entrega, utilizados por 29,9% dos trabalhadores plataformizados. O grupo inclui tanto entregadores quanto pessoas que exploram o pr�prio neg�cio e usam essas plataformas para captar clientes e realizar vendas.
A pesquisa tamb�m considerou aplicativos de servi�os gerais ou profissionais, que podem intermediar desde faxinas, cuidados de pessoas, reformas e pequenos reparos at� trabalhos de tradu��o, reda��o, programa��o, design, servi�os jur�dicos e consultas on-line.
A categoria inclui ainda determinados tipos de microtarefas realizadas pela internet.
? A pesquisa n�o considera qualquer ferramenta digital como plataforma de trabalho. No com�rcio eletr�nico, por exemplo, Instagram, WhatsApp, Facebook e o Marketplace do Facebook n�o entram nessa classifica��o.
Trabalho por aplicativo cresceu 36,8% em tr�s anos
Considerando apenas o trabalho principal, o n�mero de pessoas que trabalhavam por meio de plataformas digitais passou de 1,319 milh�o em 2022 para 1,805 milh�o em 2025, um crescimento de 36,8%. Entre 2024 e 2025, a alta foi de 9,1%.
Mesmo com o avan�o, os trabalhadores plataformizados ainda representavam uma parcela pequena do mercado de trabalho privado: 2% dos ocupados nesse grupo em 2025.
O crescimento foi particularmente forte entre os trabalhadores de aplicativos de servi�os gerais ou profissionais, cujo n�mero aumentou 55,4% desde 2022, passando de 193 mil para cerca de 300 mil pessoas.
Entre os trabalhadores de aplicativos de transporte de passageiros, o crescimento desde 2022 foi de 37,8%. J� os aplicativos de entrega tiveram expans�o de 19,3% no per�odo.
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Quem est� trabalhando pelos aplicativos?
O trabalhador plataformizado � majoritariamente homem:
84,4% eram homens; e
15,6% eram mulheres.
Entre os demais trabalhadores do setor privado, as mulheres representavam 41,8%.
A faixa et�ria de 25 a 39 anos concentrava 47% dos trabalhadores de plataformas. Tamb�m chama aten��o a posi��o que eles ocupavam no mercado de trabalho: 86,8% trabalhavam por conta pr�pria, enquanto apenas 4,5% eram empregados com carteira assinada.
A escolaridade tamb�m apresenta uma caracter�stica pr�pria. Os trabalhadores plataformizados se concentravam principalmente nos n�veis intermedi�rios de instru��o. Apenas 8,3% n�o tinham instru��o ou tinham o ensino fundamental incompleto, ante 20,3% entre os n�o plataformizados.
Ganham o mesmo, mas trabalham mais
O rendimento m�dio mensal dos trabalhadores que utilizavam plataformas digitais de servi�os foi de R$ 3.147 em 2025, praticamente igual ao dos trabalhadores n�o plataformizados, de R$ 3.148.
A diferen�a aparece na quantidade de horas trabalhadas. Quem trabalhava por aplicativos cumpria, em m�dia, 44,7 horas por semana, contra 39,3 horas dos demais trabalhadores do setor privado.
Quando o rendimento � calculado por hora trabalhada, tamb�m h� piora: os plataformizados recebiam, em m�dia, R$ 16,20 por hora, contra R$ 18,40 entre os n�o plataformizados. Assim, o rendimento por hora dos trabalhadores de aplicativos era 12% menor.
A diferen�a tamb�m aparece na evolu��o dos �ltimos anos. Entre 2022 e 2025, o rendimento dos trabalhadores por aplicativo variou apenas 1%, enquanto o dos demais trabalhadores cresceu 10,6%.
Quase 40% dependem de uma �nica plataforma
Em 2025, o IBGE investigou pela primeira vez n�o apenas se o trabalhador utilizava aplicativos, mas tamb�m com que frequ�ncia e quantas plataformas usava. O objetivo era entender melhor o grau de depend�ncia dessas ferramentas para conseguir clientes e realizar o trabalho.
Entre os 1,8 milh�o de trabalhadores que utilizavam plataformas no trabalho principal, 62,7%, ou 1,1 milh�o de pessoas, trabalhavam exclusivamente por meio delas.
Outros 21,6% trabalhavam majoritariamente por plataformas, enquanto 15,7% realizavam seus servi�os principalmente por outros meios.
A maioria tamb�m utilizava apenas um aplicativo: 62,5% trabalhavam com uma �nica plataforma, 30% usavam duas e 7,5% utilizavam tr�s ou mais.
Quando os dois fatores s�o combinados ? frequ�ncia de uso e quantidade de aplicativos ? aparece um grupo especialmente dependente: 38,8%, ou 701 mil trabalhadores, trabalhavam exclusivamente por plataformas e utilizavam apenas um aplicativo.
No outro extremo, apenas 13,6%, ou 247 mil pessoas, trabalhavam por plataformas e tamb�m por outros meios, utilizando dois ou mais aplicativos.
? Esse resultado � importante porque depender de uma �nica plataforma significa ter menos alternativas caso haja mudan�as nas regras de funcionamento do aplicativo ou at� um bloqueio da conta.
O pr�prio IBGE aponta que essa combina��o de alta frequ�ncia de uso e pouca diversifica��o deixa uma parcela dos trabalhadores mais sujeita �s decis�es das empresas que controlam essas plataformas.
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Aplicativo pode definir quanto o trabalhador recebe
Apesar de a maioria dos trabalhadores plataformizados trabalhar por conta pr�pria, a pesquisa identificou diferentes formas de controle exercidas pelas plataformas.
Entre os motoristas de aplicativos de transporte particular de passageiros, 80,2% disseram que a plataforma determinava totalmente o valor que receberiam por cada tarefa ou trabalho.
Entre os entregadores, a propor��o era de 78,3%. Entre os taxistas que utilizavam aplicativos, chegava a 73,5%.
A plataforma tamb�m podia determinar quem seria atendido. Isso ocorria totalmente para 70,8% dos entregadores e para 60,8% dos motoristas de aplicativos de transporte particular de passageiros.
A forma de recebimento do pagamento tamb�m era determinada totalmente pela plataforma para 71,3% dos entregadores e 60,6% dos motoristas de aplicativos de transporte particular.
Os aplicativos de servi�os gerais ou profissionais apresentavam n�veis de depend�ncia menores. Ainda assim, os dados mostram que, para uma parcela importante dos trabalhadores, a plataforma n�o funciona apenas como um espa�o para encontrar clientes, ela tamb�m interfere em diferentes aspectos da execu��o do trabalho.
Flexibilidade existe, mas jornada � maior
A flexibilidade foi o principal motivo apontado pelos trabalhadores para atuar por meio de plataformas. No trabalho principal, 26,8% deram essa resposta.
Mas quase a mesma propor��o, 24,6%, afirmou que n�o conseguiu encontrar outro trabalho. Outros 20,8% disseram que o rendimento era maior do que em outras op��es dispon�veis, enquanto 16,6% afirmaram que utilizavam as plataformas para complementar a renda.
No trabalho secund�rio, a situa��o � diferente: 87,7% disseram que utilizavam as plataformas para complementar a renda.
Motoristas de app ganham mais, mas recebem menos por hora
Os motoristas de aplicativo representam uma parcela importante desse mercado. Em 2025, havia 1,974 milh�o de condutores de autom�veis no trabalho principal. Desses, 905 mil, ou 45,9%, trabalhavam por meio de aplicativos.
O rendimento m�dio mensal dos motoristas plataformizados era de R$ 2.873, contra R$ 2.805 entre os demais motoristas ? diferen�a de apenas 2,4%. Mas a jornada era maior: 45,9 horas semanais, contra 40,4 horas entre os n�o plataformizados.
Com isso, o rendimento por hora era menor entre os motoristas de aplicativo: R$ 14,40, contra R$ 16 entre os demais.
A prote��o previdenci�ria tamb�m era menor. Apenas 25,5% dos motoristas de aplicativo contribu�am para um instituto de Previd�ncia, contra 59,2% entre os que n�o trabalhavam por plataformas.
Trabalho de motociclistas por apps quase dobrou desde 2022
Entre os 1,179 milh�o de condutores de motocicletas no trabalho principal em 2025, 405 mil, ou 34,4%, trabalhavam por meio de aplicativos. Esse grupo cresceu 91,9% desde 2022, enquanto o total de motociclistas aumentou 22,6%.
Nesse caso, o rendimento mensal dos plataformizados era maior: R$ 2.221, contra R$ 1.802 entre os n�o plataformizados. O rendimento por hora tamb�m era superior: R$ 11,40, contra R$ 10,10.
Mas apenas 19,4% dos motociclistas que trabalhavam por aplicativos contribu�am para a Previd�ncia, contra 37,1% dos n�o plataformizados.
Plataformas de com�rcio eletr�nico t�m outro perfil
A PNAD tamb�m investigou, separadamente, o uso de plataformas de com�rcio eletr�nico por pessoas que exploravam o pr�prio neg�cio em atividades de com�rcio.
Em 2025, havia aproximadamente 5 milh�es de pessoas nessa situa��o. Desse total, 210 mil utilizavam plataformas de com�rcio eletr�nico para obter clientes e vender produtos, o equivalente a 4,2%.
O perfil desse grupo � diferente do observado entre os trabalhadores de aplicativos de servi�os.
Entre os que utilizavam plataformas de com�rcio eletr�nico, 58,1% eram mulheres. O grupo tamb�m tinha maior concentra��o de pessoas mais jovens e com maior escolaridade.
A diferen�a aparece ainda na formaliza��o: 64,6% dos comerciantes que utilizavam plataformas eram formais, enquanto entre os que n�o utilizavam essas ferramentas a informalidade alcan�ava 56,1%.
O rendimento tamb�m era maior. Os comerciantes que utilizavam plataformas recebiam, em m�dia, 44,4% mais do que os que n�o utilizavam. O rendimento por hora era 38,4% superior.
Quase um ter�o desses comerciantes vendia exclusivamente por meio de plataformas de com�rcio eletr�nico.
Agentes do IBGE
Reprodu��o