Entenda como os biodigestores podem ajudar a ampliar o valor da produção agropecuária
Fonte: canalpecuarista.com.br | Data: 04/09/2026 10:48:51
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Na prática, a biodigestão permite que materiais orgânicos, que muitas vezes representam um desafio para produtores e agroindústrias, sejam direcionados a um processo controlado de decomposição. O resultado é a geração de biogás, que pode ser utilizado para produção de energia ou transformado em biometano, além de outros subprodutos que podem agregar valor à operação.
O potencial é especialmente relevante em atividades que concentram grandes volumes de resíduos orgânicos, como a produção de proteína animal. Nesses casos, a disponibilidade contínua de matéria-prima pode favorecer a implantação de sistemas de biodigestão capazes de integrar tratamento de resíduos, produção energética e redução de emissões.
Para o diretor técnico da H2A Bioenergia, Fluvio Marcos Eleodoro, a principal mudança está na forma de enxergar o resíduo dentro da cadeia produtiva. “Os biodigestores têm papel estratégico na modernização da pecuária, pois permitem transformar os dejetos animais, antes tratados apenas como um passivo ambiental, em recursos com valor econômico. Por meio da biodigestão, é possível produzir biogás, biometano e biofertilizantes, além de reduzir odores, emissões de gases de efeito estufa e riscos de contaminação do solo e da água. Dessa forma, a tecnologia contribui para uma produção mais eficiente, sustentável e alinhada às novas exigências ambientais”, destaca.
Ele acrescenta ainda que, além da produção energética, o processo pode estar associado à redução das emissões de gases de efeito estufa e, consequentemente, à geração de créditos de carbono, desde que atendidos os critérios e metodologias aplicáveis a esses projetos. Nesse cenário, a atividade agropecuária passa a ter uma nova oportunidade de monetização vinculada à gestão dos próprios resíduos.
“Existe uma oportunidade importante na integração entre a produção agropecuária, a gestão de resíduos e a transição energética. O crédito de carbono acrescenta uma camada de valor a um processo que já pode gerar energia renovável. Isso muda a lógica econômica do resíduo e cria novas possibilidades para os empreendimentos”, explica Eleodoro.
Impacto ambietal e econômico
Segundo o executivo, o impacto é positivo tanto do ponto de vista ambiental quanto econômico. A utilização dos resíduos para geração de energia pode reduzir custos operacionais e criar novas fontes de receita, especialmente com a produção de biometano, biofertilizantes e outros ativos ambientais.
“Além disso, melhora a imagem do setor, facilita o atendimento às exigências de licenciamento e fortalece a competitividade da pecuária dentro de uma economia cada vez mais voltada à descarbonização”, acrescenta o especialista.
Entretanto, Eleodoro alerta para alguns entraves em relação à implementação da estratégia. Para ele, entre os principais desafios estão o investimento inicial, o acesso a linhas de financiamento adequadas, a necessidade de escala e regularidade na geração de resíduos e a implantação de uma gestão técnica eficiente. “Também é fundamental desenvolver projetos corretamente dimensionados, considerando as características de cada propriedade e garantindo que a operação do biodigestor seja acompanhada de forma contínua para alcançar o desempenho esperado”, pontua.
Por fim, ele ressalta que, nesse contexto, a gestão tem papel fundamental ao transformar a sustentabilidade em uma estratégia de negócio, pois quando há planejamento, controle de indicadores e aproveitamento eficiente dos resíduos, é possível reduzir custos, melhorar o desempenho ambiental e gerar novas receitas.
“Essa visão integrada permite que a pecuária evolua de um modelo baseado apenas na produção animal para um modelo mais circular, no qual resíduos passam a ser utilizados como matéria-prima para geração de energia, fertilizantes e outros produtos de valor agregado”, conclui Eleodoro.